Os três Kamov que restam precisam de peças que não existem no mercado

Nuno André Ferreira / Lusa

Um helicóptero Kamov combate o fogo em São Pedro do Sul, Viseu

Os três Kamov que restam ao serviço do Estado deverão ficar impedidos de voar brevemente, devido a um tipo de peça em fim de prazo que existe em todos eles.

Embora a empresa que opera os helicópteros afirme que estão aptos a voar, sem a peça não conseguirá que a Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC) autorize os Kamov a voltarem ao serviço.

Há cerca de um mês que as três aeronaves estão paradas. Duas delas estavam em manutenção longa e a terceira, ao serviço do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), está parada porque a ANAC exige a tal peça nova. Agora, sabe-se que os outros dois aparelhos em manutenção precisam também dos componentes novos.

A Everjets, empresa que opera os aparelhos, pediu o prolongamento de vida do componente, mas a ANAC rejeitou esse pedido, frisando que só autoriza um dos helicópteros a voar com a substituição da peça – pelo que deverá manter a decisão em relação aos outros dois.

Esta decisão faz com que o Estado tenha os únicos três Kamov que lhe restam impedidos de voar. No entanto, e de acordo com o Público, a Everjets não tem o componente em falta.

Não existe a peça no mercado, a Everjets fez todas as diligências no sentido de a encontrar mas sem sucesso. Até lá somos forçados a usar as que existem sempre dentro das normas de total segurança já comprovada pelo fabricante”, garante o presidente da empresa, Ricardo Dias.

A empresa assegura, porém, que já encomendou novas para as deixar nos helicópteros no fim do contrato, em 2019.

ANPC vê os prazos a derrapar

Ao jornal, a ANPC conta que a Everjets “apresentou como nova data estimada para aprontamento o dia 26 de fevereiro“. No entanto, a empresa sublinha que este prazo está dependente da avaliação do fabricante, que pode demorar “uns 15 dias”, sendo depois necessária a autorização da ANAC.

Até lá, a ANPC soluciona o problema com substituições. Um dos Kamov foi substituído por dois helicópteros ligeiros (que não estão aptos a fazer o trabalho para o INEM), outro ainda tem autorização para estar parado e quanto ao terceiro a Protecção Civil já exigiu o pagamento de penalidades “cujo valor final dependerá do período” durante o qual estiver inoperacional.

Mas a empresa recusa-se a pagar estas multas. “Apenas não se encontra a voar por questões administrativas, a Everjets entende que não existe lugar a qualquer penalidade”, refere Ricardo Dias.

Para além do diferendo com a ANAC, o diário avança que a Everjets tem problemas com a empresa que subcontratou para fazer a manutenção dos Kamov, já que esta reclama o pagamento de alguns milhões de euros. Nos últimos dias avisou inclusivamente que, caso não houvesse um acordo de pagamento, a manutenção das aeronaves pararia.

Apesar da divergência, o presidente nega “que haja um boicote. Estamos em negociações amistosas para um acordo mais abrangente, que é confidencial. A manutenção está a ser cumprida”, assegura.

Ministro-adjunto garante que haverá mais meios aéreos

Pedro Siza Vieira garantiu, em entrevista à Renascença, que o Governo tem planos de contingência para assegurar que os meios aéreos estão disponíveis no Verão para o combate aos incêndios e que não vai haver processo contra o SIRESP.

“O problema essencial é assegurar que o sistema de emergência, em situação de fogo ou outra, está capacitado para responder. O caminho que se entendeu foi de reforçar a participação do Estado no SIRESP”, referiu.

Em relação à ameaça de incêndio florestal, o ministro-adjunto afirmou que esta “é talvez a maior ameaça que hoje enfrentamos à segurança coletiva“.

“Temos que estar preparados quer ao nível das ações de prevenção que estão a ser levadas a cabo, no sentido da limpeza de matos e gestão de combustível, quer ao nível do reforço dos meios e capacitação das populações. E temos que ter mais botas no terreno, mais patrulhamento, mais vigilância, para tentar diminuir o número de ignições e de ser mais eficaz no combate”, disse o ministro à rádio.

Questionado sobre se estaria seguro de que estarão disponíveis mais meios, incluindo meios aéreos, Siza Vieira respondeu que “mesmo meios aéreos, disso estou seguro“.

“O MAI está muito em cima desse tema. E tem os planos de contingência preparados para assegurar que os meios aéreos estão disponíveis ao preço que for mais adequado, tendo em conta as condições do mercado”, garantiu o ministro-adjunto.

ZAP //

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12 COMENTÁRIOS

  1. Quando for o momento da emergência, alguém vai alargar os cordões a bolsa, para “ninguém” ficar mal na fotografia – à custa do Zé, obviamente.

  2. Isso é problema da Everjets!!
    Ganhou o concurso duvidoso com a ajuda do mafioso ministro Macedo e agora só tem que pôr os aparelhos em condições de voar!!
    Se a Heliportugal trabalhava mal, esta é o que se vê: uma empresa completamente mafiosa e que, com ajuda de corruptos como o Macedo e amigos, tem sacado milhões ao Estado sem prestado qualquer serviço publico digno desse nome…
    E foi assim que o Passos e companhia “salvaram” o país!…

    • Exactamente.
      Qual Everjets, qual Heliportugal.
      A questão foi e sempre será: porquê essa escolha de helicópteros russos, quando é sabido a especificidade e tipos de peças, etc?
      Disso ninguém fala, mas aí é que está o fundo da questão. E são MILHÕES deitados pro lixo!

    • Boa manolo. Acho que os devíamos entregar ao camarada Jerónimo para ele os colocar no topo da sede do PCP, como símbolo da alta tecnologia russa.

  3. O Estado, os Governos, e estes políticos corruptos a brincar com o nosso dinheiro !
    Ninguém coloca os responsáveis por estas negociatas, no banco dos réus ?
    Os Kamovs foram comprados para não haver necessidade de pagar milhões a helis alugados.
    Mas alguém tratou de os arrumar de vez, e continuar a alimentar as empresas de aluguer.
    Como a corrupção foi transversal a vários governos, ninguém se mostra interessado em desmascarar a negociata.

  4. Então e os críticos da compra dos 2 submarinos não aparecem por aqui a condenar a compra dos Kamov? É que entre a compra de 2 submarinos que pelos vistos funcionam a 100% e têm garantia de assistência havendo apenas pelos vistos alguém pelo meio que terá beneficiado com o negócio ilegalmente segundo acusações aqui com os Kamov temos tudo isso e acima de tudo uma compra irresponsável de artigo sem qualidade nem assistência, pura sucata que nos custou milhões e que apenas serve para nada servirem na altura de maior necessidade.

  5. Merdas a parte…

    Nos tugas somos especialistas na arte de desenrascar. Porque nao criamos nos as pecas? Nao faltam empresas em Portugal com capacidade para as produzirem!!!!

    Sera que ha interesses pelo meio, para que se compre novos helicopteros?

    DEEM VALOR AS NOSSAS EMPRESAS, que em termos de how-know estao no topo a nivel mundial.

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