“É óbvio que tem de se demitir”. Líder do PAN acusada de agricultura intensiva em empresas de que é sócia

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Paulo Cunha / Lusa

A porta-voz do Partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN) Inês de Sousa Real

A líder do PAN, Inês Sousa Real, é acusada de ser sócia em empresas que praticam agricultura intensiva. A ambientalista nega as acusações.

O secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) arrasou o negócio de produção de frutos vermelhos de Inês Sousa Real e do seu marido, escreve o SOL.

Em declarações ao jornal i, Luís Mira diz que “é óbvio que tem de se demitir”, considerando que “é inaceitável que as pessoas do ponto de vista ideológico e político critiquem aquilo que depois do ponto de vista particular executam. Isso é enganar as pessoas. Se tiver o mínimo de vergonha demite-se”. 

Inês Sousa Real confirmou que esteve ligada a duas empresas agrícolas, mas frisou que essa ligação sempre foi do conhecimento público e que está na declaração de interesses que entregou na Assembleia da República. Em causa estão as empresas Berry Dream e Red Fields.

A ambientalista esclareceu ainda que já saiu de uma das empresas e está à espera que o processo de cessão de quotas da outra seja efetivado, dado que as novas funções como porta-voz do PAN não lhe deixam tempo para acompanhar as empresas.

A deputada foi detentora de 50% do capital da Berry Dream e sócia-gerente até 12 de outubro de 2013, “tendo procedido à cessão de quotas”. Quanto à Red Fields, detém 25% do capital social e, nunca tendo exercido funções de sócia-gerente, está em fase de finalização o processo de cessão de quotas, disse o gabinete de assessoria de comunicação do partido.

Ainda assim, desmentiu que as referidas empresas usem práticas de agricultura intensiva, tendo garantido que, pelo contrário, se pautaram sempre pelas “boas práticas agrícolas, ambientais e sociais”.

A porta-voz do PAN frisou que num dos casos, a empresa tem quatro hectares e que só explora 1,7 hectares, estando o resto em pousio e que na outra a maior dimensão da produção é de agricultura biológica.

“Isso é conversa de chacha”

Luís Mira não se mostra convencido com a venda, diz que “é atirar areia para os olhos” e acrescenta: “Vendeu as quotas possivelmente a um familiar. Como critica uma coisa que pratica? Como ataca uma coisa que pratica? O problema são os princípios, é como dizer que é contra o branco e depois aparecer toda vestida de branco. Qual é a coerência que isso tem?”

“Faz lembrar o BE que tanta criticava o alojamento local e depois tinha pessoas com atividade ligadas a isso. Estamos perante a mesma situação que tivemos com Ricardo Robles. Se houvesse um mínimo de decência e de respeito pelos eleitores aquilo que a responsável do PAN tinha que fazer era demitir-se. Não é possível em termos públicos criticar uma situação e do ponto de vista privado a realize”, disse ainda ao jornal i.

As empresas de Inês Sousa Real foram ainda acusadas de usar estufas, algo que a líder do PAN nega, clarificando que o que está verdadeiramente em causa é a produção em túneis, o que é “diferente”.

“Os túneis, sendo abertos, permitem a entrada do ar, circulação de animais, respiração do solo e circulação das águas da chuva. Podemos dizer que coabitam harmoniosamente nos dois locais animais como toupeiras, cobras e outros repteis, coelhos, diferentes espécies de aves – algumas das quais nidificam inclusivamente no interior dos mesmos –, e de insetos. Ao passo que uma estufa fechada não é compatível com o aumento da biodiversidade”, explicou.

O secretário-geral da CAP alega que “isso é conversa de chacha”, garantindo que “túneis ou estufas são a mesma coisa”.

  Daniel Costa, ZAP // Lusa

5 Comments

  1. É quase impossível para os ecologistas serem totalmente ecológicos….
    E no caso robles, não sei qual foi o problema. É a lei de mercado. Para que é que ele queria comprar um edifício e depois ficar ali parado, empatado, sem solução, sem tratamento estético. O que seria de todos os edifícios nas grandes cidades se não fossem recuperados e vendidos pelo preço certo. As cidades teriam um aspecto muito degradante.

  2. Tanto quanto eu sei, esse Robles demitiu-se. Lembro-me de várias situações semelhantes, quer no PS quer no PSD, em que os visados mantiveram-se agarrados como lapas aos cargos que exerciam. E no entanto o Zé Povinho lá continua a votar sempre nos mesmos. Para estes a ÉTICA passa ao lado.

  3. O sr. Luís Mira está confuso ou é ignorante, no ,mínimo. Ele é, por acaso, membro da PAN para exigir a sua demissão? Quanto muito talvez pudesse pedir, e não exigir, a demissão do cargo de deputada. O que o sr. Luís Mira podia e devia fazer era alertar, como o fez, para as incoerências da senhora deputada esperando que os militantes e simpatizantes das causas do PAN concordassem com os seus argumentos e, assim, retirar alguns votos àquele partido no futuro. Obviamente, não sou membros ou simpatizante do PAN mas tenho a mente suficientemente aberta para perceber as falhas da argumentação do dito senhor que, supostamente é produtor de agricultura intensiva e a trabalhar para as grandes superfícies comerciais.

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