“Lodo assassino”. Algas potencialmente mortais invadem praias da Bretanha

Ativistas ambientais consideram que este “lodo assassino” está relacionado com os nitratos dos fertilizantes usados na agricultura intensiva e com os resíduos da produção de gado e de laticínios.

Durante as últimas décadas, começaram a aparecer algas potencialmente letais nas baías da costa noroeste da Bretanha, em França. Segundo o The Guardian, ambientalistas dizem que esta situação está relacionada com os nitratos dos fertilizantes e com os resíduos da produção intensiva de suínos, de aves e de laticínios que fluem para o sistema fluvial e acabam no mar.

Quando as algas se decompõem, gases tóxicos ficam presos sob a sua crosta, tornando-as potencialmente fatais para as pessoas que as pisam. “Pode matar uma pessoa em poucos segundos”, afirma André Ollivro, ex-técnico de gás, que lidera a luta contra o que ficou conhecido como “lodo assassino”.

“Quando tinha 16 anos, costumava trazer um barco para aqui com o meu tio. Naquela época, era só beleza natural e não se via algas empilhadas. É uma pena que este lugar esteja agora associado à morte”, lamenta Ollivro, agora com 74 anos.

Este verão, seis praias foram encerradas em Saint-Brieuc por causa destas algas. Várias escavadoras e camiões levaram-nas para um centro de tratamento, onde depois foram secas e eliminadas. O cheiro resultante deste processo era tão intenso — os locais queixaram-se que tinham acordado à noite por causa desse odor — que o centro teve de encerrar de forma temporária.

A revolta, segundo o jornal britânico, intensificou-se em julho, quando os familiares de um homem, que morreu no estuário de Gouessant em 2016, processaram as autoridades estaduais e locais. A família alegou que não tinha sido feito o suficiente para impedir a propagação das algas e que o público não tinha sido devidamente avisado dos perigos.

Jean-René Auffray, de 50 anos, morreu enquanto corria perto da praia em Hillion. A área onde depois foi encontrado foi a mesma onde, há cinco anos, também morreram mais de 30 javalis. Já em 2009, outro homem, Thierry Morfoisse, morreu repentinamente enquanto conduzia um camião que transportava algas para longe de uma praia.

O líder do partido francês Europa Ecologia – Os Verdes, Yannick Jadot, acusou recentemente o Estado de encobrir os riscos destas algas e de estar mais interessado em proteger a indústria de alimentos.

Do outro lado, Thierry Burlot, vice-presidente responsável pelo ambiente na região da Bretanha e responsável pelo único centro de refugo destas algas, afirma que as iniciativas estaduais reduziram consideravelmente os nitratos no sistema de água nos últimos anos. Um desses exemplos é a baía de Saint-Brieuc, cujos níveis caíram para metade.

“A Bretanha tem cerca de 2700 quilómetros de costa e menos de 5% é afetada por este fenómeno. Há 15 anos, no pior momento, recolhíamos 30 mil toneladas de algas por ano em certas praias da Côtes d’Armor. Agora, são dez mil toneladas por ano“.

Sylvain Ballu, um cientista do Céva (Centre d’études et de valorisation des algues), confirma que há sinais positivos que confirmam que os níveis de nitratos estão a diminuir, mas que isso não é ainda suficiente.

“A poluição geralmente é invisível a olho nu, sobretudo quando se trata de nitratos ou pesticidas. Estas algas tornaram a poluição invisível extremamente visível, malcheirosa e perigosa”, conclui.

ZAP //

 

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