Milão desliga as fontes enquanto Itália apela ao racionamento da água para combater a seca

Fred Romero / Flickr

Fonte desligada na Stazione di Milano Centrale, em Milão.

Cerca de metade das fontes decorativas de Milão foram desligadas devido ao estado de emergência na região da Lombardia.

As autoridades de Milão desligaram as fontes públicas como apelo ao racionamento de água durante o dia, com Itália a enfrentar uma das piores secas em décadas.

A medida, que surge após a região de Lombardia ter declarado estado de emergência, visa cerca de metade das 100 fontes decorativas da cidade.

Já foram desligadas várias durante o fim-de-semana, e o resto será desligado nos próximos dias, de acordo com o The Guardian.

As fontes com peixes e plantas estão isentas da regra, tal como as fontes com água potável para consumo. Os trabalhadores do centro comercial e no setor da moda também foram incentivados a reduzir ao máximo o uso de água.

Além disso, foi pedido aos habitantes e proprietários de empresas que tivessem cuidado com o uso de ar condicionado, para pouparem energia.

Partes da cidade foram atingidas por cortes de energia na semana passada, que se acredita terem sido causados por um aumento na utilização de aparelhos de ar condicionado, com altas temperaturas.

“Temos de tomar medidas e acreditamos que é correto fazer a nossa parte”, afirmou Beppe Sala, presidente da câmara de Milão.

Itália está a sofrer uma intensa e prolongada onda de calor, com a previsão de temperaturas acima dos 40ºC, até ao final da semana.

A seca atingiu particularmente as regiões do norte, com o rio Po — a via de navegação mais longa de Itália — a causar estragos desde a agricultura e a energia hidroelétrica ao abastecimento de água potável.

Fabrizio Curcio, chefe do departamento de proteção civil de Itália, afirmou esta segunda-feira que o rio Po se encontrava 80% mais baixo do que o habitual, como resultado da precipitação estar 40% a 50% inferior à média dos últimos anos, e da queda de neve ser 70% menor.

A seca alastrou-se também para o rio Arno na Toscana e ao Tibre e Aniene, ambos no Lazio, e está a destruir vários lagos, incluindo os do sul.

Curcio esperava que fosse anunciado um estado de emergência noutras regiões, uma vez que o governo estabeleceu medidas contra a seca que poderiam incluir o racionamento de água durante o dia em algumas áreas.

Já existem restrições noturnas à utilização de água em várias cidades do norte, enquanto muitas também já dependem do fornecimento de água por um camião.

Attilio Fontana, presidente da Lombardia, admite que esta é a seca mais grave alguma vez enfrentada pela região.

As consequências da seca na agricultura vão provocar a perda de mais de 3 mil milhões de euros, segundo Coldiretti, a associação de agricultores.

  Alice Carqueja, ZAP //

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