Após batalha legal, médicos vão desligar máquinas a bebé com doença incurável

#CharliesFight / Facebook

Charlie, Connie Yates e Chris Gard

Charlie, Connie Yates e Chris Gard

A Justiça britânica autorizou, nesta terça-feira, os médicos de um hospital de Londres a desligarem as máquinas que mantinham o recém-nascido Charlie Gard vivo desde outubro do ano passado.

Numa decisão que gerou polémica no país, e que não agradou os pais da criança, a justiça britânica concordou com a alegação do hospital Great Ormond Street de que Charlie tem um “dano irreversível no cérebro” e permitiu que os médicos responsáveis suspendam o tratamento que o mantém vivo desde que nasceu.

Charlie estava muito mal quando foi internado no nosso hospital, onde está a receber cuidados 24 horas por dia na nossa unidade de terapia intensiva. Mas ele continuou a piorar e já esgotamos todos os tratamentos disponíveis”, afirmou.

“Não podemos imaginar o quão angustiante é para a família. Continuamos a apoiá-los de todas as maneiras, enquanto defendemos o que acreditamos ser o melhor para Charlie.”

Na decisão, o juiz afirmou que julgou o caso com “um aperto enorme no peito”, mas também com “plena convicção” que era o melhor a fazer pelo bem da criança.

O juiz salientou o esforço dos pais do bebé por terem feito “uma bela campanha” para arrecadar fundos para o tratamento de Charlie e pela sua “total dedicação ao menino”.

Os pais de Charlie ficaram arrasados com a notícia. Quando a decisão foi anunciada, Chris Gard, pai do menino, gritou: “Não” e desfez-se em lágrimas.

Charlie tem uma doença rara, complexa e incurável.

Charlie Gard, filho de Connie Yates e Chris Gard, nasceu saudável em agosto de 2016, mas começou a perder peso e força com seis semanas de vida. O seu estado de saúde piorou rapidamente e o menino foi internado em outubro no Hospital Great Ormond Street, em Londres, depois de desenvolver pneumonia por aspiração.

O bebé foi diagnosticado com miopatia mitocondrial – uma doença que causa perda progressiva de força muscular. Como a doença não tem cura, o hospital acredita que Charlie deveria ter o direito de morrer com dignidade porque “a sua qualidade de vida já é muito instável“.

No entanto, a advogada de defesa do casal, Laura Hobey-Hamsher, afirmou que os pais não conseguiram entender porque é que o juiz não deu ao Charlie “pelo menos a hipótese de receber um tratamento”.

Os pais do bebé, que moram em Londres, querem levá-lo para os Estados Unidos, porque acreditam que o menino pode ter boas probabilidades de sobreviver se participar em tratamentos pioneiros.

Segundo Kate Gollop, a advogada que representa os médicos do Hospital Great Osmond, os especialistas britânicos já consideraram o tipo de tratamento que está disponível nos EUA, mas decidiram não aplicá-lo no bebé.

A advogada Victoria Butler-Cole, que foi nomeada para representar o bebé de oito meses, disse que o tratamento proposto nos Estados Unidos era “puramente experimental” e que continuar o seu tratamento com aparelhos só “prolongaria o processo de morte”.

A mãe de Charlie lançou uma campanha chamada #CharliesFight, que arrecadou mais de 80 mil libras (cerca de 94 mil euros) do total de 1 milhão de libras que os pais acreditam ser necessário para que o bebé receba o tratamento nos Estados Unidos.

ZAP // BBC

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