Mobílias doadas às vítimas dos incêndios devolvidas a França. Câmaras não as quiseram

António Cotrim / Lusa

Rescaldo do incêndio em Valongo, Pedrogao Grande

Mais de 250 mil euros em mobílias novas doadas por empresas para as vítimas dos incêndios em Portugal estão a ganhar pó em armazéns e deverão ser devolvidas a França, de onde vieram, porque as Câmaras de Pedrógão Grande e de Castanheira de Pêra recusaram-nas.

Estes dados foram apurados numa investigação da jornalista Ana Leal divulgada no Jornal das 8 da TVI. Segundo esta reportagem, “31 toneladas de material novo, entre cómodas, camas, cadeiras, mobílias completas”, angariados por uma Organização Não Governamental (ONG) francesa, estão ainda embaladas em armazéns, depois de terem sido doadas por empresas para as vítimas dos incêndios em Portugal.

Estes donativos avaliados em mais de 250 mil euros chegaram a Portugal há cerca de um ano e meio e deverão ser devolvidos a França, porque as Câmaras Municipais de Pedrógão Grande e de Castanheira de Pêra recusaram-nos.

A TVI destaca que a ONG francesa queria firmar um protocolo com as autarquias para controlar o destino que teriam os donativos. Assim, pretendia obrigar as Câmaras a cederem uma listagem das famílias a quem se destinariam, com as moradas das habitações reconstruídas, obtendo ainda a sua colaboração activa para aferir as reais necessidades da população afectada.

Contudo, as autarquias de Pedrógão Grande e de Castanheira de Pêra, lideradas por Valdemar Alves e Alda Carvalho, rejeitaram assinar esse protocolo, avança a TVI.

Desta forma, a mobília está nos armazéns há ano e meio e deverá voltar para França, enquanto continua a haver casas de habitação completamente vazias, a precisarem de mobílias.

Entretanto, a TVI destaca que um cheque no valor de 100 mil euros, angariado por um grupo de empresários luso-canadianos e que foi entregue a Valdemar Alves numa cerimónia oficial na Câmara de Pedrógão, nunca chegou às vítimas. Os empresários queriam saber onde seria usado o dinheiro, mas não obtiveram garantias da autarquia de como seria aplicado e, deste modo, não cederam a verba.

A TVI avança também que já há 31 arguidos na investigação que está a ser feita às casas reconstruídas. Estão em causa as chamadas “Casas do Compadrio”, com 46 imóveis sob suspeita.

No âmbito da investigação aos donativos de Pedrógão, cuja distribuição está sob suspeita, a revista Visão avança que o presidente da Assembleia Municipal, Tomás Correia, que é também presidente da Associação Mutualista Montepio, bloqueou a criação da comissão independente que deveria averiguar o caso.

A acusação é feita pelo deputado municipal de Pedrógão Grande Luís Paulo Fernandes que garante que Tomás Correia tem “ignorado” o seu pedido para a criação desta comissão desde 10 de Setembro de 2018.

“Não conheço esse pedido”, destaca Tomás Correia à Visão que divulga actas e e-mails que apontam o pedido de criação dessa comissão desde há mais de meio ano.

ZAP //

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10 COMENTÁRIOS

  1. O perigo da descentralização (desejável apesar de tudo), é dar demasiada autoridade a estes “nharros” locais emprenhados pelas obsessões partidárias e interesses pessoais. O resultado é o que se vai vendo.

  2. Só o Dinheiro doado é que não foi devolvido, agora temos outra os Moçambicanos será que também vão ter a mesma sorte???

    • São doados alimentos numa grande variedade, no entanto, na TV só se vê chegar farinha e mandioca…
      Estranho, não é???…

  3. É compreensível, se os autarcas aceitassem o compromisso do protocolo já não podiam roubar a seu belo prazer. Não creio que fossem justificar aos doadores o tipo “pataca a ti, a mim pataca”, se houvesse algum “pataca a ti”…
    Cambada de usurpadores sem escrúpulo, e também de uma justiça que nada faz quando o roubo é tão descarado. Se um pobre roubasse um pão porque tem fome e não tem como a satisfazer, já estava preso, e não era mais castigado porque não há pena de morte…
    E há muitos mais bens, segundo as notícias, que foram doados e estão retidos (cativos) por esses crápulas.
    Para quando um sistema judicial sério?
    Para quando Políticos sérios?
    Admiram-se quando o povo generaliza, eu não vejo nenhuma notícia de qualquer atitude dessas gentes que mostre seriedade…

  4. Caro ZAP:
    Já não é a primeira vez que o meu comentário não é publicado.
    Se o sistema automaticamente exclui comentários que tenham algumas palavras “chave” que possam ser consideradas ofensivas, por favor indiquem-nos quais são essas palavras para que não percamos tempo a comentar para depois esses comentários serem automaticamente excluídos.
    Não me considero uma pessoa ofensiva nem mal educada (asneirenta), mas, sem saber as regras, vai ser difícil cumpri-las.

  5. Caro José Raul,
    Não tenha receio em dizer os nomes corretos para as devidas situações. Se tem de chamar de ladrões e filhos duma p….ta a quem achar que deve dizer, diga e afirma. Eu também não tenho receio de os dizer. O povo português tem de deixar de ser covarde e ter a coragem de dizer o tem de ser dito. Estou farto deste politicamente correto e educado. Que futuro deixamos aos nossos descendentes.

  6. concordo plenamente “ÁJULIO” só queria dizer que tenho 51 anos e estou farto de vêr esses dinossauros sempre no poder alguns á vontade 40 anos, malta nova precisa-se têm outra mentalidade outra ambição outra visão, estes velhos ganaciosos que já não fod..m a unica coisa que lhes resta e dá gozo é dinheiro e poder, porque sem lá estarem no poleiro seja ele qual for, são uns zé ninguém, estes donativos que então são devolvidos são a prova de pessoas que não têm capacidade de gerir , nem donativos mas sim dinheiro (p/o bolso deles), tudo dito.

  7. Boa tarde a todos.
    Por isso eu fiz uma recolha junto dos meus colegas de trabalho e amigos e fui à aldeia de onde o meu Pai é natural. Fiz sacos iguais p/cada casa e entreguei em mão a cada pessoa/família. Pouco ou muito, foi o que consegui e foi de coração. Ainda tive uns zunzuns, que a doação tinha que ter passado por aqui e por ali… Paciência, não passei, nem passo, nem passarei nunca!
    Vergonha das vergonhas, aproveitarem-se da miséria humana, das pessoas que precisam… é um dó de alma.

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