Plano de desconfinamento é ”equilibrado” e ”prudente”, já o económico é uma ”desilusão”

Luís Marques Mendes marcou mais uma vez presença no Jornal da Noite da SIC e desta vez teceu largos elogios ao planos de desconfinamento, apresentado na passada quinta-feira por António Costa. Por outro lado, fez duras críticas ao plano económico.

Apesar de elogiar o plano de desconfinamento, considerou que o pacote de apoio à economia no valor de sete mil milhões de euros “desiludiu”, apelando a um esclarecimento sobre o que está a ser feito para estender as moratórias legais de capital que terminam em setembro.

“O plano que o Governo apresentou na sexta-feira é uma desilusão”. Marques Mendes defendeu que “ao contrário do plano de desconfinamento que é um plano equilibrado, o plano económico, tirando a questão do lay-off e algumas medidas de pagamento de impostos a prestações que são positivas, o resto é baralhar e dar de novo e tem alguns pecados capitais”.

Recordou ainda incógnita em torno da possível extensão das moratórias de capital, que terminam em setembro, questionando a capacidade de empresas em sérias dificuldades, como as de turismo, para pagar.

O advogado também criticou os apoios diretos a fundo perdido, considerando que “o Governo está a poupar, mas esta poupança não é boa” e terá como consequências não só a falência de empresas, como um aumento da despesa com subsídios de desemprego, bem como os atrasos na entrega dos apoios às empresas.

“Equilibrado, prudente e cauteloso”

Por outro lado, classificou o plano de desconfinamento como “equilibrado, prudente e cauteloso” e “diferente do ano passado”, já que foi “alicerçado em orientações dos cientistas”.

O ex-líder do PSD assinala o facto de o Executivo contar desta vez com as orientações dos cientistas e elogia o facto de na Páscoa o Governo proibir a circulação entre concelhos.

Trata-se de “um plano com um acelerador – abertura da economia, apesar de gradual, e da sociedade”, refere. Esta abordagem é a maior diferença face ao último desconfinamento, que não correu como se desejaria, disse.

Sugeriu ainda que os dados devem ser analisados diariamente para que se possa colocar o travão na hora certa. “Vamos desconfinar com 96 novos casos a 14 dias por 100 mil habitantes e com o Rt em 0,83” e tudo quanto seja o agravamento destes dados terá de ser bem analisado para “evitarmos o risco de voltar para trás”.

Vacinação a correr bem

Luís Marques Mendes considera que o processo de vacinação está a correr bem em Portugal. “47% dos portugueses com 80 ou mais anos já tomaram pelo menos uma dose da vacina”. Contudo, faz uma ressalva dizendo que o problema é a falta de vacinas face ao que era suposto.

Frisa que do outro lado do Atlântico, os EUA “estão a avançar a um ritmo impressionante – até 4 de julho dizem ter a população toda vacinada”.

Já na União Europeia nem no final do verão existe essa garantia. “O fiasco europeu é mais visível”. Desta forma, deixa um recado ao Governo: “Ainda não vi qualquer diligência da presidência portuguesa na UE a dar nota deste fracasso”.

Discurso de Marcelo

“É um discurso de esperança e ambição no futuro, perante um país onde as pessoas estão anestesiadas”, afirma Marques Mendes a no âmbito da tomada de posse de Marcelo Rebelo de Sousa que aconteceu na semana passada.

Por fim, fez questão de salientar um aspeto muito específico do momento. “O ponto do discurso é uma frase – quando o Presidente diz que não chega recuperar e regressar ao crescimento de 2019”.

Nesta frase, sublinha Marques Mendes, “é que existe uma divergência entre o Governo e o Presidente e Marcelo coloca o dedo na ferida”. “O Governo fala em regressar ao crescimento de 2019 e o Presidente diz que não chega, que é preciso crescer mais.”

Para o comentador, o Presidente tem toda a razão.

  Ana Isabel Moura, ZAP //

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1 COMENTÁRIO

  1. Eu penso que este Senhor está desacreditado, existe situações nas televisões completamente incompreensíveis, gente que por qualquer razão, Reforma, Desemprego, qualquer coisa, se inventa uma razão para ter logo lugar nas televisões, não sei que terão feito enquanto influentes na politica, para se justificar este compromisso, um Homem que existe há tantos anos na SIC (que gostam de rodar caras) só por um forte compromisso (só pode ser a troco de qualquer coisa) se mantem, não acredito no frequente argumento do facto do patrão da SIC ser PSD e gostar de ter na SIC alguém para criticar o PS e fazer Oposição aos Governos do PS, é Verdade que é a única coisa que Marques Mendes faz, mas tratando-se de uma Empresa não acredito nesse motivo, acredito antes que seja alguma, algumas, lei, leis, que o PSD de quando Marques Mendes era Líder, tenha aprovado a favor da SIC e agora tenha esse compromisso para cumprir com Marques Mendes, se calhar até á morte, o mesmo existe na TVI com o Portas e outros.

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