NATO disponível para ajudar Portugal no combate aos incêndios

Nuno André Ferreira / Lusa

Bombeiros tentam combater o fogo em São Pedro do Sul, Viseu

O segundo comandante do Comando Aliado de Transformação da NATO manifestou esta sexta-feira, em declarações à agência Lusa, a disponibilidade da Aliança Atlântica para ajudar Portugal no combate a incêndios, com meios aéreos ou humanos.

“Em primeiro lugar é Portugal que é responsável pelo combate aos fogos. No passado, a NATO, sobretudo através da Alemanha, apoiou Portugal. Eu acredito que se for necessário e Portugal pedir, apoiaremos Portugal”, afirmou o almirante Manfred Nielson, segundo comandante do Comando Aliado de Transformação da NATO, sediado nos Estados Unidos, em Norfolk, Virgínia.

Nielson adiantou que esse apoio depende do que o país solicitar, podendo passar por meios aéreos, como helicópteros, ou pessoal, incluindo brigadas de bombeiros, à semelhança do que aconteceu em 2003, quando a Aliança Atlântica cedeu a Portugal aviões ‘Canadair’ e helicópteros pesados e tripulação para combate de incêndios.

O almirante falava à Lusa após a tomada de posse de Mário da Salvação Barreto, brigadeiro-general da Força Aérea, como comandante do centro de investigação analítica da NATO (Joint Analysis and Lessons Learned Centre), localizado em Lisboa.

É a primeira vez que um português assume o comando desta unidade, que é responsável por estudar operações e exercícios e propor melhorias. A redução de vítimas civis no Afeganistão teve origem num estudo realizado neste centro, por exemplo.

Uma tarefa que Mário da Salvação Barreto considera que assume “um papel estratégico muito grande” perante a incerteza causada pelo terrorismo global.

“Assume especial importância estudarmos bem e percebermos bem os fenómenos. Aqui há uma mistura de analistas civis e militares com experiências diferentes e de diferentes culturas e isso pode trazer uma análise muito boa e providenciar às 28 nações aliadas uma decisão melhor do que fazer, face à situação de segurança mundial”, disse Salvação Barreto à Lusa.

Para o brigadeiro-general “é um orgulho, uma honra, um privilégio” assumir esse papel, que, defende, “representa também um pouco a evolução da própria Aliança”.

Zona ardida nas áreas protegidas ultrapassou os 8.500 hectares

A extensão dos incêndios nas áreas protegidas aumentou 16% na comparação com o ano passado, e ultrapassou 8.500 hectares, a maior parte no Parque Nacional Peneda Gerês, disse hoje o ministro do Ambiente.

Até segunda-feira, “em áreas protegidas, comparando com o ano passado, a área ardida aumentou em 16%, e nos 8.500 hectares que arderam, há uma situação mais grave no Parque [Nacional] Peneda Gerês”, referiu à agência Lusa João Matos Fernandes.

Cerca de 80% do que ardeu nas áreas protegidas foi no Parque Nacional Peneda Gerês, que registou “três incêndios com expressão, no Mezio, no Ramiscal e na Peneda”, relatou o governante.

“A Peneda Gerês não teve um comportamento diferente do comum do distrito de Vila do Castelo” no que respeita aos incêndios, disse o ministro.

Além dos incêndios no Parque Nacional Peneda Gerês, ocorreram em áreas protegidas dois fogos “com expressão, no Alvão e em Manteigas“.

Nas restantes áreas protegidas, o número de ocorrências e a dimensão foram reduzidas.

João Matos Fernandes afirmou que cerca de metade da área ardida na Peneda Gerês foi “em zonas de proteção ambiental mais elevada” e voltou a dizer que é necessário um reforço dos vigilantes da natureza, mas já há um compromisso de aumentar o número.

Quanto à prevenção, disse, “foi a adequada com os meios que tínhamos, num ano em que choveu até maio, o que retardou o início dos trabalhos”.

No Gerês, ocorreram três grandes fogos, dois deles em zonas de muito difícil acesso, e “é muito difícil imaginar que tenham sido causas naturais que tiveram na origem desses incêndios”, defendeu o ministro do Ambiente.

O relatório do Instituto de Conservação da Natureza e Floresta (ICNF), hoje divulgado, refere que, até segunda-feira, há registo de 320 ocorrências na Rede Nacional de Áreas Protegidas e uma área ardida de 8.545 hectares, quando, em 2015, tinham sido 6.997 hectares.

Este ano, a taxa de incidência do fogo no total das áreas protegidas foi da ordem de 1,3%.

A Peneda Gerês teve a maior superfícies afetada, seguindo-se a Serra da Estrela, com 773 hectares, quando no mesmo período do ano passado já tinha ardido 3.450 hectares.

A Rede Nacional de Áreas Protegidas em Portugal Continental totaliza 680.800 hectares.

ZAP / Lusa

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