Macron alerta contra nacionalismo no centenário do fim da Grande Guerra

Christophe Petit Tesson / EPA

O Presidente francês, Emmanuel Macron, advertiu neste domingo contra o crescimento do nacionalismo, a que chamou “o oposto do patriotismo”, no discurso que proferiu nas comemorações do centenário do Armistício, que decorreu no Arco do Triunfo, em Paris.

“O patriotismo é precisamente o oposto do nacionalismo. O nacionalismo é uma traição do patriotismo. Ao dizermos ‘os nossos interesses primeiro, o que quer que aconteça aos outros’, estamos a apagar aquilo que de mais precioso uma nação pode ter, o que lhe dá vida, o que lhe dá grandeza e o que é mais importante: os seus valores morais”, disse.

A lição da Grande Guerra não pode ser o rancor de um povo contra os outros”, frisou Macron. “Partilhemos as nossas esperanças em vez de opormos os nossos medos”.

O Presidente francês elogiou o patriotismo dos soldados que combateram na I Guerra Mundial, e afirmou que, nesse conflito, havia uma “visão de França como uma nação generosa, portadora de valores universais”.

“Juntemos as nossas esperanças em vez de opor os nossos medos”, disse, apelando aos dirigentes mundiais que recusem “o fascínio pelo isolamento, a violência e a dominação”.

Macron encorajou os países do mundo a juntar forças no combate a “ameaças como as alterações climáticas, a degradação da natureza, a pobreza, a fome, a doença, a desigualdade, a ignorância”.

Macron falava perante 72 dirigentes mundiais, entre os quais a chanceler alemã, Angela Merkel, e os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Rússia, Vladimir Putin. O Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, assistiu à cerimónia sentado entre o Presidente de Itália, Sergio Mattarella, e o príncipe do Mónaco, Alberto II.

Após o discurso de Macron, a Orquestra da Juventude da União Europeia, integrada por jovens músicos de todos os Estados-membros da UE, incluindo vários portugueses, interpretou o Bolero de Ravel.

A cerimónia no Arco do Triunfo foi seguida de um almoço oficial oferecido aos chefes de Estado no Palácio do Eliseu, sede da presidência, aos primeiros-ministros em Matignon, sede do governo, e às primeiras-damas no Palácio de Versailles.

Um forte dispositivo policial enquadrou as comemorações dos 100 anos do fim da Grande Guerra (1914-18), com cerca de 10.000 polícias destacados para a capital francesa e medidas especiais como a interdição do acesso automóvel um amplo perímetro em torno da praça Étoile, onde fica o Arco do Triunfo, e o encerramento de oito estações do metropolitano a partir das 07:00.

Putin e Trump com programas paralelos

Donald Trump ainda não tinha chegado a Paris e já demonstrava o seu descontentamento face ao seu homólogo francês que recentemente defendeu a criação de um exército europeu. O Presidente norte-americano não apreciou a iniciativa, considerando a atitude “muito insultante”, escreveu no Twitter.

Macron explicou a Trump que nunca pretendeu assinalar os Estados Unidos como o inimigo, considerando apenas que a Europa deve reforçar-se face às novas ameaças. Depois de uma longa conversa, apertaram cordialmente as mãos em frente às televisões.

Ainda assim, durante a visita a Paris, Trump optou por um programa diferente dos restantes líderes mundiais. E também Vladimir Putin, Presidente da Rússia, tomou a mesma decisão. Desde do início das comemorações, e para a deslocação até ao Palácio do Eliseu, ambos optaram por carros privados, enquanto os restantes líderes foram transportados em autocarros oficiais.

Já na tarde de domingo, tanto Putin como Trump decidiram também não participar no Fórum de Paris sobre a Paz.

Durante a tarde, Trump visitou o cemitério de Suresnes, em Paris, onde foram sepultados soldados norte-americanos mortos em combate durante a I Guerra Mundial. Num breve discurso, o Presidente norte-americano “prestou homenagem” aos “corajosos americanos que deram o seu último suspiro” em combate na Grande Guerra.

ZAP // Lusa

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