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Líder dos camionistas que pararam o país é advogado de negócios acusado de burla

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António Pedro Santos / Lusa

O vice-presidente do Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas, Pedro Pardal Henriques (dir.)

O homem que deu a cara perante as televisões pelo recém-criado Sindicato dos Motoristas de Matérias Perigosas aquando da grave que lançou o caos no país, dada a falta de combustível nos postos de abastecimento, é um advogado de negócios que enfrenta várias queixas por burla.

Nunca terá sido motorista de profissão, mas o advogado Pedro Pardal Henriques foi um dos lideres da greve do Sindicato dos Motoristas de Matérias Perigosas (SMMP) que deixou muitos postos de abastecimento sem combustíveis.

Este antigo emigrante é vice-presidente do SMMP, mesmo sem alguma vez ter exercido a profissão de motorista de matérias perigosas. E foi ele que deu a cara pelo Sindicato perante os jornalistas, tratando de dar as explicações solicitadas à frente do presidente da estrutura, o camionista Francisco São Bento.

Pedro Pardal Henriques tem feito carreira como advogado de negócios, actuando sobretudo no auxílio de investidores franceses interessados em aplicar dinheiro no mercado imobiliário em Portugal. E é nessa condição que ele é alvo de várias acusações, uma das quais já chegou ao Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa.

O Diário de Notícias (DN) apurou que Pedro Pardal Henriques é acusado de burla por um francês que alega que o advogado lhe ficou com 85 mil euros que estariam destinados à compra de uma propriedade no centro do país, e ainda com outras quantidades de dinheiro mais pequenas por serviços jurídicos que nunca terá prestado.

Este empresário francês que se queixa de Pardal Henriques prefere manter o anonimato e não é o único com críticas ao trabalho do homem que foi administrador da Câmara de Comércio e Indústria Franco-Portuguesa (CCIFP) em Nice, França.

A CCIFP tinha por missão auxiliar portugueses a investir em França, bem como ajudar franceses interessados em investir em Portugal. E foi neste campo que Pardal Henriques se afirmou profissionalmente.

Monsieur Pedro foi-nos apresentado na Câmara de Comércio e Indústria Franco-Portuguesa” como “alguém de confiança”, explica ao DN a gestora de negócios do empresário francês queixoso.

A reafirmar essa imagem de confiança, o advogado deslocar-se-ia num carro topo de gama, alegando que era seu. Mas, na verdade, a viatura seria “de um rent-a-car de um amigo do norte” e “custava-lhe 2500 euros por mês de aluguer“, explica o DN, atestando que “terá os últimos quatro meses em falta”.

Na CCIFP, lamenta-se que Pardal Henriques “traiu” a entidade e “foi muito mau para Portugal”, prejudicando não só a imagem da Câmara de Comércio, mas também dos próprios portugueses.

O advogado de negócios que é sindicalista dos camionistas terá começado a trabalhar com investidores franceses ainda antes de ter obtido a cédula profissional. Os seus negócios eram feitos através da empresa Pelicanus Corporate Advisors que tem sede na morada da sociedade de advocacia International Lawyers Associated, a mesma morada do Sindicato dos camionistas.

Camionistas exigem salários de 1200 euros

Após o acordo que deu por finda a greve e que aponta para o próximo dia 29 de Abril o início das negociações com a ANTRAM (Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias), o Sindicato já redigiu a proposta para um Acordo Colectivo para os motoristas que representa, com vista a melhores salários e condições de trabalho.

O SNMMP vai bater-se por um aumento dos salários para os 1.200 euros e também pela redução da idade de reforma, devido ao contacto constante com substâncias químicas nocivas à saúde. A ideia é conseguir que cada 4 anos de trabalho com produtos químicos, seja convertido num ano de abatimento na idade de reforma, explica em entrevista à Lusa o presidente do Sindicato.

“Se somarmos todos os complementos que são atribuídos aos motoristas e o salário base de 630 euros dá um valor próximo de dois salários mínimos e é isso que reivindicamos para salário base, que ficaria indexado ao salário mínimo nacional, acompanhando os respectivos aumentos”, refere ainda Francisco São Bento.

Mas os suplementos de transporte nacional e internacional são para manter, segundo o sindicato, pois funcionam como uma espécie de ajuda de custo ao trabalhador deslocado em serviço.

O SNMMP defende ainda a criação de um subsídio de operação de matérias perigosas, no valor de 240 euros, para compensar os trabalhadores pelo contacto constante com matérias químicas.

“No fundo, o que nós queremos é um Acordo colectivo que valorize e respeite esta categoria profissional. Não somos melhores nem piores, mas existem diferenças, nomeadamente ao nível das exigências que nos são feitas”, explica Francisco São Bento.

  ZAP // Lusa

11 Comments

  1. Essa notícia é referente a Portugal, não tem nada a ver com nosso momento! Estão misturando as coisas, confundindo a opinião do povo.

    • Só mistura as coisas quem anda mesmo muito distraído!…
      Quem vem a um site de noticias de Portugal, deve deduzir que a maioria das noticias irão ser referentes a Portugal!…

  2. Será que a “patranhada” faz parte dos curriculos das licenciaturas em Direito? – Até parece, porque são sem pre “eles”…

  3. Aqui está um indivíduo a precisar de uma purificação divinal e nada melhor que se inscrever na CGTP e como comuna ficará automaticamente com o currículo limpo e pronto para todas as batalhas que aí vierem.

  4. Bem vamos lá ver,tinha esposa trabalha com matérias perigosas, químicos, reagentes, ácidos, etc, há mais de 25 anos, ora se esta lei for aprovada para estes motoristas, nos também queremos sempre fica reformada com menos 6 anos sem abater nada….rsrsrsrsrs, queridas………

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