Misericórdias pedem a hospitais que deixem de devolver doentes a lares por falta de condições

Pedro Sarmento Costa / Lusa

O presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP) pediu esta terça-feira que os hospitais deixem de devolver idosos infetados aos lares por estes não terem condições nem recursos para os acolherem.

Para Manuel Lemos, devolver um idoso com Covid-19 ao lar significa “pôr a raposa dentro do galinheiro”, porque os lares “não têm condições nem estrutura” para tal e o “vírus propaga-se”, noticiou a agência Lusa.

Referindo que a entrega aos familiares também não é solução, Manuel Lemos propôs a criação de instalações específicas para acolher idosos que tenham testes positivos para Covid-19, seja seleccionando um lar por concelho ou distrito para o efeito ou montando um hospital de campanha.

O importante, referiu, é que nesses locais estejam disponíveis todos os recursos humanos e equipamentos necessários para o tratamento dessas pessoas e haja uma via aberta para os hospitais. “Deixar ficar pessoas positivas nos lares de idosos sem se reforçarem os recursos de saúde não é digno e é preciso dizê-lo”, afirmou Manuel Lemos.

O presidente da UMP disse que defende, há muitos anos, a necessidade de mudar a situação dos lares, mas o Estado “não tem tido condições de fazer alterações significativas, à semelhança do que se fez em França, por exemplo, na forma de acolher os idosos”.

“Deixar as pessoas num lar sem profissionais de saúde é uma situação anómala que tem de ser resolvida muito rapidamente”, afirmou.

Faltam condições para prestar assistência médica e até estruturas adequadas para respeitar o distanciamento social, sublinhou, referindo que a lei determina que nos lares devem existir apenas 25% de quartos individuais, sendo os restantes duplos ou triplos.

Por lei, disse, os lares não têm capacidade para funcionar como unidades de saúde, uma vez que está determinado que têm um enfermeiro para 40 utentes, o que considerou insuficiente para tratar pessoas doentes.

Manuel Lemos defendeu também que, neste momento, deviam estar a ser feitos “testes em massa” para “dar tranquilidade às pessoas e aos profissionais” e que deviam estar a ser distribuídos “EPI em massa”, referindo-se aos equipamentos de protecção individual. Sobre a entrega de EPI, disse que as instituições andam há um mês a ouvir o Governo dizer que “é para amanhã”, mas que “não há meio de avançar”.

Sem precisar, referiu que “há muitíssimos” lares em que não foi feito qualquer teste e que naqueles em que se realizaram isso aconteceu sobretudo devido à ação das autarquias.

As orientações da Direção-Geral da Saúde (DGS), emitidas na terça-feira, que limitam a admissão de novos utentes nos lares à submissão prévia a um teste de despiste, merecem o acordo de Manuel Lemos, que deixa, no entanto, o alerta de sempre: “É preciso é que os testes cheguem às instituições”.

Sobre a nomeação de cinco secretários de Estado para coordenar a resposta à pandemia, Manuel Lemos indicou esperar que sirva para “racionalizar um bocadinho esta intervenção”, com efeitos na distribuição de EPI.

O presidente da UMP manifestou ainda a disponibilidade do setor social para trabalhar com o Estado e lembrou que os hospitais das misericórdias podem ajudar a aliviar o Serviço Nacional de Saúde, acolhendo doentes de outras patologias.

Lusa //

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1 COMENTÁRIO

  1. Então os milhões de euros do jogo exclusividade da santa casa servem para quê? Podem e devem contratar profissionais de saúde para os lares da sua responsabilidade e não sobrecarregar os hospitais que são necessários para cuidados intensivos.

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