Descobertos micróbios que respiram arsénio na costa do México

O arsénio é um elemento mortal para a maioria dos seres vivos, mas uma nova investigação levada a cabo pela Universidade de Washington, nos Estados Unidos, descobriu micro-organismos que respiram esta substância para sobreviver numa grande área do Oceano Pacífico. 

De acordo com a nova publicação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences os cientistas analisaram amostras de água de uma região localizada abaixo da superfície, onde não há oxigénio e, por isso, os seres vivos são obrigados a procurar outras estratégias para extrair energia dos alimentos. As amostras foram recolhidas em 2012, na costa do México.

Os resultados sugerem que micróbios que respiram arsénio representam menos de 1% da população de micróbios existente nas águas analisadas. Os biólogos acreditam que a estratégia é um remanescente dos primórdios da Terra, quando o oxigénio era escasso e as formas de vida precisavam de obter energia através de outros elementos, como o arsénio, que, muito provavelmente, era um dos mais comuns nos oceanos da época.

Segundo escreveram os cientistas, as populações que respiram arsénio podem voltar a crescer devido às mudanças climáticas, se as regiões com baixos níveis de oxigénio se expandirem e a quantidade de oxigénio dissolvido diminuir no ambiente marinho.

“Pensar em arsénio não apenas como uma coisa má, mas também como algo benéico, mudou a forma como eu vejo o elemento”, afirmou a autora principal da investigação, Jaclyn Saunders, citada em comunicado.

“Sabemos há muito tempo que há níveis muito baixos de arsénio no oceano”, completou a co-autora do estudo a Gabrielle Rocap. “Mas a ideia de que os organismos poderiam estar usá-lo para ganhar a vida – é todo um novo metabolismo para o oceano aberto”.

Em declarações ao portal Gizmodo,  Saunders concordou que a sua descoberta é relevante para a procura de vida extraterrestre. “Existem mundos oceânicos – corpos planetários que possuem oceanos de água líquida – no nosso próprio Sistema Solar (…) Enceladus é uma lua de Saturno que tem um núcleo rochoso, um oceano de água líquida e uma espessa camada de gelo na superfície. É um dos locais mais promissores para encontrar vida”.

A identificação deste organismos “amigos” do arsénio no oceano, que é pobre em oxigénio, expande os limites em que os cientistas tradicionalmente procuram estes seres vivos.

Encontrar estes ser vivos numa lua de Saturno ou noutro qualquer lugar seria realmente importante para a Ciência e para a procura de longa data sobre vida extraterrestre mas, tal como mostra investigação, algumas das formas de vida mais estranhas podem mesmo estar aqui ao lado, na Terra.

Recentemente, um outro estudo detetou que uma bactéria única que come petróleo prolifera na Fossa das Marianas, no Pacífico Ocidental. Os resultados da investigação foram publicados no fim de abril na revista científica especializada Microbiome.

ZAP //

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