“Migrantes climáticos” podem ser mais de 200 milhões no século XXI

As alterações climáticas podem forçar a deslocação de 120 milhões de pessoas em idade ativa e suas famílias, num total de 200 milhões, ao longo do século XXI, mas menos de 20% serão migrações internacionais.

A conclusão é de um estudo dos investigadores Frederic Docquier, Michael Burzynskia, Christoph Deusterce e Jim de Melo, que foi esta quinta-feira apresentado num seminário promovido pelo Centro NOVAFRICA, da Nova SBE (Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa), em Carcavelos.

O estudo analisa os efeitos de longo prazo das alterações climáticas sobre as migrações laborais, sendo incluídos nos diferentes países (145 países em desenvolvimento mais 34 do grupo da OCDE) fatores como o efeito do aumento das temperaturas e da subida do nível do mar, o crescimento demográfico e populacional, decisões educativas, desigualdade salarial, pobreza extrema e decisões de mobilidade.

Os modelos matemáticos criados pelos investigadores revelam que as alterações climáticas têm efeitos limitado nas taxas de emigração e imigração internacionais, mesmo nos cenários mais extremos, demonstrando que a migração internacional é uma estratégia de adaptação dispendiosa, e por isso mesmo, de último recurso.

Num cenário climático moderado (considerando um aumento de dois graus centígrados e subida de um metro no nível do mar), os cientistas preveem deslocações forçadas e voluntárias de cerca de 200 milhões de pessoas, dos quais só 19% irão optar por uma migração de longo distância, para um dos países desenvolvidos da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico).

“Estas condições são favoráveis ao aumento da mobilidade internacional dos trabalhadores”, escrevem os autores, acrescentando que com as atuais leis e políticas migratórias, os migrantes climáticos tenderão a deslocar-se mais no interior dos seus próprios países do que atravessando fronteiras.

As alterações climáticas deverão também aumentar a diferença de rendimentos entre os países mais pobres e os mais ricos em 25%, influenciar a pobreza extrema e forçar milhões de adultos a fugir das áreas onde vivem inundadas.

Outros fatores como perdas diretas de serviços públicos ou conflitos sobre recursos vão também determinar o maior ou menor fluxo de migrações internas ou internacionais, embora estes mecanismos sejam mais difíceis de quantificar, salientam.

Os migrantes são sobretudo originários de países que menos contribuíram para as alterações climáticas, mas mais vão sofrer os seus efeitos, incluindo países africanos como Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Moçambique.

O estudo realça que as alterações climáticas exigem “mais coerência entre políticas de migração, desenvolvimento e ambientais” e acrescenta que “são necessárias medidas preventivas para encorajar a adaptação às alterações climáticas, redução do risco de desastres a nível local, desenvolvimento sustentável em geral e desenvolvimento urbano sustentável em particular”, sobretudo nos países mais pobres, onde as pessoas têm também menos mobilidade devido às dificuldades financeiras.

// Lusa

PARTILHAR

RESPONDER

Pessoas que espalham ódio na Internet tendem a ser psicopatas

Os utilizadores da Internet que publicam comentários de ódio sobre outras pessoas tendem a ter traços psicopáticos. Por outro lado, os cientistas não encontraram uma correlação entre essa prática e narcisismo ou maquiavelismo. Estes utilizadores são …

Polícia britânica tingiu de negro uma lagoa azul para afastar visitantes

A Polícia britânica decidiu tingir de negro uma lagoa azul muito procurada na região de Derbyshire, visando assim afastar os visitantes e fazer com que estes cumpram o isolamento social exigido pelas autoridades para travar …

A maior cascata do Equador desapareceu repentinamente

A maior cascata do Equador, com cerca de 150 metros, desapareceu repentinamente por causa de uma dolina. Investigadores ainda não sabem se esta apareceu por causas naturais ou humanas. Em fevereiro, a cascata de San Rafael, …

Aprovada descida de 3% na eletricidade no mercado regulado

A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) aprovou uma descida do preço da tarifa aplicada no mercado regulado de cinco euros por megawatt/hora (MWh). Contas feitas, trata-se de uma redução de aproximadamente 3% no total …

Turquemenistão proibiu o uso da palavra "coronavírus"

Enquanto o mundo luta para conter a propagação da pandemia de covid-19, no Turquemenistão os cidadãos podem ser presos só por dizerem a palavra "coronavírus". De acordo com a rádio NPR, que cita a organização não …

EDP oferece desconto de 20% a profissionais e organizações de saúde

Face à pandemia de covid-19, a EDP vai oferecer um desconto de 20% na fatura da eletricidade a profissionais e organizações de saúde, anunciou esta quarta-feira a empresa liderada por António Mexia em comunicado. “A …

Bill Gates deixa três recomendações para os Estados Unidos combaterem a pandemia

Num artigo publicado no jornal norte-americano Washington Post, o fundador da Microsoft, Bill Gates, deixa três recomendações para os Estados Unidos combaterem a pandemia de covid-19, que já fez 43 mil mortes em todo o …

Comissão de Trabalhadores da TAP pede nacionalização da companhia

A Comissão de Trabalhadores (CT) da TAP reforçou esta quarta-feira o apelo para que a transportadora “se torne 100% pública”, depois de a empresa ter anunciado o lay-off da maioria dos trabalhadores, segundo um comunicado. No …

"Posso ir?" Há uma app que lhe diz como estão as filas nos supermercados

A comunidade tecnológica tech4COVID19 criou uma aplicação móvel que permite aos seus utilizadores consultar as filas e as afluências aos supermercados. A app, sob o nome "Posso ir?", pretende orientar os utilizadores nas idas aos …

Conte pede à Alemanha mais solidariedade europeia. “Se somos uma União, está na hora de o provarmos”

O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, fez esta quarta-feira um apelo solene à Alemanha para que haja mais solidariedade europeia no combate à pandemia da covid-19, que está a afetar severamente o seu país. “Se somos uma …