Os homens causam mais acidentes, mas as mulheres morrem mais – e a culpa é do design dos carros

Simon Yeo / Flickr

Os bonecos usados nos testes dos carros baseiam-se nos corpos masculinos

O problema prende-se com os bonecos usados nos testes de segurança exigidos para a comercialização dos carros, que se baseiam apenas no corpo masculino, e com outras características, como a firmeza dos bancos.

Apesar de não serem as principais causadoras de acidentes, as mulheres são as que mais sofrem com a sinistralidade rodoviária nos Estados Unidos – e a razão prende-se com os testes feitos pelas empresas que produzem os veículos.

Segundo os dados mais recentes, nos EUA, 10 mil mulheres morreram em acidentes de carro e mais de um milhão ficaram feridas em 2019. Os homens causam mais acidentes, mas as mulheres morrem mais neles.

Estas diferenças estatísticas devem-se ao procedimento de segurança a que os carros se sujeitam para poderem ser vendidos, explica o Fast Company. A Associação Nacional do Transporte Seguro nas Estradas exige testes para quatro tipo de acidentes – choque frontal, capota, choque lateral e choques laterais em postes.

As fábricas têm em conta estas exigências, mas a associação apenas exige testes no lugar do condutor com um boneco baseado no corpo masculino. Já no lugar do pendura, o boneco usado para representar as mulheres é apenas um homem mais pequeno e não distingue as formas dos corpos dos dois sexos, nem tem em conta as diferenças na densidade óssea e nas estruturas musculares. Até o próprio tamanho do boneco é mais pequeno do que deveria ser.

Por exemplo, os pescoços das mulheres têm em média menos massa muscular e força do que os dos homens, o que as deixa 22,1% mais vulneráveis a sofrer ferimentos na cabeça. Os critérios actuais servem para evitar que as cabeças dos homens batam no painel de instrumentos e conseguiram reduzir esses casos em 70%.

Um estudo na Suécia também concluiu que os bancos modernos são demasiado firmes para proteger as mulheres contra ferimentos causados pelos movimentos de chicotada, já que as atiram para a frente mais rápido do que os homens. Isto explica-se pelo facto de os bancos não terem em conta os corpos mais leves das mulheres.

Os airbags e cintos de segurança que supostamente nos protegem a todos podem também causar ferimentos graves nas mulheres, pois não têm em consideração as mamas das mulheres.

Um estudo de 2011 na Universidade de Virginia e citado pelo Washington Post concluiu que as condutoras com cinto tinham um risco de ferimentos graves 47% mais alto do que condutores com cinto em colisões parecidas e esse valor subia para 71% no caso de ferimentos ligeiros.

Segundo Caroline Criado Perez, autora do livro Mulheres Invisíveis, as mulheres têm uma probabilidade de morrer 17% superior à dos homens no mesmo acidente. “Há uma razão muito simples para isto: durante décadas, o único boneco usado para testes era baseado num homem do percentil 50 e continua a ser o principal boneco usado”, afirma.

Estas diferenças nos riscos também se devem ao facto de as mulheres puxarem os bancos mais para a frente quando estão a conduzir, já que costumam ser mais baixas e precisam de chegar aos pedais, e de se sentarem com a coluna mais alinhada para poderem ter uma boa visão. No entanto, a indústria não entende esta posição como sendo o standard. O ângulo das pernas e das ancas também aumenta o risco de ferimentos nas pernas.

Mas esta realidade pode mudar em breve. Grupos de activistas têm pressionado a associação americana a exigir que vá além do boneco baseado no corpo médio masculino desde que a agência lançou o sistema de avaliação em 1978 e que passe a incluir não só mulheres, como idosos, pessoas obesas e crianças maiores.

Há também uma provisão numa lei que está na Câmara dos Representantes que pede actualizações e maior representação nos bonecos usados nos testes.

AP, ZAP //

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