Embaixador libanês na Alemanha é o novo primeiro-ministro do Líbano

MustaphaAdib / Wikimedia

Mustapha Adib foi designado primeiro-ministro interino do Líbano

O até agora embaixador libanês na Alemanha foi nomeado, esta segunda-feira, primeiro-ministro do Líbano, após ter obtido o maior número de apoios nas consultas parlamentares conduzidas pelo Presidente do país.

Nas primeiras declarações que proferiu após a nomeação, Mustapha Adib – que foi a escolha do Movimento Futuro, o partido sunita do ex-primeiro-ministro Saad al-Hariri, para suceder na liderança do Governo ao demissionário Hassan Diab – comprometeu-se a formar “em tempo recorde” uma equipa ministerial composta por “especialistas” e pessoas “competentes”, que serão responsáveis pela aplicação das “reformas” há muito esperadas pelos libaneses.

“A tarefa que aceitei baseia-se no facto de todas as forças políticas (…) estarem conscientes da necessidade de formar um Governo em tempo recorde e de começar a aplicar reformas, a começar por um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI)”, afirmou o novo primeiro-ministro, de 48 anos, num discurso transmitido pela televisão.

Imediatamente após a nomeação, Adib, um nome relativamente desconhecido no cenário político libanês, deslocou-se à zona de Beirute que ficou destruída com as explosões de 4 de agosto, onde declarou que “quer ter a confiança” da população. “Agora é tempo de agir”, afirmou o novo primeiro-ministro.

Adib foi escolhido, no domingo, pelos pesos pesados da comunidade sunita, de onde deve provir o chefe do Governo, com a Presidência a ir, segundo a Constituição, para um cristão maronita e a Presidência do Parlamento para um muçulmano xiita.

No domingo, o Presidente libanês, Michel Aoun, que até à data se tinha mantido indiferente aos apelos reformistas, reconheceu num discurso por ocasião do centenário do Líbano a necessidade de mudar o sistema político.

Cada vez mais contestado desde a tragédia em Beirute, o chefe de Estado apelou mesmo à proclamação de um “Estado laico”.

Algumas horas antes, o líder do movimento xiita libanês Hezbollah, Hassan Nasrallah, também admitiu estar disponível para discutir um novo “pacto político” no país, onde as comunidades religiosas partilham o poder.

Diplomata já está a ser contestado

A escolha de Adib, diplomata e professor universitário, próximo do antigo primeiro-ministro e milionário Najib Mikati, de quem chegou a ser chefe de gabinete, foi rapidamente criticada pelo movimento de contestação popular.

Hassan Sinno, membro de um grupo da sociedade civil libanesa, avisou que o povo irá rejeitar qualquer candidato do sistema. “Não vamos dar tempo, como alguns de nós deram erroneamente a Hassan Diab, para ter sucesso. Já não temos o luxo do tempo“, afirmou o ativista, em declarações à agência France-Presse.

“Não há confiança para os que continuam a agarrar-se aos seus cargos e palácios, enquanto enterramos as nossas vítimas e curamos as nossas feridas”, segundo a opinião, expressa no Twitter, de Jad Chaaban, um professor universitário.

“A biografia de Moustapha Adib mostra bem que é um homem do sistema e que deve a sua nomeação aos partidos tradicionais”, comentou Nadim Houry, diretor da Iniciativa Árabe de Reforma, um centro de investigação.

 

Macron apela à instalação rápida de um Governo

O Presidente francês, Emmanuel Macron, chegou, esta segunda-feira à noite, ao Líbano, tendo apelado à instalação de um “Governo de missão” no “mais breve espaço de tempo possível”.

“Vi que se tinha iniciado nas últimas horas um processo que permitiu fazer emergir uma figura como primeiro-ministro. Não me pertence nem aprovar nem comentar (…), mas assegurar-me que vai mesmo ser constituído um Governo de missão, o mais depressa possível, para realizar reformas”, declarou Macron, à sua chegada ao aeroporto de Beirute.

“A minha posição é sempre a mesma, a de exigência sem ingerência”, acrescentou.

O objetivo da visita do Presidente francês, a segunda desde as explosões na capital, é o de tentar ajudar a tirar o país do marasmo, mas também celebrar o primeiro centenário do Grande Líbano, proclamado nas fronteiras atuais pelo general francês Henri Gouraud, a 1 de setembro de 1920.

“Vamos ter amanhã [esta terça-feira] a ocasião, não apenas para comemorar, mas de procurar obter todas as lições e projetar-nos para o futuro“, declarou Macron.

ZAP // Lusa

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