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“Troca de favores”. Contratado para tornar Medina “popular”, Sérgio Figueiredo é uma pedra no sapato

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António Pedro Santos / Lusa

Fernando Medina. ministro das Finanças

A contratação do jornalista Sérgio Figueiredo para o Ministério das Finanças, para co-adjuvar Fernando Medina como consultor, está a unir direita e esquerda nas críticas ao Governo. É um caso de “troca de favores” e de “promiscuidade”, alega-se.

Para o PSD, na voz do deputado Duarte Pacheco, a contratação de Sérgio Figueiredo “evidencia uma grande promiscuidade entre o Partido Socialista e o Governo com alguns órgãos de comunicação social e as pessoas que aí trabalham”, conforme declarações à Rádio Renascença.

“Aquilo que o doutor Sérgio Figueiredo tem em experiência e competência reconhecidas é na política de comunicação, todos percebemos que as funções que estão adstritas são um disfarce para aquilo que é a grande preocupação do Governo, que é a área da comunicação”, atira ainda Duarte Pacheco.

Também a Iniciativa Liberal (IL) critica a “proximidade que existe entre Sérgio Figueiredo e o governo socialista”, notando, numa publicação no Twitter, que está em causa o princípio essencial às “democracias liberais” de ter uma imprensa como “quarto poder” e “liberta de relações de proximidade” deste tipo.

O deputado da IL Rodrigo Saraiva fala ainda de “um ciclo vicioso” recordando que Sérgio Figueiredo foi director de Informação da TVI quando Medina foi comentador político do canal. Assim, o deputado entende que está em causa também a própria “credibilidade da imprensa”.

Sérgio Figueiredo contratou Fernando Medina para comentador televisivo, onde se assistiu ao cúmulo de comentar ou evitar comentar casos onde estava envolvido como presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Agora Medina contrata Sérgio. É o comentador contratado a contratar o contratador“, aponta ainda o deputado da IL.

Sérgio Figueiredo deixou TVI após críticas de Ana Leal

Sérgio Figueiredo deixou o cargo de director de Informação da TVI em Julho de 2020 depois da demissão da jornalista Ana Leal. Esta veterana da estação insurgiu-se publicamente contra o então director depois de a TVI ter decidido não emitir várias reportagens de investigação sobre a gestão da pandemia de covid-19 feita pelo Governo do PS.

Perante estes dados, Rodrigo Saraiva nota que “a proximidade patente” entre o jornalista e o Governo, no âmbito da sua contratação, “leva a questionar” se a mesma “já existia quando exercia funções jornalísticas, em particular de direcção”.

“Ausência de qualquer pingo de ética”

Para o Bloco de Esquerda (BE), a contratação de Sérgio Figueiredo por parte de Medina revela a “ausência de qualquer pingo de ética”. “As escolhas públicas não podem estar reféns de redes de amigos ou do pagamentos de favores“, analisa o líder parlamentar dos bloquistas, Pedro Filipe Soares, em declarações ao Esquerda.net.

Medina “vai pagar agora uma avença a Sérgio Figueiredo, o mesmo que lhe pagou uma avença durante anos quando fazia comentário na TVI”, atira Pedro Filipe Soares.

O deputado do BE nota ainda que há uma “desvalorização das competências da administração pública que nunca é chamada para fazer a avaliação das políticas públicas, das carreiras dos trabalhadores do Estado, em que é sempre a proximidade ao Governo que é valorizada e não a idoneidade ou a competência”.

Assim, Pedro Filipe Soares diz que “o Governo deve explicações ao país” e que “não pode esconder-se atrás da maioria absoluta para não as dar”.

Também o PAN e o Chega querem ouvir Fernando Medina no Parlamento para dar “explicações” sobre esta contratação.

A líder do PAN, Inês Sousa Real, considera que a contratação de Sérgio Figueiredo é “grave”, salientando o facto de que, “não sendo um membro, em sentido próprio, do gabinete de Medina”, “não está sujeito aos deveres de ética e transparência do próprio código de conduta que o Governo tem”.

Assim, “há aqui uma opacidade incompreensível com riscos de quebra de transparência que são um sinal negativo, sobretudo considerando que Fernando Medina tem a pasta das Finanças”, acrescenta Inês de Sousa Real em declarações à TSF.

Já o líder do Chega, André Ventura, defende que é preciso fazer “um escrutínio especial” a esta situação, lembrando também a “proximidade destes intervenientes com figuras como José Sócrates”.

Missão de Sérgio Figueiredo é tornar Medina “popular” para suceder a Costa

Também o dirigente da Associação Frente Cívica, João Paulo Batalha, critica o que classifica como uma “troca de simpatias” entre Medina e Sérgio Figueiredo.

“Dá ideia que Sérgio Figueiredo vai estar contratado com ordenado equiparado ao de ministro para garantir que Medina seja minimamente popular, o que é difícil no Ministério das Finanças”, aponta Batalha na TSF, prevendo que o objectivo de Medina é suceder a António Costa como primeiro-ministro.

Além disso, o facto de Figueiredo ter “um salário de ministro”, como foi anunciado, revela que Medina “o quer elevar a uma pessoa com enorme relevância no seu gabinete“, analisa ainda Batalha.

  ZAP //

12 Comments

  1. Jovens deste Pais Se estão a pensar fazer carreira politica Pense bem pois a vossa familia e amigos vão morrer à fome, dado que não vão poder ter empregos nem no publico nem no privado, porque se os tiverem são sempre porque teem um familiar ou amigo na politica e não porque sejam competentes para o cargo
    Vai passar a ser assim
    PSD no poder-é tudo despedido para empregar gente do PS
    PS no poder- é tudo despedido para empregar gente do PSD
    È isso que querem?

  2. Este artista não devia sequer ser ministro. Depois , ainda ter a lata de fazer uma destas…
    O país está a saque. Somos governados por ladrões e aldrabões com a conivência da justiça e de grande parte dos media. Temos o que merecemos.

  3. Não foi no canal de que este sehozinho era diretor que saiu uma notícia acerca do banif para ir á falência ?? consta-se até que agiu a mando e a Bem do Banco Santander que na altura fez negócio a preço de Saldo… Como diz a canção ” eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada..”

  4. Que descarada falta de vergonha ! O povo a sofrer e estes ladrões a usurpar os cofres do Estado. E o papagaio de Belém já falou sobre este escândalo?

  5. Enquanto formos uma sociedade não participativa, qualquer “habilidoso” governa Portugal e ri-se dos portugueses.
    Espero que quem nos representa faça muito barulho.

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