Itália pode ser governada por uma mulher, pela primeira vez (mas quase ninguém quer Meloni)

Fabio Cimaglia/EPA

Giorgia Meloni

Acordo alcançado entre a aliança centro-direita coloca Giorgia Meloni perto da liderança do Executivo. Mas a “Marine Le Pen italiana” não reúne consenso.

A Itália vai mudar, em termos políticos. Pela terceira vez nos últimos três anos, um Governo italiano caiu.

Desta vez foi Mario Draghi a pedir a demissão, depois de o primeiro-ministro ter perdido apoio parlamentar, apesar de continuar a ter maioria.

Sem surpresas, na semana passada o presidente Sergio Mattarella anunciou a dissolução do Parlamento e, por isso, vai haver (novamente) eleições antecipadas.

Já nesta quarta-feira a aliança de centro-direita decidiu que o novo primeiro-ministro vai ser o líder do seu partido mais votado – ou seja, de entre os partidos que fazem parte dessa coligação.

Esta solução aproxima Giorgia Meloni do poder. A número um do partido Irmãos de Itália é vista como uma provável ameaça, dentro e fora de Itália.

Meloni é uma romana de 45 anos. Envolveu-se na política bem cedo, aos 15 anos, na conservadora Frente da Juventude. Aos 19 anos era líder nacional do movimento estudantil da Aliança Nacional. Tudo ligado à Direita polícia.

Entretanto foi acumulando profissões, fora da política: ama, empregada em bares e trabalhou num clube nocturno.

Aos 21 anos venceu eleições primárias em Roma e foi eleita para a (agora extinta) Província de Roma, onde esteve durante quatro anos.

Ainda jovem, aos 29 anos, foi eleita deputada. E, simultaneamente, começou a trabalhar como jornalista.

Em 2008, tornou-se na ministra mais jovem de sempre em Itália: tinha 31 anos quando foi eleita ministra da Juventude, sob a liderança de Silvio Berlusconi.

No ano seguinte à saída de Berlusconi do Executivo, criou o partido Irmãos de Itália, que em 2013 fez parte da coligação de centro-direita novamente liderada por Silvio Berlusconi.

É presidente do Irmãos de Itália há mais de oito anos e, desde então, reforçou as suas orientações anti-Esquerda (Matteo Renzi foi um alvo predilecto), contra os direitos LGBT e contra a adopção de filhos por casais homossexuais, entre outros momentos controversos.

Uma “vaca e porca”, disse um professor universitário na rádio (em directo). O professor foi suspenso logo a seguir.

Hoje Giorgia Meloni está mais próxima do que nunca de se tornar líder de Itália. As sondagens indicam que o partido Irmãos de Itália deverá ser o partido mais votado, entre a coligação centro-direita, nas eleições marcadas para o dia 25 de Setembro.

A “Marine Le Pen italiana”, como já foi classificada noutros países, diz que está “pronta para resolver a Itália”.

Mas aparentemente quase ninguém está pronto para ver Meloni como primeira-ministra, reforça o jornal Público.

Matteo Salvini e o próprio Silvio Berlusconi não gostam dessa provável solução e, obviamente, à Esquerda também há um receio generalizado. E ainda se esperam reacções externas.

No entanto, Giorgia Meloni começou a ser apoiada por muitos italianos no ano passado, quando decidiu não integrar o Governo liderado por Mario Draghi. O seu partido passou a estar sozinho na oposição – e isso ajudou muito, provavelmente mais do que a própria esperava.

Uma líder do espectro pós-fascista em Itália é elogiada por manter sempre os seus princípios, não mudando o discurso sempre que é conveniente. Cristã, critica as posições da União Europeia é anti-imigração.

“Obviamente não sou seguidora de Mussolini”, disse – mas nunca se distanciou claramente do fascismo.

Itália nunca teve uma mulher no cargo de primeiro-ministro.

  ZAP //

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