Morreu o histórico saxofonista Ornette Coleman

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Ornette Coleman num concerto em Antuérpia, em 2007

Ornette Coleman num concerto em Antuérpia, em 2007

O músico Ornette Coleman, figura histórica e inovadora do jazz, morreu esta quinta-feira em Manhattan, aos 85 anos, segundo informação do New York Times.

Um representante da família, citado pelo jornal nova-iorquino, declarou que o músico morreu após sofrer um ataque cardíaco.

Ornette Coleman estreou-se em disco em 1958, com “Something else”. O seu terceiro álbum, um ano mais tarde, confirmaria o percurso: “The shape of jazz to come”, “a forma do jazz por vir”.

A história de Coleman cruza-se com a história da resistência ao Estado Novo em Portugal: a sua atuação no Cascais Jazz de 1971 – primeiro festival de jazz em Portugal – terminou sob ameaça de intervenção policial, depois de o seu contrabaixista, Charlie Haden, que morreu há um ano em Los Angeles, dedicar uma música aos movimentos de libertação de Angola e Moçambique.

O público recebeu a declaração política efusivamente, com aplausos e punhos erguidos, mas o contrabaixista foi de imediato detido pela PIDE, que o escoltou ao aeroporto de Lisboa, obrigando-o a sair do país.

A grande maioria da imprensa portuguesa da época, sob o olhar da censura, ignorou o sucedido.

Libertador

Nascido em Fort Worth, Texas, em 1930, o artista, considerado “um dos mais poderosos e controversos músicos de jazz”, celebrizou-se por discos como “The Shape of Jazz to Come”, de 1959, distinguido este ano com a entrada na “Grammy wall of fame”, e “Change of the Century”, o álbum seguinte, dois títulos que desafiaram os preceitos e as estruturas definidas daquele género musical.

“Free Jazz”, álbum editado em 1960, deu origem e nome a uma nova expressão dentro da música Jazz.

Com a sua música e personalidade cultivou uma figura de “músico-filósofo”, mais “eloquente e teórico” do “que John Coltrane”, afirma o obituário do New York Times,

Ornette Coleman atuou em Portugal em novembro de 2008, em dois concertos na Aula Magna, em Lisboa, e no Coliseu do Porto, um ano depois de se ter apresentado no encerramento do Jazz de Agosto em 2007.

Nesse ano, Coleman lançou o álbum “Sound Grammar”, vencedor do Pulitzer da Música de 2007, que marcou o regresso do músico ao mercado discográfico, depois de um afastamento de dez anos.

O álbum, gravado ao vivo em Berlim, marcou igualmente o lançamento da editora própria do saxofonista, também designada “Sound Grammar”, como demonstração de uma “gramática do som” que “está para a música como as letras para a linguagem – a música é uma linguagem de sons que transforma todas os idiomas humanos”, explicava então o músico no seu sítio na internet.

Ao todo, Ornette Coleman atuou por cinco vezes em Portugal. Além das presenças no Cascais Jazz, em 1971, no Jazz em Agosto, em 2007, e em Lisboa e no Porto, em 2008, esteve também nos Coliseus de Lisboa e do Porto, em 1996, e ainda no Jazz em Agosto de 1988, para dois concertos com a Prime Time Band.

/Lusa

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