“Manobras político-mediáticas”. Novo Banco lamenta ser usado como arma de arremesso político

O Conselho de Administração do Novo Banco lamentou esta quinta-feira “profundamente” que a instituição continue a ser usada “como arma de arremesso político e/ou manobras político-mediáticas”.

A comunicação do banco surge depois de a injeção de capital na instituição bancária ter marcado o debate quinzenal desta quarta-feira, no Parlamento.

Em comunicado citado pela Lusa, o Novo Banco diz que é “seguramente uma das entidades bancárias mais escrutinadas, tanto a nível nacional como a nível europeu, fruto, aliás, do processo que lhe deu origem”, tendo o próprio presidente executivo, por várias vezes, se deslocado ao parlamento para prestar todos os esclarecimentos pedidos.

“Se, apesar de tudo, subsistem dúvidas sobre a criação e a forma como é gerido o Novo Banco, como transpareceu, uma vez mais, do debate parlamentar de ontem à tarde, os senhores deputados devem procurar, através de todas as iniciativas, e sublinhamos todas as iniciativas que estão nas suas atribuições, apurar tudo o que quiserem”, disse.

O Novo Banco reitera assim que está disponível “para tudo esclarecer”, mas “não pode continuar a assistir a constantes manobras que só prejudicam a sua atividade, perturbam o esforço de recuperação duramente realizado por milhares de colaboradores do banco, que diariamente servem centenas de milhares de clientes” e esquecem a importância do Novo Banco para a economia do país, que “ficou bem evidenciada, sobretudo nesta hora de maior dificuldade para as empresas e famílias portuguesas”.

Novo Banco aqueceu debate

O primeiro-ministro, António Costa, disse na quarta-feira que, se a auditoria ao Novo Banco vier a revelar falhas de gestão que injustifiquem as injeções de capital, o Fundo de Resolução “tem toda a legitimidade” para recuperar o dinheiro.

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, arrancou o debate quinzenal com a questão do Novo Banco por considerar necessário saber o que mudou para que “uma auditoria que era indispensável agora ser dispensável”, deixando uma pergunta a António Costa: “quando a auditoria for conhecida, como é? Se tiver sido mal gerido o Novo Banco, vamos lá buscar o dinheiro?”. Em resposta, o primeiro-ministro começou por distinguir “os diferentes intervenientes” do Estado.

“Se pelo Estado se refere ao Fundo de Resolução, que é quem tem feito as injeções de capital no Novo Banco, não tenho a menor das dúvidas de que, se a auditoria vier a dizer que o banco cometeu falhas de gestão que injustificavam as injeções que forem feitas, o Fundo de Resolução tem toda a legitimidade para agir no sentido da recuperação do dinheiro que desembolsou e que não tinha que desembolsar”, considerou.

Costa foi mais longe e disse mesmo estar “aliás desconfiado” que, sendo o Fundo de Resolução financiado pelos outros bancos, “concorrentes do Novo Banco”, que estes “não estejam propriamente disponíveis para financiar a má gestão do Novo Banco”.

No que diz respeito ao “Estado-Governo”, o papel que este tem, de acordo com o primeiro-ministro, “não é injetar dinheiro no Novo Banco, é emprestar dinheiro ao Fundo de Resolução”. “Se depois o dinheiro que o Fundo de Resolução injetou no Novo Banco foi mal injetado e isso vier a ser verificado na auditoria, com certeza que o fundo de resolução terá de retirar daí as necessárias ilações”, apontou.

Em causa está uma nova transferência do Estado para o Fundo de Resolução de 850 milhões destinados à recapitalização do Novo Banco, que foi conhecida na semana passada, levando a uma crise política entre António Costa e Mário Centeno.

ZAP // Lusa

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