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Máscara dá bons resultados. Obrigar as pessoas a usar máscara, não

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Quando há ordens no sentido de obrigatoriedade de utilização de máscara, a diferença nos números é quase insignificativa.

Portugal tem registado um aumento de casos de COVID-19 nas últimas semanas mas não é caso único.

As variantes foram sendo menos graves mas mais contagiosas e, essencialmente, Governos de diversos países têm suavizado as medidas de combate à pandemia, já desde o ano passado.

Nos Estados Unidos da América a subida tem sido evidente, nos últimos dois meses. No dia 3 de Abril houve praticamente 5 mil novos casos; nesta quarta-feira, 8 de Junho, registaram-se quase 180 mil novos casos.

A contabilidade ainda está longe do pico em Janeiro deste ano (chegou a haver mais de um milhão de casos num dia), mas muitos habitantes nos EUA já começam a pedir ao Governo medidas para travar o número de mortes nas próximas semanas.

Medidas? Começa-se logo a comentar que a utilização de máscaras deve ser obrigatória.

Há algumas instituições norte-americanas (sobretudo escolas) que já voltaram aos tempos de máscara obrigatória, embora no geral a utilização da máscara continue a ser voluntária.

Os governantes locais continuam a afastar o cenário de máscara obrigatória – o que tem originado muitas críticas, que se centram na sua eventual “falta de coragem política”. Ou seja, os políticos são acusados de já estarem cansados da COVID-19, em vez de implementarem as necessárias medidas de saúde pública.

Mas…não é por aí, avisa David Leonhardt, no jornal The New York Times. Os mesmos críticos não têm estado atentos, nem ao “currículo” da saúde pública, nem às evidências científicas mais recentes sobre o assunto.

Máscaras = paradoxo

David comenta que as máscaras têm sido um paradoxo, já desde os primeiros tempos da pandemia.

As ordens para se utilizar máscara não reduziram substancialmente os casos de coronavírus. E, por estes dias, a diferença ainda seria menor porque, como já foi referido, as novas variantes “espalham-se” mais facilmente.

Mas o paradoxo está resumido numa frase da epidemiologista Shira Doron: “É verdade que as máscaras funcionam mas, ao mesmo tempo, é verdade que o uso obrigatório de máscara não funciona”.

Ou seja, na prática a utilização de máscara reduz muito o risco de contágio da doença; mas, igualmente na prática, os locais onde a regra é máscara voluntária apresentam praticamente os mesmos números dos locais onde a regra é máscara obrigatória.

Quatro explicações

Há algumas possíveis explicações para esta comparação.

Primeira: mesmo no cenário de máscara obrigatória, basta as pessoas retirarem-na durante poucos segundos e o vírus já pode ter sido transmitido. Quando as pessoas comem ou bebem, por exemplo, sobretudo em espaços fechados.

Segunda: onde se coloca a máscara. A máscara pode ser obrigatória mas se muita gente a coloca só a tapar a boca…

Terceira explicação (e esta pode ser a mais importante): as pessoas estão cansadas de regras, de obrigatoriedade. Como já partilhámos aqui em relação aos franceses, os norte-americanos também não sabem viver “presos”. Reinam o cansaço e os momentos desconfortáveis por causa das máscaras. E a “fuga” à máscara obrigatória é mais frequente nas pessoas que estão vacinadas e que já contraíram o vírus.

Quarta explicação, ainda relacionada com a mente humana: sendo obrigatória ou voluntária, o contexto e a decisão de cada pessoa serão essenciais no momento da colocação (ou não) da máscara. Uma pessoa, ou receosa ou com bom-senso, vai utilizar a máscara na maioria dos convívios, ou mesmo em todos; uma pessoa, ou desleixada ou confiante, não vai colocar a máscara no rosto, seja em que contexto for.

Assim, mais do que a questão da máscara, o artigo sublinha que as vacinas e alguns medicamentos são mais importantes no combate à pandemia.

Resumindo: nunca haverá consenso e o centro desta questão é que cada pessoa decide por si.

  Nuno Teixeira da Silva, ZAP //

1 Comment

  1. E obrigar as pessoas a vacinarem-se dá um resultadão… só que não deu…
    ” o artigo sublinha que as vacinas (…) são mais importantes no combate à pandemia” – deixa-me rir…

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