Museu britânico deixa de exibir coleção de cabeças humanas

Pitt Rivers Museum, University of Oxford

O Museu Pitt Rivers em Oxford, no Reino Unido, decidiu retirar da sua exposição permanente crânios e cabeças humanas encolhidas (tsantsas), que terão sido encontradas por exploradores europeus nas suas viagens às Américas e à Índia.

A mudança entrou em vigor na passada terça-feira, data em que o espaço abriu depois de ter sido obrigado a encerrar por causa da pandemia. Ao todo, foram retirados 120 restos mortais das exibição com parte do “processo de descolonização” do museu, conta a BBC.

Entre os restos mortais retirados estão as tsantsas, cabeças encolhidas humanas ou de animais, como macacos e preguiças, que foram especialmente preparadas para servirem como troféus ou para serem incluídas em rituais.

A BBC detalha que as tsantsas são feitas por tribos da Amazónia com os corpos dos seus inimigos derrotados e crânios de prisioneiros capturados pelo povo Naga, na Índia.

“As cabeças eram uma das maiores atrações do museu mas, em vez de fornecerem uma compreensão mais profunda sobre as outras culturas, estavam a reforçar estereótipos sobre estes povos serem ‘selvagens’, ‘primitivos’ ou ‘horríveis'”, disse a diretora do museu, Laura Van Broekhoven, citada pela emissora britânica.

E rematou, questionando: “A questão é: muita coisa aconteceu aqui mesmo na nossa terra. Ingleses foram enforcados e esquartejados e nunca mostramos isso. Mulheres foram queimadas vivas e não mostramos isso. Então porque é que estamos a exibir as chamadas atrocidades de outras culturas e muito pouco das nossas próprias atrocidades”.

Fundado em meados de 1884, muito dos primeiros objetos exibidos no Museu Pitt Rivers podem ser atualmente associados à expansão imperial britânica.

Tendo em conta este passado, a instituição disse em comunicado: “Esta história difícil levou o museu a envolver-se mais no reconhecimento das suas práticas do passado e na natureza da sua recolha, exibição e interpretação, bem como nos efeitos que têm”.

ZAP //

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1 COMENTÁRIO

  1. Ou, visto de outra maneira, passamos a esconder parte da realidade para que idiotas não pensem que é toda a realidade. Vi, em Paris, uma exposição de instrumentos de torturas medievais e modernas, em Lisboa, uma de instrumentos de tortura da Santa Inquisição, outra, em Óbidos, de instrumentos e peças de bruxaria. Pessoas de outros continentes, com culturas diferentes, também viram e não ficaram convencidas de que a Europa é aquilo. Porque razão esta gente resolveu passar um atestado de estupidez aos outros?

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