Médicos e jornalistas que criticam gestão da pandemia detidos no Egito

Mohamed Hossam / EPA

No Egito, sob o regime do Presidente Abdel Fattah al-Sissi, foram detidos pelo menos dez médicos e seis jornalistas desde fevereiro, numa tentativa de silenciar os críticos que denunciam as falhas dos serviços de saúde e contestam os números oficiais de casos de covid-19 no país.

“Vou trabalhar todos os dias, sacrifico-me e à minha família”, disse à Associated Press – citada esta quarta-feira pelo Público – um médico que trabalha no Cairo. “Prenderam um colega meu por nos ter enviado uma mensagem. Não vejo luz no horizonte”.

O profissional de saúde, que falou sob anonimato, é um dos dez médicos detidos pelas autoridades egípcias, indicou a Amnistia Internacional. Outro médico foi detido por publicar um artigo sobre a fragilidade do serviço de saúde e um farmacêutico por fazer uma publicação nas redes sociais sobre a falta de equipamento de proteção.

De acordo com o Público, médicos de três províncias contaram à Associated Press que os seus superiores ameaçaram denunciá-los à Agência Nacional de Segurança se expressassem publicamente frustração, se se despedissem ou se metessem baixa médica. “Mesmo que um médico esteja a morrer, deve continuar a trabalhar. Ou será submetido à punição mais pesada”, ouve-se numa gravação a que a agência teve acesso.

Um médico, contudo, revelou ter sido avisado pelo seu superior de que as suas folhas de entrada estavam a ser monitorizadas pelas autoridades e que dois dos seus colegas viram os seus salários cortados por fazerem publicações nas redes sociais.

O Egipto tinha até quinta-feira mais de 76 mil casos de covid-19 confirmados e 3422 vítimas mortais, segundo a Universidade Johns Hopkins. Suspeita-se sobre a veracidade dos números oficiais de infetados.

O regime tem tentado armazenar medicamentos e material médicos, montou hospitais militares e centros de isolamento com capacidade até quatro mil camas e entregou máscaras para evitar o contágio.

Abdel Fattah al-Sissi tem silenciado a oposição e os críticos, repressão que se tornou mais dura com a pandemia, a par das fronteiras encerradas. Em junho, o regime pediu um empréstimo na ordem dos 5,2 mil milhões de dólares ao Fundo Monetário Internacional.

“Temos visto definitivamente um aumento de detenções, não apenas em números, mas também em termos do perfil das pessoas alvo do Governo”, disse ao Financial Times Hussein Baoumi, investigador da Amnistia Internacional, referindo-se à detenção de 70 pessoas entre março e junho, entre as quais médicos, jornalistas, bloggers e advogados.

“Sissi usou a lei de imprensa egípcia, o código penal, a nova Constituição e a nova lei anti-terrorismo para silenciar jornalistas, com artigos a permitir a censura do Governo, multas e detenções em assuntos relativos à ‘segurança nacional’ egípcia. Hoje, o Egipto é o terceiro detentor de jornalistas”, escreveu no Middle East Eye Mohamad Elmasry, professor associado no Doha Institute for Graduate Studies.

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