Militares suspeitos de corrupção recebiam dinheiro em baldes, camarão e champanhe

As empresas suspeitas no âmbito do esquema de corrupção nas messes da Força Aérea vão continuar a fornecer as Forças Armadas nacionais. Um dado que surge quando se conhece que os militares implicados receberiam dinheiro em “baldes”, além de camarão e champanhe.

A chamada Operação Zeus envolve 86 suspeitos, 40 deles militares, entre os quais o major-general na reserva, Raul Carvalho, e quatro altas patentes, coronéis e tenentes-coronéis da divisão de abastecimento e transportes da Força Aérea.

Só estes elementos terão lucrado cerca de 354 mil euros com o esquema de corrupção, avança o jornal Público.

O Correio da Manhã acrescenta que o general Milhais de Carvalho “recebia cerca de 1.500 euros por mês dos graduados das messes“, em dinheiro vivo, no âmbito do mesmo esquema.

Empresas do ramo alimentar, fornecedoras das messes, cobravam à Força Aérea valores superiores aos produtos entregues. Os lucros da sobre-facturação eram divididos entre as empresas e os militares implicados.

Estes pagamentos seriam feitos em dinheiro vivo, entregues em “envelopes e sacos” e até em “baldes”. Conta o Público que “na garagem de um sargento da base aérea de Monte Real” foram apreendidos “vários baldes de dimensões diversas contendo moedas no montante de 23.330 euros“.

Também haveria pagamentos em géneros, nomeadamente com garrafas de Moët et Chandon para os comandantes e de espumante para os sargentos.

A sobre-facturação seria também usada pelos militares para conseguirem, junto das empresas fornecedoras, “alimentos que não faziam parte dos concursos públicos, como bebidas alcoólicas, camarão e carne de valor superior, entre outros produtos”, refere o Ministério Público (MP), citado pelo mesmo jornal.

Este tipo de produtos seriam utilizados em “eventos especiais determinados pelos comandantes” e que se realizavam nas bases aéreas. E havia militares e civis que pagavam para entrar nestes eventos, sendo que o lucro obtido “não revertia na totalidade para o Estado”. O dinheiro seria “dividido em numerário entre os militares e civis que trabalhavam em tais eventos, e pelos respectivos superiores hierárquicos”, aponta o MP.

Está em causa uma “prática enraizada” na Força Aérea portuguesa que terá vigorado entre 2006 e 2017, em todo o país, com um prejuízo para o Estado “significativamente superior” a 2,5 milhões de euros, constata o MP.

“Presunção de inocência” segura contratos das empresas

Mas as suspeitas não garantem o afastamento das empresas envolvidas que vão continuar a fornecer a Força Aérea. Segundo o Público, Algumas delas também têm contratos com a Marinha, a GNR e a PSP, salientando que estes fornecedores vão manter a prestação de serviços a estas entidades públicas.

De acordo com juristas ouvidos pelo diário, só uma condenação ou a eventual atribuição de um contrato por ajuste directo podem determinar o fim do contrato com as empresas visadas, vigorando “a presunção de inocência”.

“Nem o Código de Contratação Pública nem nenhum outro instrumento legal preveem que o Estado possa lançar mão de qualquer medida cautelar para as impedir de concorrer” a outros concursos públicos, aponta o jornal.

O MP considera que as mesmas empresas também teriam esquemas de corrupção noutros organismos públicos além da Força Aérea. “No entanto, nada de concreto foi trazido aos autos, não havendo elementos concretos que, por ora, corroborem tais imputações”, constata-se no processo.

ZAP //

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19 COMENTÁRIOS

  1. Presunção de inocência? Então tem provas e as empresas fornecedoras tem presunção de inocência? Isto é uma incongruência!!É inadmissível. Devem ser excluídos JÁ os fornecedores bem como quem era corrompido.
    Vai mudar o quê as moscas? Porque a M—- será a mesma certamente. Quem paga estas ladroagens = Zé LORPA = Povo.

  2. Também haveria pagamentos em géneros, nomeadamente com garrafas de Moët et Chandon para os comandantes, e de espumante para os sargentos…? Ou ha moralidade ou comem todos. E para os praças não havia pelo menos gasosa…???

  3. Pois, tenho estranhado que as noticias sobre o assunto refiram os militares (compradores) implicados na fraude mas sejam omissas quando às empresas ( vendedores) também implicadas, quer estas sejam corruptores “activos” ou “passivos”.
    Calculo que seja conveniente limitar o caso às “messes da Força Aérea” e evitar que se alargue a outras “messes”, que devem ser um “mundo” …

  4. Já no meu tempo em 1987 na base aerea do Lumiar era um entrar e sair de carros aos fins de semana para as traseiras da messe onde estavam as arcas frigorificas e era só ver desde os sargentos aos oficiais a encherem as malas dos carros para levarem para casa caixas e caixas de comida. Desde carne, peixe, legumes, fruta tudo e mais alguma coisa. Há décadas e décadas que as Messes servem para isto. Acordaram agora? Ninguem sabia?
    E pensam que é só no exercito que isto acontece?
    Vão ver os Hospitais.. escolas.. cantinas publicas etc.
    Uma alegria!

  5. Somos realmente um bocado provincianos… fala-se de “malas de dinheiro”, agora “baldes de dinheiro”, mas, o que é isso comparado com “paletes de dinheiro” ou “dinheiro ao kilo”??? Só em países de “primeiro mundo” LOL

  6. Continua a vilanagem por todo o país.
    Se não estivéssemos na União Europeia, estávamos como o Brasil.
    Nós é que lhes devemos ter passado os genes.
    Vamos esperar para ver os senhores generais ainda receberem a Torre e Espada como recompensa
    pelos altos serviços prestados á Pátria.
    Devemos estar todos orgulhosos por termos cavalheiros desta craveira nas nossas Forças Armadas.
    Concordam ou não?

  7. No quartel em que o meu filho está a comida é fornecida por uma empresa, ele prefere comer fora do quartel que lá dentro, segundo ele me conta a comida é uma porcaria, onde fez a recruta a comida era bem melhor. São mais uns quantos a encherem os bolsos á nossa conta
    Esta gente tem falta de vergonha e escrúpulos

    Tenho vergonha no que este país se tornou

    • Eu também costumo comentar como Desiludido. Afinal já somos 2. Vou passar a comentar como Desiludido2. Mas eu já há muito que percebi o 25 de Abril. A classe dos militares foi a mais beneficiada. Não houve analfabeto que não tivesse chegado a coronel ou tenente coronel. Até os civis que trabalhavam nas cozinhas e não sabiam ler, foram aposentados como sargentos. Outra classe altamente privilegiada foi a dos políticos. São esses que estão sempre a atacar o antigo regime e a dar vivas às “liberdades” que existem agora. Pudera…!!!

  8. Isto não são umas F Armadas; são um bando de ladrões. Mas as promoções continuam e em grande escala. Parabéns ao Sr. Ministro que mais não é do que um mandarete nas mãos dos militares.

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