Luxemburgo 0-2 Portugal | Campeão marca presença no Euro

Mário Cruz / Lusa

Portugal venceu o Luxemburgo por 2-0 e apurou-se para a fase final do Euro2020 – a 11ª presença consecutiva da turma das “quinas” em fases finais de grandes competições.

Num encontro mal jogado, em parte pelas péssimas condições do relvado, os campeões europeus sentiram muitas dificuldades perante uma equipa anfitriã muito lutadora e, por vezes, incómoda no ataque, mas os portugueses foram sempre superiores, justificando o triunfo graças a números finais que não deixam margem para dúvidas. Bruno Fernandes, na primeira parte, e Cristiano Ronaldo, na segunda, fizeram o resultado, que garantiu o segundo lugar no Grupo B de qualificação.

O jogo explicado em números

  • Início mais complicado do que inicialmente se esperava para Portugal. A formação lusa sentiu muitas dificuldades no primeiro quarto-de-hora para assentar o seu jogo, permitindo que o Luxemburgo registasse 45% de posse de bola e dois remates, tantos quanto Portugal, embora a formação das “quinas” registasse o único enquadrado, da autoria de Cristiano Ronaldo.
  • O cenário não melhorou nos 15 minutos seguinte. Portugal insistia muito no futebol pelo meio, onde os luxemburgueses tinham muita gente, e Ronaldo – encostado à esquerda e longe da área -, tinha de flectir para o meio, onde era anulado em zona frontal. À passagem da meia-hora, os lusos registavam 61% de posse de bola e três remates, tantos quanto o Luxemburgo e só os da casa somavam pontapés de canto (2).
  • O primeiro pontapé de canto português surgiu apenas aos 38 minutos, numa fase em que Ronaldo começava a aparecer mais na grande área e os campeões europeus pressionavam com mais convicção, ainda assim sem criarem grande perigo. Mas começava a cheirar a golo.
  • E esse surgiu aos 39 minutos. Bernardo Silva fez um belo passe para Bruno Fernandes e o médio do Sporting arrancou um belo remate rasteiro, que só parou no fundo da baliza adversária. Ao sexto remate de Portugal, terceiro enquadrado, finalmente o marcador a funcionar.
  • Intervalo A primeira parte esteve longe de ser bem jogada. O Luxemburgo adaptou-se muito melhor às más condições do relvado e pressionou em zonas bem adiantadas, fechando depois muito bem o terreno à frente da sua grande área, anulando uma equipa de Portugal com tendência para afunilar o jogo – má receita frente a formações mais fechadas. O golo de Bruno Fernandes, na melhor fase da turma das “quinas”, veio desbloquear um problema que estava a tornar-se bicudo, com o médio a chegar ao intervalo como melhor em campo. O GoalPoint Rating de 7.5 reflectia o golo que marcou, no seu único remate, mas também 58 acções com bola (máximo do jogo) e oito acções defensivas, entre elas três desarmes e outros tantos bloqueios de passe.
  • No arranque do segundo tempo, Portugal conseguiu limitar as investidas do Luxemburgo, dando ideia de que tinha o jogo controlado, ao contrário do que aconteceu na etapa inicial. Por volta dos 60 minutos, a turma lusa registava 67% de posse e três remates (contra um), embora nenhum enquadrado.
  • Aos poucos, Portugal voltou a complicar, com muitos passes errados (a eficácia nas entregas caiu para 79% por volta dos 70 minutos) e precipitação, e sem lances de perigo, sem conseguir qualquer remate desde a hora de jogo. O destaque luso continuava a ir para Bruno Fernandes, mas também para Ricardo Pereira, o primeiro com seis desarmes, o segundo com cinco – demonstrativo das dificuldades lusas na partida.
  • Só aos 80 minutos Portugal voltou a rematar, num livre directo de Cristiano Ronaldo que passou rente ao poste direito da baliza do Luxemburgo. Muito pouco, numa fase em que os homens da casa já tinham 40% de posse. Mas o golo da tranquilidade acabaria por acontecer.
  • Aos 86 minutos, numa fase completamente incaracterística da partida, Diogo Jota conseguiu uma espécie de remate acrobático, a bola ficou ali aos saltos e, em cima da linha, Cristiano Ronaldo empurrou para o 2-0. Ao quinto remate, segundo enquadrado, o capitão chegava ao seu 99º golo pela selecção e apurava Portugal para o Euro 2020.

O melhor em campo GoalPoint

As dificuldades do jogo obrigaram os jogadores portugueses, incomparavelmente mais talentosos e dotados tecnicamente, a vestir o “fato-macaco” e ir à luta pela posse de bola, e um dos jogadores que melhor se adaptaram a essa situação foi Bruno Fernandes. O médio não só tentou pautar o jogo luso, como trabalhou bastante, contribuindo decisivamente para os momentos ofensivos e defensivos. Bruno foi o melhor em campo, com um GoalPoint Rating de 7.9. Para além do golo que apontou e desbloqueou a partida, o jogador do Sporting foi o mais interventivo, com 97 acções com bola, e esteve incansável, com 11 recuperações de posse, sete desarmes (máximo do jogo a par de Ricardo Pereira) e três bloqueios de passe.

Jogadores em foco

  • Danilo Pereira 6.5 – Jogo de muita luta, e nestes casos, Danilo sente-se como peixe na água. O “trinco” luso ganhou os dois duelos aéreos defensivos em que participou e fez dez recuperações de posse, tendo ainda realizado um dos quatro remates enquadrados da turma lusa.
  • Pizzi 6.6 – O médio do Benfica foi o dono do maior número de passes para remate da formação de Portugal. Dos 12 disparos dos campeões europeus, quatro aconteceram a passes de Pizzi, que ainda registou oito recuperações de posse.
  • Ricardo Pereira 6.7 – O lateral do Leicester teve pela frente o mais perigoso jogador luxemburguês, Gerson Rodrigues – nascido em Portugal. Mas Ricardo não deixou o extremo contrário dar nas vistas, mercê da sua grande capacidade de recuperar a sua posição defensiva. O português somou 94 acções com bola, fez 14 recuperações de posse (máximo da partida) e sete desarmes.
  • Cristiano Ronaldo 5.7 – Mau relvado, jogo de muita luta e pouco futebol, não espanta que Ronaldo tenha passado um pouco ao lado dos acontecimentos. Mas jogo de Portugal sem golo de CR7 é coisa rara, pelo que, ao quinto remate, segundo enquadrado, o capitão marcou e decidiu a partida.
  • Bernardo Silva 6.0 – Mesmo num autêntico “batatal”, Bernardo conseguiu mostrar a sua técnica refinada, tendo feito a assistência para o primeiro golo. No total, o jogador do City fez três passes para finalização, completou 58 de 67 passes e somou 90 acções com bola.
  • Dirk Carlson 7.0 – Excelente exibição do lateral-esquerdo luxemburguês do Karlsruher, que praticamente anulou os perigos de Pizzi, Bernardo ou Ricardo Pereira nos lances ofensivos de Portugal pelo flanco direito. Carlson foi o melhor da equipa da casa (e o segundo melhor rating da partida), com três dribles eficazes (100% de eficácia), oito recuperações de posse e 17 acções defensivas, com destaque para seis desarmes, dois bloqueios de cruzamento e quatro de passe.

GoalPoint

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