“Não é calamidade sanitária.” Investigador pede fim das restrições porque Covid-19 mata pouco mais do que a gripe comum

André Dias / Facebook

O investigador André Dias, especializado em doenças pulmonares

O investigador André Dias, especializado em doenças pulmonares, apela ao Presidente da República que seja levantado o Estado de Emergência, considerando que as restrições por causa da Covid-19 podem ser “mais danosas para o tecido social do que a própria doença”, levando até a um maior número de mortes a médio e longo prazo”.

André Dias é doutorado em modelação de doenças pulmonares pela Universidade de Tromso (Noruega) e trabalhou no Instituto de Estatística Médica e Epidemiologia da Universidade Técnica de Munique (Alemanha), colaborando com o Helmoholtz Zentrum Munique, “uma das mais prestigiadas instituições do mundo na área de investigação em epidemiologia“, como vinca numa carta aberta ao Presidente da República que é publicada pelo Observador.

Nesta carta aberta, o investigador considera que “não se trata de uma calamidade sanitária”, vincando que “as estimativas de alguns dos maiores especialistas são que a taxa de letalidade do vírus é muito inferior ao estimado e logo o risco é, também, muito inferior”. Por isso, pede o levantamento do Estado de Emergência, até porque alega que o “número crescente de evidências científicas sugerem a irrelevância actual das medidas de contenção social”.

“O risco é mais baixo do que a tuberculose”, considera o investigador em entrevista ao Observador, notando que os “testes de anti-corpos que têm sido feitos, nas últimas semanas, relatam um número muito maior dos infectados” do que os dados oficiais. Falamos de um “aumento de 50 a 85 vezes mais”, o que significa que a taxa de mortalidade da Covid-19 é “equivalente a muitas outras doenças” com que convivemos todos os dias.

Os valores são “comparáveis aos da gripe” em termos de mortalidade, embora o coronavírus tenha “efeitos clínicos mais graves”, aponta André Dias.

Quanto ao elevado número de mortes na Europa, nomeadamente em países como Itália e Espanha, o investigador sustenta que não estão acima de outros anos. “Em 2014, a monitorização da mortalidade detectou um excesso de mortes durante o Inverno” na Europa, com “217 mil mortes em excesso sobre aquilo que era considerada a mortalidade expectável”, relata André Dias.

No que concerne à Covid-19, até ao passado sábado, dia 25 de Abril, contabilizavam-se na Europa 110 mil mortes atribuídas ao coronavírus, diz o investigador, notando que “a grandeza da mortalidade em excesso é bastante inferior à que poderia ser atribuída à gripe em 2014”.

Em Portugal, de acordo com o Programa Nacional de Vigilância da Gripe do Instituto Ricardo Jorge, na época 2018/2019 morreram 3331 pessoas, enquanto na época 2017/2018 morreram 3700 pessoas. As mortes por Covid-19 no nosso país situam-se nas 928, conforme os dados até esta segunda-feira, 27 de Abril.

O “factor externo” Primavera

André Dias também refuta a ideia de que as medidas de contenção podem estar a evitar que haja mais mortes, considerando que “a evolução das curvas de infectados e de mortes na Europa segue um padrão muito mais próximo dos surtos de gripe do que um padrão esperado” em função das medidas adoptadas pelos diferentes países.

O investigador acredita que há um “factor externo muito mais forte” do que as medidas de confinamento que pode estar a contribuir para amenizar as curvas – a Primavera. “Os vírus pulmonares são muito sensíveis à luz solar”, analisa, considerando que “a luz solar e os raios ultravioletas são capazes de os destruir”.

Estas ideias surgem em contra-senso com alegações de  membros do Comité de Doenças Infecciosas Emergentes da Academia Nacional de Ciências dos EUA que alertaram que o coronavírus não deverá desaparecer com o aumento das temperaturas.

A Organização Mundial de Saúde também já avisou que é “uma falsa esperança” acreditar que a Covid-19 vai desaparecer no Verão, como acontece com a gripe.

Sobre a possibilidade de uma segunda vaga, André Dias diz que “o mais provável é que o vírus regresse no caldeirão dos vírus de gripe, como mais uma estirpe”. Entretanto, deve circular “no hemisfério sul como vírus do Inverno deles”, diz.

Relativamente a essa segunda vaga, o investigador analisa que “o impacto poderá ser maior, poderá haver mais infecções numa percentagem detectável“, como acontece com outros vírus, nota. “Na generalidade, estou convencido que não fará um pico de mortalidade além daquilo que estamos habituados no Inverno”, conclui.

Sobre as medidas do Governo para a reabertura, André Dias critica o facto de se planear abrir as Escolas Secundárias já em Maio, notando que “abrir as creches e as escolas primárias” deveria ser o primeiro passo. Isto porque “as crianças abaixo de 10 anos não têm riscos” e, além disso, “são importantes na criação de imunidade”, considera. “Nas Escolas Secundárias já existe risco”, embora “irrisório”, constata.

Restrições podem matar mais a médio e longo prazo

Na carta aberta ao Presidente da República, André Dias vinca que “não se trata de uma calamidade sanitária”, relevando que “as estimativas de alguns dos maiores especialistas são que a taxa de letalidade do vírus é muito inferior ao estimado e logo o risco é, também, muito inferior”.

O investigador aponta ainda o modelo de previsão feito pelo Imperial College quanto às consequências da pandemia e que ditou a forma como a maioria dos Governos actuou, considerando que contém “erros grosseiros que colocam em causa a sua validade”.

“Temos agora suficientes evidências científicas para afirmar com relativa confiança que as consequências da epidemia são e serão muito inferiores às previsões catastrofistas iniciais. Alguns estudos sugerem mesmo que a taxa de mortalidade da Covid-19 é pouco superior à da gripe comum”, analisa.

“As melhores estimativas de taxa de letalidade colocam-na abaixo dos 0,36%. Não se trata de uma calamidade sanitária”, conclui.

Assim, defende que “as medidas preventivas de contenção já não são necessárias sob um ponto de vista sanitário”, notando que é importante acabar com o confinamento. Até porque há estudos que indicam que “as medidas preventivas serão mais danosas para o tecido social do que a própria doença, podendo mesmo ser associadas a um número superior de óbitos a médio e longo prazo”, considera.

André Dias assume, porém, que para lá dos problemas do vírus em si, temos “um problema psicológico: os cidadãos estão com medo“. “Mesmo que a perigosidade percepcionada do vírus seja ilusória, o medo instalado é real e dificulta a interpretação racional dos dados actuais”, alerta.

Deste modo, o investigador apela ao Presidente da República para que assuma “um discurso que vise desdramatizar a situação, a partir das evidências científicas que agora nos assistem”. Defendendo “o restabelecimento da normalização da vida quotidiana”, André Dias nota que é preciso “agir com cautela”, sublinhando que “o cessar das restrições, do isolamento social, da quarentena” deverá ser “faseado para evitar o descrédito nas instituições governamentais e o aviltamento do medo ou outras emoções negativas entre os cidadãos”.

Engenheiro acusa André Dias de “incompetência e irresponsabilidade graves”

Perante as alegações de André Dias, Hugo Penedones, engenheiro de Machine Learning que trabalha na Google DeepMind e que passou pela Microsoft, considera que apresenta “erros técnicos grosseiros”. Num artigo publicado no Linkedin, este profissional refuta vários dos argumentos de André Dias, a começar pela taxa de mortalidade em comparação com a gripe.

“É muito simplista falar num valor de taxa de mortalidade no global“, salienta Hugo Penedones. “Se considerarmos que a taxa de mortalidade da gripe comum for de 0.1%, não está de forma nenhuma excluído que a taxa de mortalidade por covid-19 não seja 10 vezes superior, e já é quase estatisticamente impossível que não seja pelo menos 4-5 vezes superior, pelo menos para o caso do estado de Nova Iorque”, aponta.

 Erros na análise de André Dias sobre a pandemia de Covid-19Penedones também rebate os dados quanto à alegação de que o confinamento não tem grande repercussão na propagação do vírus, dando o exemplo de Wuhan.

“É demagógico olhar para dados com a intervenção de distanciamento social e usar isso como evidência de que a epidemia é pouco letal. A única prova para baixa mortalidade, seria se os dados nos sítios mais afectados tivessem baixa mortalidade, o que não aconteceu”, aponta ainda Penedones.

Quanto ao argumento de que a Primavera pode ajudar a “matar” o vírus, o engenheiro de Machine Learning repara que “embora seja verdade que que os vírus presentes numa superfície sejam destruídos pela radiação solar forte, não é ainda nada claro que isso seja suficiente para diminuir significativamente a propagação do SARS-COV-2″. “Os dados parecem apontar inequivocamente para o contrário: senão porque é que estamos agora (final de Abril) a ver um crescimento muito rápido dos casos activos em países do hemisfério Norte, como a Rússia, Turquia”, questiona. “O mesmo também está a acontecer em países tropicais como o Equador, ou no Brasil onde embora seja início do Outono, ainda têm temperaturas elevadas e muita radiação solar”, aponta ainda.

“Lamento profundamente que um cientista Português esteja a contribuir para a desinformação da população“, acrescenta Penedones. “É realmente muito triste que alguém, que tendo obrigação de fazer melhor, venha falar dum assunto com tanto impacto potencial negativo, argumentando com tanta confiança e estando tão errado, por razões tão elementares”, diz.

“A pior atitude ética é fazer recomendações sobre politicas que possam matar imensas pessoas, estando pouco exposto a resultados negativos graves”, frisa ainda, acusando André Dias de “incompetência e irresponsabilidade graves”.

“Futebol não traz risco nenhum por si”

Já em entrevista ao jornal A Bola, André Dias defende que “o futebol é uma actividade que não traz risco nenhum por si”. “O desporto ao ar livre nunca deveria ter sido restringido e as competições devem voltar, não sei quando”, analisa, considerando que “os desportos dentro de pavilhões, com público, devem ser os últimos a voltar, tal como os espectáculos culturais”. “São espaços confinados, em que pode estar muita gente, e portanto aí podemos estar a fazer infecções”, avisa.

Mas num estádio “o risco é diminuto” porque “é um local aberto”, afiança, considerando que “cancelar o que quer que seja depois de Junho é um erro”

“Estar na rua não tem risco algum e estar na rua, na verdade, reduz o risco“, entende ainda André Dias. “Não estou a dizer ‘vão todos para a rua’, o que digo é que as doenças pulmonares têm como maior inimigo a rua; a rua é a forma mais fácil e eficaz de travar a infecção”, constata.

“As infecções pulmonares não têm capacidade quase nenhuma de infectar no exterior”, defende o investigador. “O vírus replica-se no sistema pulmonar. Ele usa as células do sistema pulmonar. O que importa aqui é que o vírus não está na pele, ou não tem na pele uma forma significativa de contágio, como as secreções, que o tornam perigoso. Ele tem de sair do corpo, tem estar algum tempo no ambiente para infectar outras pessoas. Por isso é que lavar as mãos é muito eficaz. É praticamente a única medida eficaz que temos para a contenção”, alerta André Dias.

SV, ZAP //

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40 COMENTÁRIOS

  1. Este “investigador” já foi desmentido várias vezes (procurar no Google por “André Dias diz-nos outra coisa”, por exemplo), além de se tratar de um informático sem qualquer obra relevante em “doenças pulmonares”. O que fez foram uns modelos em computador de pulmões com doença, totalmente ignorados pela comunidade científica. De epidemiologia publicou zero, e de resto nada publica há mais de 5 anos. Ou seja, é um falhado a ver se alguém lhe pega. E pelos vistos sem escrúpulos.

    • Ele até pode não saber muito de doenças infecciosas. No entanto, na sua área parece competente. No caso nacional, só não vê quem não quer, a quase totalidade das infecções foram importadas, com a negligência dos poderes políticos que deviam a tempo e horas fechar as fronteiras todas e sendo rigorosos nas entradas dos aeroportos. Temos hospitais a rebentar pelas costuras, sendo um foco de doenças. Todos temos conhecimento de pessoas que foram ao hospital e acabaram por morrer de vírus que lá apanharam. Temos os transportes públicos super lotados. A medida socialista da extensão dos passes sociais foi boa para os trabalhadores, não para todos no país real, mas é um foco de infecções. Quanto aos eventos desportivos qualquer leigo vê que em espaços abertos os surtos de epidemia não se verificam. Há que ter cuidados redobrados nos balneários e locais menos arejados. Já pavilhões fechados , piscinas, assembleias (da República), escolas, serviços públicos, hospitais, cafés, restaurantes, etc., aí sim, os cuidados devem ser redobrados e melhor fiscalizados, sendo implementadas medidas obrigatórias de isolamento. Nos próximos tempos nada será como dantes. Resta aos governantes mostrar se estão preparados para assumir as suas funções, sob pena de acontecer como nos incêndios. A propósito, eles estão próximo. Quando não temos ideias devemos copiar os mais inteligentes, se dermos os passos da Alemanha chegaremos lá. O país precisa de trabalhar, senão morremos à fome.

      • O governo até tem que se responsabilizar pela estupidez das pessoas… em todos os países excepto na China os primeiros casos foram importados. E há até casos de portugueses que levaram o vírus de Portugal para outros países.

      • Quatro apontamentos a fazer ao seu comentário:
        1 – O seu comentário é em primeiro lugar estranho porque não tem nada a ver com o que eu disse.
        2 – “na sua área parece competente” – Olhe que não e eu expliquei porquê e dei referências. Se se der ao trabalho de procurar pela referência que dei, ou melhor ainda, a referência que o comentador José Silva deu um baixo, facilmente chega à conclusão que o “investigador” não domina estatística básica ou manipula os factos como lhe convém. Nenhum dessas situações é compatível com competência.
        3 – “Temos hospitais a rebentar pelas costuras”. Claramente está há muito tempo em casa e tem pouca noção da realidade. Devido ao medo da COVID-19, os hospitais até têm tido menos afluência, procure por “portugueses desaparecem das urgências dos hospitais”.
        4 – “Quanto aos eventos desportivos qualquer leigo vê que em espaços abertos os surtos de epidemia não se verificam” – Outra falta de noção da realidade. Procure por “Atalanta Valencia Covid-19” e rapidamente percebe que esse jogo de futebol foi grande causador de infeções, isto para não falar do que aconteceu nas manifestações em Espanha, que foram uns dos grandes impulsionadores da desgraça no país vizinho.
        Peço desculpa, mas tamanha é a falta de noção da realidade, que quase parece o “investigador” André Dias a escrever…

        • Excelente reposta!!
          Normalmente, quanto mais ignorante, mais arrogante e, o Acácio não foge à regra!!
          E que conseguiu a proeza de só escrever disparates, sem “dar uma para a caixa”!
          É para esses “carneiros” que os André’s Dias escrevem e mandam estes bitaites!…

      • Alto que temos aqui mais um expert de Facebook… e logo daqueles que gosta de “fazer filmes”!…
        Então as infecções foram importadas?
        Quem diria… afinal não apareceram em em vários locais do mundo por milagre…
        .
        Se não tens ideias, devias observar e aprender, em vez de escreveres tantos disparates!!

  2. Mas este fulano entende alguma coisa do que diz?
    A questão não é ser de pouco perigo para as crianças que isso já se percebeu, mas as crianças tal como outros são veículos de transmissão!

  3. Caro Paulo Guerra Santos,
    Obrigada pelo alerta. Entretanto já confirmei e sim… trata-se de um professor informático, sem credibilidade no tema. Este conteúdo não deveria ter sido notícia… Lamentável.

  4. Eu, pessoalmente, acho que isto tudo se resolve com vinho… nacional… de preferência. Mata-se o vírus, a sede e estimula-se a economia.

    • Tudo, não digo, mas o vinho sem duvida que ajuda a resolver muita coisa!!
      Ajuda a resolver e também a evitar muitos problemas!
      Este André Dias, se bebesse uns copos em vez de escrever disparates “à la Trump”, teria sido bom para todos – principalmente para ele!…

  5. Este palhaço é a prova viva de que este vírus é inteligente. Se assim não fosse, esta alimária já teria sido contaminada e, com alguma sorte, já teria ido para o primeiro aterro sanitário disponível! E, assim, já teria deixado de vomitar o ranho ignóbil que lhe habita a caixa craniana!

  6. Muito incomodam as Verdades que le diz. Não perdereis pela demora, pois daqui a um ano estamos a ver dados finais e insofismáveis, aí veremos que tem razão hoje!

    • O problema é que neste momento já é estatisticamente impossível o que ele diz ser “a Verdade”, dai ser uma irresponsabilidade a sua atitude. Na melhor das hipóteses a CODIV-19 tem uma taxa de mortalidade 4x superior à gripe comum, embora tudo indique que seja mais. Numa coisa concordo consigo e sublinho: daqui a um ano estaremos a ver dados finais e insofismáveis, e aí veremos que tem razão hoje. Uma coisa já sabemos com os dados que temos hoje: não é de todo este “investigador” que tem razão.

    • Oh iluminado… mas qual “verdade”?!
      Ele já tem dados que os comuns mortais só terão daqui a um ano?
      Boa!…
      Onde os terá encontrado?
      Terá sido nos búzios ou em alguma bola de cristal?!
      Afinal ele trabalha com ciência ou com vidência?…
      Se acertar tanto como a bruxa Maya, os astrólogos e os restantes charlatães, perdão, sábios, vai longe!…
      O pior é que os dados actuais já o dementem!!!
      Portanto, se não tens capacidade para interpretar os dados, ou sequer para raciocinar, evita fazer essa figura de crente estupidificado!

  7. Isto aqui é só especialistas!!!
    O problema destes comentadores é que tem a memoria curta, ou tentam manter o país num estado que lhes convém, ou seja tudo em cacos!! Para mim, nada os distingue dos Trumpazés&cia.. deste mundo.
    Quanto a comparações, basta ler noticias de 2017/18/19, ou os relatórios da DGS, ou do ONDR, e ver quantos “quinam” com gripe sazonal e demais doenças respiratórias.
    Alguns links:
    https://www.ondr.pt/files/12_%20relatorio_ondr_resumo_dos_dados.pdf
    https://www.publico.pt/2018/12/13/sociedade/noticia/doencas-respiratorias-matam-duas-pessoas-hora-portugal-1854431
    https://observador.pt/2019/10/11/mais-de-3-000-pessoas-terao-morrido-devido-a-gripe-em-portugal-na-epoca-passada/
    https://observador.pt/2018/11/26/sabe-qual-e-atualmente-a-doenca-infeciosa-com-maior-impacto-na-europa/
    etc, etc, etc,…. é só pesquisar!
    E com isto, se calhar em vez da prioridade de uma vacina contra o covid19, o melhor seria era apressarem-se a desenvolver a vacina contra estúpidos.

    • Caro ZeCão,
      Não basta debitar links sem nexo. É preciso saber ler e interpretar. É preciso saber fazer contas. Qualquer pessoa informada sabe que por ano morrem em Portugal (em média) 3.000 pessoas devido à gripe. Isto num universo de cerca de 3 milhões de infetados anualmente. A gripe tem uma taxa de mortalidade 0,1%. Na Europa a estatística é semelhante. As pessoas já tem alguma imunidade à gripe, e que a gripe propaga-se mais lentamente e com maior dificuldade do que a COVID-19. Uma pessoa é contagiosa com gripe durante uma semana.
      Olhemos agora para a COVID-19. Taxa de mortalidade de 0,4% (valor mínimo estatisticamente possível), possivelmente será mais, mas fiquemos pelo mínimo, que mesmo assim é 4x superior à gripe. Ninguém tem imunidade, é um virus novo. A propagação é ridiculamente fácil pois o vírus é capaz de viver horas e horas em diferentes superfícies. As pessoas ficam contagiosas pelo menos duas semanas, por vezes um mês! Sem quaisquer medidas de contenção, julga-se que 70% a 80% da população possa ficar infetada num espaço de 2 meses. Façamos as coisas por menos: 60% da população portuguesa infetada, 6 milhões de pessoas. Com 0,4% de mortalidade, são 24.000 mortos em três/quatro meses, só de COVID-19. Tendo em conta que isso iria rebentar totalmente com o sistema de saúde, teria de adicionar mais uns bons milhares de mortes devido a outras causas, uma vez que o sistema estaria colapsado e outras patologias não poderiam ser tratadas. Conclusão: no mínimo dos mínimos morreriam 24.000 portugueses (possivelmente muito mais, pois estamos a falar de números muito conservadores). Rebentaria com o SNS, rebentaria com os profissionais de saúde (muitos morreriam, sobretudo os mais velhos) e no fim de contas causaria um pânico muito maior, acabando por ter de fazer uma quarentena ainda mais penosa. É isto que “especialistas” como o Sr. e como o informático André Dias pretendem? Como vê, não é “só pesquisar”. É saber pesquisar, é ter um pouco de sentido crítico e saber fazer contas.

      • Ui… factos para quê?!
        Isso é que menos importa a quem “sabe tudo” – menos o que está a comentar, obviamente!…
        Mais um provérbio que assenta que nem uma luva ao ZeCão: “o ignorante ignora a sua própria ignorância”!!

      • Caro Paulo,
        Em primeiro lugar quero dizer-lhe que não sou “especialista” nem qualquer tipo de interesse me movem na defesa da opinião desse André Dias. Assim, e é minha opinião, o que realmente se está a espalhar não é o covid mas sim a ansiedade. E as pessoas que incentivam os níveis crescentes de ansiedade são canais de tv e os média em geral, com noticias alarmantes durante 24/7, mas é claro que isto lhes interessa, a audiência é muita e sem ela a atracção para o “clickbait” não existiria. O mesmo posso dizer de certos políticos que ao se aproveitarem disto, cultivam e nutrem a ignorância pública, com o objectivo de distorcer o processo democrático. Veja por exemplo o caso das mascaras, uma medida de puro bom-senso para muitos, mas que durante muito tempo foram irresponsavelmente desaconselhadas pelos nossos Exmos responsáveis sanitários (com acérrimos defensores da “teoria” aqui no ZAP) e que agora esquecem, ao que consta, vão ser obrigatórias em determinados contextos. E há muitas coisas que as narrativas oficiais tentarão esquecer como também as doenças “normais” que já entupiam o SNS, corroídas pela incapacidade dos serviços em lidar com o serviço normal.

        O Sr., e permita-me que lhe diga, vive também nesse estado, como aliás a generalidade da população, ou seja, num estado de medo ou paranoia artificial mas, meu caro, o medo não é (nem nunca deverá ser) o sentido da vida. A vida vive-se correndo riscos então, teremos que fazer o nosso melhor para sobreviver… Uma vez que quando a poeira assentar, voltará a ser tudo bem pior do que já era.

        Note bem: A capacidade do país de emprestar dinheiro é muitíssimo limitada e em breve, este estado de medo, nos conduzirá às condições da Venezuela, ou muito pior ainda. Fique bem!

        • Caro ZeCão,

          Relativamente à questão das máscaras, os nosso governantes limitaram-se a seguir as orientações da OMS, que vieram a revelar-se incorretas à medida que mais dados foram surgindo (em parte devido à informação errada fornecida pela China em janeiro e fevereiro). Aliado ao facto de no momento simplesmente não existirem máscaras para todos e para evitar uma corrida ainda maior às mesmas, e de forma a garantir que as mesmas chegassem a quem mais precisa (profissionais de saúde), parece-me que a decisão do governo não podia ser outra.

          Tenho lido muito sobre essa narrativa do medo, mas o problema de quem a defende, por assim dizer, é que simplesmente ignora a realidade e não apresenta soluções, exceto “vamos abrir tudo e logo se vê”, sem qualquer consideração pelos factos. Por exemplo, chamar de “paranóia artificial” às situações caóticas vividas em vários países europeus e não só, é de facto ignorar a realidade. Assim como o caro ZeCão ignorou todos os factos e números que apresentei, como se 24.000 mortes (que na realidade seriam muito mais) não interessassem para nada. Se acha que não interessam para nada, está no seu direito, mas pelo menos assuma claramente essa posição.
          O Sr. defende que “a vida vive-se correndo riscos”, tudo bem, mas acha que faz algum sentido correr riscos estúpidos quando já se sabe que o resultado será essencialmente o caos (vide Espanha, Itália), com milhares e milhares de mortos, e no fim de contas, a necessidade de se fazer quarentena em qualquer dos casos (vide Reino Unido)?

          Por último, a sua comparação com a Venezuela não faz qualquer sentido prático, e só pode ser justificada por algum ódio irracional relativamente ao partido no poder, que goste-se ou não, é um partido plenamente democrata. Seja com o PS, com o PSD ou com qualquer outro partido (democrata) no poder, a solução pós-pandemia passará sempre por grandes alterações à forma como os países da UE se relacionam uns com os outros. Ou seja, não depende só de nós. Em nenhum dos possíveis cenários (realistas) ficaremos num estado como a Venezuela. Só se algum partido de cariz não-democrata (PCP, BE, Chega, PNR…) ganhar as eleições, mas nesse caso teremos problemas ainda maiores que o COVID. Cumprimentos.

          • Caro Paulo, não comento a sua previsão de 24000 mortes, é sua e previsões valem o que valem… indiquei números plantados em relatórios oficiais, não previsões. Também não disse que apoiaria a isenção de medidas de contenção. Sim, sou critico na abordagem ao problema e nas medidas adoptadas (nada a ver se são PS ou outro partido qualquer mas sim com pessoas..), bem como com o tempo que isto já leva e que para alem dos efeitos desta anormal realidade quotidiana, em que a destruição das liberdades civis e da economia parece ser aceite como a nova normalidade.

            Quanto ás mascaras, na Europa temos o exemplo da Rep. Checa (10,5 milhões), população semelhante á nossa que desde a primeira hora as decretou obrigatórias (artesanais, improvisadas ou o que fosse na ausencia de melhor…) apresenta 1/3 dos casos com 23 mortes/milhão.
            No Japão (125 milhões), o governo abordou de outra forma, naturalmente condicionado pela constituição do país que estabelece rígidas protecções às liberdades civis, e não optou por um bloqueio total, apenas nas cidades mais atingidas, e a maioria das medidas de emergência consistem apenas em recomendações e instruções que a população naturalmente acolheu. A mortalidade está em 3 mortos por milhão.
            Portugal, o “milagre” tem 95 por milhão…
            Simplificando, posso sustentar que uma visão diferente do problema poderia minimizar em muito o que temos e o que aívirá.
            Portanto, não é óbvio que a redução da propagação viral seja alcançado por essas medidas. Existem muitas variáveis, muitas não compreendidas ou até identificadas e por isso os que questionam a sua eficácia e impacto em outros aspectos da vida não são irracionais.

            Fique bem

            • Caro ZeCão,

              – A minha previsão é o mínimo estatisticamente possível com os dados atuais. É uma previsão muito otimista, pois na realidade o mais certo era ser bastante pior. Esteja à vontade para refutar, com fontes adequadas, qualquer um dos números apresentados.
              – Que eu saiba o Japão é insular, facilmente se isola, tem experiência prévia em lidar com estas doenças (SARS e MERS) e os cidadãos têm um civismo impar. Além disso trata-se de um país que não partilha toda a sua fronteira terrestre com um dos países mais afetados do mundo, como é o caso do nosso. Portanto está a comparar realidades incomparáveis. Não fará mais sentido comparar Portugal com Espanha, que tem 5x mais mortes por milhão, e concluir que não estamos assim tão mal?
              – Afirma que estamos mal e temos muitas mortes por milhão, mas ao mesmo tempo também afirma que as medidas adoptadas são demasiado pesadas. Consegue entender que isso é um contrassenso? Relaxar medidas equivale a mais mortes – é matemático. Quantos artigos científicos quer que eu lhe cite que demonstram que o isolamento social limita a propagação de doenças? Negar este facto é como dizer que a Terra é plana, pois trata-se de algo que a ciência já esclareceu cabalmente (ao contrário do que os Andrés Dias deste país tentam fazer crer). Dito isto, é inevitável que as medidas tenham de ser relaxadas, pois nenhuma economia se aguenta assim muito tempo. Terá de haver um balanço entre nº de mortes vs economia. É inevitável, infelizmente.
              – “Existem muitas variáveis, muitas não compreendidas ou até identificadas” – Dou-lhe toda a razão nesta afirmação. Então certamente concorda que é importantíssimo atrasarmos ao máximo a propagação da doença enquanto tentamos compreender estas variáveis? Imagine que o vírus era muito pior do que se pensava e pouco ou nada se tinha feito para adiar a propagação da doença! Seria irresponsável, não concorda? Hoje compreendemos melhor este vírus do que há 45 dias atrás, e estamos mais bem preparados a nível de camas, ventiladores, máscaras e atitude social para abrir a sociedade. As medidas tomadas eram as que tinham de ser tomadas, e certamente nenhum governo democrata as toma porque quer ou porque tem desejos de limitar a liberdade dos seus cidadãos.

              O meu caro ZéCão está no direito de questionar o que quiser, mas não o faça por ser do contra, por clubismo ou por ter lido uns quantos títulos ou uns quantos textos de pessoas sedentas de protagonismo. Faça-o após uma pesquisa com sentido crítico, de forma racional. Faça as contas por si e tire as suas próprias conclusões.

              Cumprimentos.

            • ZeCao…. dizes que a necessidade de mascaras era OBVIO. Mas… calma.. o teu lider espiritual diz que as mascaras nao sao precisas e que nao fazem nada… voces alinhem-se sff

        • “…este estado de medo, nos conduzirá às condições da Venezuela, ou muito pior ainda”
          O resto são as pérolas que temos visto, mas este “bitaite final” bateu todos os limites da falta de bom senso e de irracionalidade!!
          Melhor foi teres escrito isto depois de falares em “ansiedade” e “medo”!…
          Lindo… tens futuro a espalhar teorias e disparates na CMTV!….
          .
          As máscaras foram muito bem desaconselhadas ao momento, com base nas evidências/dados conhecidos e em recomendações da OMS que, aliás, continuam a fazer todo o sentido.
          As máscaras são para situações específicas e devem ser devidamente usadas, senão, lá se vai a sua eficácia – além da falsa sensação de segurança ser também um factor de risco de contágio.
          Arrisco a dizer que mais de metade são MAL usadas e o seu uso poderia e devia ser substituído por uma coisa muito simples como distância de segurança!

        • Exactamente, tens toda a liberdade de expressão, mesmo que, como se vê, seja para escrever disparates!…
          E, como isto é um espaco público de opinião, todas as opiniões podem ser comentadas…
          Nada contra, mas convinha comentar a notícia e não mandar bitaites ao lado ou expor teorias mirabolantes baseadas em “achismos”!

  8. O pseudo-Investigador, pseudo-investigador… Rimmm tim tim Que vida é a tua?
    O pseudo-Investigador, pseudo-investigador… Rimmm tim tim Que vida é a tua?

  9. Não posso avaliar os conhecimentos técnicos de André Dias, nem sou especialista na área, mas de todas as projeções que fui vendo nos últimos meses, as do André foram as que mais se aproximaram da realidade e nisso ninguém o pode criticar. Seria pertinente datar a publicações, porque criticar analises e projecções estatísticas ao fim de 3/4 semanas é como criticar um treinado no fim de um jogo, dizendo que devia ter jogado noutro sistema tático. É só perdermos um bocadinho de tempo e pesquisarmos as projeções que os grandes especialistas (politiqueiros) portugueses traçavam para Portugal no mês de março. Relativamente ao confinamento, aquilo que vi, na zona onde moro, foram carrinhas com trabalhadores (6/7 pessoas) a circularem diariamente, a construção civil não parou, muitas empresas, algumas mais de 50 trabalhadores, não pararam de laborar, muitas pessoas continuaram a sair de casa sem mascar e grandes cuidados e mesmo assim os números não dispararam, como os profetas da desgraça apregoavam nas televisões nacionais. Depois do fim de semana de Páscoa as pessoas voltaram a sair de casa. Olho para a minha rua e vejo um movimento normal de pessoal e os valores não dispararam. Já agora perguntava aos catedráticos da estatística para justificarem o porquê do número de casos positivos não disparam após 12 de abril? E não esperam 2 ou 3 meses para responder, porque nessa altura até eu consigo

    • Mas que previsões certeiras do André Dias?

      – Aquela que ele fez em março dizendo que Itália já tinha atingido o pico e nem sequer iria chegar aos 10.000 mortos?
      – Ou quando ele afirmou que “nenhuma criança vai morrer disto”?
      – E porque razão o “investigador” André Dias responde de forma mal educada quando confrontado com os seus próprios enganos?
      – E porque razão o “investigador” André dias ignora todos os factos e estudos que vão contra a sua tese?

      Pegue nos dados oficiais e faça as contas por si. Esqueça o que eu digo ou o que o informático diz. Pense por si.

      • Totalmente de acordo, caro Paulo. Principalmente a ultima linha. Mas é um esforço tão inglório, que resulta apenas em frustração e vergonha alheia…

    • “Já agora perguntava aos catedráticos da estatística para justificarem o porquê do número de casos positivos não disparam após 12 de abril? E não esperam 2 ou 3 meses para responder, porque nessa altura até eu consigo”. Mas é aqui que perguntas? Estás à espera de uma resposta aqui nas caixas de comentários do ZAP? Achas que esses tais “catedráticos da estatística”, como tu dizes, andam por aqui à cata de perguntas? 😀 😀 😀

  10. Este Imbecil, quer comparar a “Gripe comum” que tem Anualmente uma vacina actualizada, a esta nova estirpe para a qual não existe tratamento eficaz nem vacina. A solução é de parar de publicar seja o que for, da autoria deste alucinado clone de Bolsonaro.

  11. A divulgação de propaganda contra a protecção da saúde pública é crime, principalmente em estado de pandemia, há muita gente agora a alinhar nessa moda e é preciso denunciar às autoridades.
    Eu já denunciei e bloqueei alguns nas redes sociais.

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