Líder do parlamento autoproclama-se Presidente da Venezuela

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Juan Guaidó, presidente do Parlamento da Venezuela

O presidente do parlamento venezuelano, o opositor Juan Guaidó, autoproclamou-se hoje presidente interino da Venezuela, perante uma concentração de milhares de pessoas, no leste de Caracas.

“Levantemos a mão, hoje 23 de janeiro, na minha condição de presidente da Assembleia Nacional e perante Deus todo-poderoso e a Constituição, juro assumir as competências do executivo nacional, como Presidente Encarregado da Venezuela, para conseguir o fim da usurpação (da Presidência da República), um governo de transição e eleições livres”, disse.

Juan Guaidó começou por fazer referência a vários artigos da Carta Magna venezuelana e fez os manifestantes jurarem comprometer-se em “restabelecer a Constituição da Venezuela”.

“Hoje, dou um passo com vocês, entendo que estamos numa ditadura“, disse vincando saber que a sua autoproclamação “terá consequências”.

Por outro lado, dirigiu-se ao presidente Nicolás Maduro, sublinhando que “aos que estão a usurpar o poder, digo, com o grito de toda a Venezuela: vamos insistir até que regresse a água e o gás, até que os nossos filhos regressem, até conseguir a liberdade”.

Segundo Juan Guaidó “não se trata de fazer nada paralelo”, afirmando que tem “o apoio da gente nas ruas”.

Países da América do Sul reconhecem Guaidó

Os governos do Brasil, Colômbia, Peru, Equador e Costa Rica anunciaram esta quarta-feira em Davos, na Suíça, que reconhecem o presidente do Parlamento venezuelano, Juan Guaidó, como “presidente da Venezuela”.

O anúncio foi feito após uma reunião na qual participaram o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, da Colômbia, Iván Duque, da Costa Rica, Carlos Alvarado, e do Equador, Lenín Moreno, além da vice-presidente do Peru, Mercedes Aráoz.

Iván Duque, que foi o primeiro a tomar a palavra diante de um reduzido grupo de jornalistas, disse que o seu país “reconhece Juan Guaidó como presidente da Venezuela e acompanha este processo de transição para a democracia para que o povo venezuelano se liberte da ditadura”.

Por sua vez, Jair Bolsonaro afirmou reconhecer Guaidó como presidente juntamente com os restantes países do chamado Grupo de Lima. “Daremos todo o apoio político necessário para que o processo siga o seu curso”, assegurou o presidente brasileiro.

o México declarou que vai manter a sua posição sobre a Venezuela e continuar a reconhecer Maduro como o legítimo presidente do país.

EUA reconhecem Guaidó e pedem renúncia de Maduro

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, pediu nesta quarta-feira a Nicolás Maduro que renuncie à presidência da Venezuela, devido à presença de um novo “líder legítimo que reflete a vontade do povo”.

“O povo venezuelano já sofreu durante muito tempo a desastrosa ditadura de Nicolás Maduro. Exigimos que Maduro dê um passo ao lado, a favor de um líder legítimo que refletce a vontade do povo”, disse Pompeo em comunicado.

O governo americano reconheceu esta quarta-feira Guaidó como “presidente legítimo interino” da Venezuela e avisou Maduro de que mantém “todas as opções sobre a mesa” caso haja represálias contra os deputados opositores. A nota reitera o pedido aos militares venezuelanos a que “defendam a democracia e protejam os cidadãos venezuelanos“.

Além disso, o representante da diplomacia americana afirma que o governo dos EUA “está disposto a prestar assistência humanitária ao povo da Venezuela, assim as condições permitam”, um cenário considerado por Maduro e apoiadores como uma agressão.

A Venezuela vive uma situação de incerteza política desde o último dia 10, data em que o presidente Nicolás Maduro tomou posse para um segundo mandato, depois de eleições presidenciais, realizadas em maio de 2018, não reconhecidas pela maior parte da comunidade internacional.

Guaidó proclamou-se agora presidente da Venezuela, no que chamou de luta contra a “usurpação” da presidência por Maduro, a quem classificou como líder “ilegítimo”.

A possibilidade de o presidente da Assembleia Nacional assumir o governo de maneira interina até a convocação de eleições está prevista na Constituição da Venezuela,   caso não haja um governante legítimo e desde que cumprida uma série de condições.

// Lusa

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