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Libertado o caricaturista que profanou o profeta

khalid Albaih / Flickr

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Um tunisino detido desde 2012 por ter difundido na internet desenhos e textos considerados blasfémicos foi hoje libertado, suscitando reações de regozijo entre os seus apoiantes, que o consideravam o primeiro prisioneiro de opinião após a revolução.

Condenado a sete anos e meio de prisão, Jabeur Mejri, 29 anos, foi libertado esta tarde cerca de duas semanas após um perdão presidencial, indicou a sua advogada, Ahmed Mselmi, à agência noticiosa AFP.

“Está em casa, em Mahdia, e bem instalado”, indicou Ahmed Mselmi, precisando que chegou a sua casa pelas 20:00 locais (hora de Lisboa).

Em 19 de janeiro a presidência anunciou a sua libertação, mas Mselmi foi mantido na prisão devido a uma súbita medida de detenção provisória pronunciada num misterioso caso de desvio de fundos.

A advogada recorreu e a justiça acabou por reconhecer os seus argumentos. De acordo com Ahmed Mselmi, o jovem tem sido ameaçado pela corrente salafista (islamitas radicais) e pode em teoria deixar a Tunísia.

O seu amigo Ghazi Beji, condenado à mesma pena e por motivos semelhantes, fugiu da Tunísia em março de 2012 e obteve asilo em França, após uma longa viagem pelo Magrebe e Europa.

Jovens desempregados de Mahdia (150 quilómetros a sul de Tunes), foram ambos condenados por terem difundido na internet textos e desenhos considerados insultuosos para o islão e o profeta Maomé.

amnestyfr / Facebook

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Diversas ONG e militantes dos direitos humanos mobilizaram-se pela causa de Mejri. Para a Amnistia Internacional era o primeiro prisioneiro de opinião na Tunísia desde a revolução de janeiro de 2011 que derrubou o regime autocrático de Zine El Abidine Ben Ali, refugiado na Arábia Saudita.

As organizações sublinharam que a sua detenção era contrária à nova Constituição tunisina, aprovada em janeiro e que garante as liberdades de consciência, opinião e expressão.

No entanto, o Comité de apoio ao jovem agora libertado manifestou preocupação face ao caso de alegado desvio de fundos, por recear um regresso aos métodos do regime deposto.

“Ao recuperar a tradição tunisina dos processos de opinião da era Ben Ali, é invocado um motivo de direito comum para justificar o prolongamento da detenção de um prisioneiro de opinião”, sublinhou em comunicado o Comité de apoio.

O Presidente Moncef Marzouki, um militante dos direitos humanos e exilado durante o consulado de Ben Ali, resistiu durante meses à ordem para libertar Jabeur Mejri pelos riscos da medida devido à emergência dos grupos salafistas no país magrebino após a revolução.

/Lusa

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