Marina Silva perde terreno, Dilma Rousseff cada vez mais perto da reeleição

Vagner Campos / ABr

Aécio Neves, Marina Silva e a presidente Dilma Rousseff, principais candidatos à Presidência do Brasil em 1014

A quatro dias das eleições presidenciais no Brasil, que se realizam este domingo, os resultados das últimas sondagens apontam para uma competição cada vez mais ferrenha entre os candidatos Aécio Neves e Marina Silva pelo segundo lugar na preferência dos eleitores brasileiros.

Segundo a sondagem Datafolha, divulgada esta terça-feira, Dilma Rousseff tem 40% das intenções de voto na primeira volta – o mesmo índice da última sexta-feira (26) -, Marina (PSB) fica com 25% (caiu dois pontos percentuais), e Aécio Neves (do PSBD) tem 20% (subiu dois pontos).

A simulação da segunda volta do mesmo levantamento também mostra um aumento da vantagem de Dilma sobre Marina.

Na última sexta-feira, a presidente tinha 47% da preferência, enquanto a candidata do Partido Socialista Brasileiro ficava-se pelos 43%. Agora, a diferença entre as duas é de 49% contra 41%, respectivamente, com uma margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

De acordo com a sondagem do Ibope, que também divulgou novos dados esta terça-feira, o cenário apontado para a primeira volta é semelhante. Dilma Rousseff tem 39%, Marina Silva tem 25%, e o “tucano” Aécio Neves aparece com 19%.

No entanto, num possível segundo turno da candidata do PT contra a ex-senadora ambientalista, a vantagem da atual presidente é de apenas quatro pontos percentuais (42% contra 38%, respectivamente), o que poderia significar um empate técnico tendo em conta a margem de erro, que também é de dois pontos.

De realçar que após a morte do candidato Eduardo Campos, líder original da lista dos socialistas, Marina Silva ascendeu ao segundo lugar nas intenções de voto, surgindo mesmo como vencedora numa eventual segunda volta, de acordo com as sondagens.

Na sondagem Datafolha dos dias 2 e 3 de setembro, Marina chegou a ter 34% das intenções de voto na primeira volta, contra 14% de Aécio Neves – foi a maior diferença na corrida eleitoral entre os dois. Segundo o Ibope, na mesma data, a diferença era de 33% da candidata do PSB contra 15% do “tucano”.

Tempo de antena

Segundo cientistas políticos ouvidos pela BBC, o motivo da queda de Marina Silva pode ser explicado principalmente pela diferença do tempo de antena para cada um dos candidatos.

Dilma Rousseff tem quase 11m30s no horário eleitoral gratuito, enquanto a ex-senadora tem pouco mais de dois minutos. Aécio Neves, por sua vez, tem 4m35s.

“O debate é o momento em que todos têm condição de igualdade. Mas o debate não se dá no vácuo, ele acontece depois que as pessoas já apareceram a semana inteira na TV de maneira desigual”, disse à BBC Milton Lahuerta, cientista político da Universidade Estadual Paulista (UNESP).

“A campanha é feita principalmente pela Internet e pela TV, então é a campanha eleitoral nesses dois veículos que vai corroendo uma candidatura. Foi isso que aconteceu com a Marina.”

Para Ricardo Ismael, cientista político da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, há também outra explicação para a queda de Marina Silva na reta final do período eleitoral.

Aécio e Dilma têm mais palanques estaduais que Marina. A estrutura partidária pode estar a ajudar Aécio Neves a crescer nesta reta final. Dá para se ver que a queda da Marina no Datafolha foi aproveitada pelo Aécio”, afirmou.

Na luta entre Marina e Aécio, quem sai mais forte é Dilma

Segundo os especialistas ouvidos pela BBC, o novo cenário apontado pela sondagem do Datafolha mostra uma indefinição da segunda volta – que antes parecia certa entre Dilma e Marina – e até mesmo uma possibilidade de reeleição da candidata do PT na primeira volta.

“Ficou bem mais acirrada a disputa pelo segundo lugar. Na prática, já que a sondagem tem dois pontos percentuais de erro, é quase um empate técnico“, diz Ismael.

“Penso que muita gente que tendia a votar na Marina vai acabar por votar no Aécio, e a Dilma também pode ganhar votos sem grande convicção, apenas para que a eleição se fique pela primeira volta. É um momento complicado, porque qualquer movimento pode ser fatal”, analisa Lahuerta.

Para o especialista da UNESP, quem sai mais fortalecido nesta guinada de Aécio Neves não é o seu partido, o PSDB, mas sim o PT de Dilma, já que o tucano tem adotado a mesma estratégia de Dilma de “desconstruir” a candidatura de Marina Silva, o que pode acabar por inviabilizar uma aliança entre PSDB e PSB numa eventual segunda volta.

“Sob um certo ponto de vista, Aécio Neves não tem o que fazer a não ser seguir para uma disputa com Marina. No entanto, ao usar a tática de desconstruir agressivamente a Marina, penso que o bloco de oposição se enfraquece para a segunda volta”, explicou.

“Aécio dificilmente vai ter forças para alcançar o patamar que Marina pode alcançar na segunda volta. Ela tinha esse potencial, mas ele não, porque já traz uma certa rejeição das pessoas. Com a estratégia de atacar Marina, Aécio inviabiliza uma possível aliança na segunda volta. Aí, o cenário mostra-se mais favorável ao PT”.

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Segundo Ricardo Ismael, Aécio Neves ainda tem hipóteses de conseguir uma virada sobre Marina e ir para a segunda volta. O último debate antes das eleições, que acontece esta quinta-feira à noite, pode ajudá-lo a conseguir isso.

“Dilma está com uma vantagem consolidada e estável em relação à semana passada, por isso uma vitória na primeira volta seria menos provável, já que parou de crescer. A questão agora é uma indefinição sobre o segundo lugar”, disse.

“As curvas estão a aproximar-se e o debate tem um peso nisso, porque vai ser transmitido pela principal emissora e é o que deverá ter mais audiências.”

ZAP / BBC

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