Cientistas criam macacos transgénicos com genes do cérebro humano

Uma equipa de cientistas, composta por especialista da China e dos Estados Unidos, criou vários macacos transgénicos com cópias de genes humanos que desempenham um papel essencial no desenvolvimento cerebral. 

De acordo com o China Daily, que avançou com a notícia no início do mês, o procedimento reflete a vontade de os cientistas estudarem os mecanismos de evolução no cérebro.

Especialistas do Instituto de Zoologia de Kunming, na China, e da Universidade da CArolina do Norte, nos Estados, em parceria com outras instituições, identificaram o gene MCPH1, essencial para o desenvolvimento do feto e cujas mutações podem causar microcefalia (uma patologia em que a cabeça e o cérebro do feto são menores do que o normal).

Partindo deste gene, os cientistas criaram 11 macacos Rhesus transgénicos após a exposição do seus embriões a um vírus que carregava a versão deste gene humano, pode ler-se no estudo, publicado esta semana na revista National Science Review, no qual os cientistas dão conta do procedimento experimental.

A análise dos cérebros dos macacos geneticamente alterados revelou um padrão alterado de diferenciação neuronal e um atraso na maturação do sistema neuronal, chamado neotenia, semelhante ao atraso no desenvolvimento humano.

Um aspeto fundamental que destinge os humanos dos outros primatas é um maior período de tempo necessário para formar redes neuronais durante o desenvolvimento, processo que aumenta significativamente durante a infância.

Com o procedimento, os cientistas “aproximaram” o desenvolvimento cerebral dos macacos ao dos humanos, tornando-o mais longo. De acordo com a publicação, os macacos transgénicos apresentam melhor memória a curto prazo, bem como reações mais rápidas comparativamente aos seus pares testados no grupo de controle.

Os cientistas esperam que a investigação ajude a descobrir os fatores que tornam o cérebro humano único, visando melhor compreender os distúrbios neuro-degenerativos e o comportamento social.

“A longo prazo, esta investigação básica fornecerá informações valiosas para a análise da etiologia e do tratamento de doenças cerebrais humanas [como o autismo) causadas por um desenvolvimento anormal do cérebro”, disse o líder da investigação, Su Bing, em declarações à emissora norte-americana CNN.

Eticamente, estes caminhos são “muito arriscados”

A pesquisa foi criticada por vários cientistas ocidentais. James Sikela, geneticista da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, disse que estes procedimentos implicam “caminhos muito arriscados” na Ciência.

Num artigo publicado em 2010, Sikela e a sua equipa sustenta que as experiências em causa levantam questões éticas complicadas e que os primatas “melhorados” geneticamente estão em maior risco de serem explorados e de sofrerem danos.

“Esses danos tornam a conduta desta pesquisa eticamente inaceitável, justificando-se [haver] barreiras regulatórias entre estas espécies e todos os outros primatas não humanos para a investigação transgénica”, pode ler-se no documento. O estudo, no entanto, considera que este tipo de investigação possa ser válida em algumas situações.

A bioeticista Jacqueline Glover, da mesma universidade norte-americana, comparou o procedimento ao filme de ficção científica “O Planeta dos Macacos”, no qual os primatas super-inteligentes destroem os seres humanos. “Humanizá-los é causar danos, onde é que estes aniais viveriam e o que fariam? Não crie um ser que não possa ter uma vida significativa em nenhum contexto”, disse Glover.

Por sua vez, o cientista chinês que liderou a investigação acusou os críticos ocidentais, Sikela em particular, de hipocrisia e imprudência, afirmando que o projeto estava a ser injustamente julgado pelos “estereótipos” associados à investigação chinesa. “Explorar o mecanismo genético da evolução do cérebro humano é uma questão importante nas ciências naturais, e continuaremos a nossa exploração”, reiterou.

Tal como observa a CNN, esta é a segunda polémica associada com a manipulação genética a envolver investigadores chineses em menos de seis meses. Em novembro, um cientista chinês afirmou ter criado os primeiros bebés geneticamente editados do mundo, provocando de imediato reações em todo o mundo.

Antes disso, em janeiro de 2019, uma equipa de cientistas chineses anunciou ter clonado cinco macacos a partir de um único primata geneticamente modificado, visando estudar problemas no ciclo do sono, depressão e doença de Alzheimer.

ZAP //

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3 COMENTÁRIOS

  1. Começou o que a humanidade irá se lamentar profundamente em futuro não muito longe…o caos, as aberrações, alguns benefícios que não compensarao a sucumbência da raça humana tal como a conheCemos até então e tudo sob a justificativa do progresso da ciência…

  2. Os cientistas ocidentais vão ficar para trás nesta área.
    Sempre se soube que isto ia acontecer independentemente de autorizarem no ocidente.
    Esta vai ser uma área de grande procura.
    Quem não vai querer pagar para ter um filho com IQ de 160 em vez de ter a probabilidade de ter um com 80?

  3. JAMAIS irão conseguir humanizar macacos. Criam sim aberrações…
    Falta o software principal, a ALMA HUMANA. Pobres cientistas, esquecem-se do mais importante, porque não conseguem ver mais além da matéria física.

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