Merkel dá 30 dias a Boris Johnson para encontrar solução para o “backstop”

Clemens Bilan / EPA

A chanceler alemã Angela Merkel já tinha dito estar disposta a avaliar alternativas “práticas” ao “backstop”, e esta quarta-feira, em conferência de imprensa com Boris Johnson, em Berlim, deu ao primeiro-ministro britânico 30 dias para encontrar uma solução para o problema criado em torno desse mecanismo.

“Dissemos que talvez só encontrássemos a solução para este problema, para este dilema, nos próximos dois anos, mas também podemos encontrá-la nos próximos 30 dias. Se o fizermos, estaremos a caminhar na direção certa e devemos empenhar-nos nisso”, afirmou a chanceler alemã.

Na terça-feira, segundo o Expresso, Merkel sublinhou a importância do “backstop”, medida de salvaguarda para evitar que haja uma barreira física entre a República da Irlanda e a Irlanda do Norte, enquanto garante de paz, mas disse estar disposta a avaliar alternativas “práticas”.

“No momento em que tivermos um mecanismo prático para preservar o Acordo de Sexta-Feira Santa e, ao mesmo tempo, definir as fronteiras do mercado comum, deixamos de precisar do backstop.”

Merkel também disse que a questão do “backstop” tem que ver com a relação futura entre a União Europeia e o Reino Unido, a chamada Declaração Política, pelo que não haveria necessidade de “reabrir o acordo de saída”. Já na conferência de imprensa desta quarta-feira, sugeriu que sejam feitas alterações à Declaração Política para, desse modo, resolver a questão do “backstop”.

Boris Johnson insistiu que o Reino Unido não vai, “em nenhuma circunstância”, impor controlos nas fronteiras com a Irlanda e que o “backstop” tem de ser removido. Há “uma grande margem de manobra para chegar a acordo”, disse, mas só nessa condição. “Se o conseguirmos fazer, tenho a certeza de que vamos conseguir prosseguir.”

Também criticou a sua antecessora, Theresa May, por não ter, na sua opinião, procurado outras alternativas. “As soluções são abundantes e até já foram discutidas. Só não foram propostas pelo Governo britânico nos últimos três anos.”

Numa carta enviada no início da semana ao presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, Johnson descreveu o “backstop” como “inviável” e até “antidemocrático”, considerando que o mecanismo pode minar o processo de paz na Irlanda do Norte. Em resposta, Tusk afirmou que os que se opõem ao “backstop” sem apresentarem “alternativas realistas” estão a apoiar a criação de uma nova fronteira rígida.

Backstop “simplesmente tem de sair”

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, afirmou esta quarta-feira que o Reino Unido “não pode aceitar” o atual acordo de saída da União Europeia e que o mecanismo de salvaguarda para a fronteira irlandesa “tem de sair” do texto.

“O backstop, esse mecanismo em especial que, penso, terá efeitos graves num país democrático, simplesmente tem de sair”, para evitar uma saída do Reino Unido da UE sem acordo, disse Johnson à imprensa após o encontro em Berlim com Angela Merkel.

Sem o backstop, insistiu, a negociação de um novo acordo poderia evoluir rapidamente e, assegurou, “existe uma ampla margem” para um bom acordo. “Só quero ser absolutamente claro com os nossos amigos alemães e com o governo alemão: o Reino Unido quer um acordo”, disse.

A pouco mais de dois meses da data marcada para o Brexit, uma nova sondagem mostra que a maioria dos britânico quer que qualquer novo acordo vá a referendo. Um estudo do instituto Kantar revela que 52% dos inquiridos quer um voto popular sobre qualquer novo acordo para o Brexit, enquanto 29% se opõem a um novo referendo.

ZAP // Lusa

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