Jogadores com resultados errados nos testes à covid-19. Segurança da Liga pode estar comprometida

Robin Van Lonkhuijsen / EPA

Foram identificados casos de futebolistas que tiveram resultados positivos para a covid-19, mas que, afinal, não estavam infectados. O erro envolve o laboratório Unilabs que foi escolhido pela Liga como parceiro para este período de pandemia, e onde um dos administradores é filho do presidente da Federação Portuguesa de Futebol.

A notícia é avançada pelo Expresso que salienta que o laboratório escolhido pela Liga deu vários resultados errados. Até ao momento, terão sido detectados apenas falsos positivos, isto é, jogadores que foram dados como infectados, mas que, afinal, não o estavam.

“Em 11 análises realizadas, a Unilabs acertou em duas”, sustenta o semanário que refere que a denúncia foi feita por um médico do Hospital de São João que a detectou por um mero acaso.

O clínico está a fazer um estudo de identificação de anticorpos à covid-19 entre atletas de diversas modalidades “e tinha resultados negativos muito recentes para os jogadores do Guimarães que a Unilabs deu como infectados”, explica o Expresso.

Após as contra-análises realizadas no Hospital de São João, detectou-se o erro nos testes de diagnóstico.

No Vitória de Guimarães terão sido identificados “três positivos e um inconclusivo” e no Famalicão “sete positivos”, mas apenas dois dos casos positivos seriam de facto correctos em ambos os clubes, como aponta o mesmo jornal. Os outros nove testes seriam, na verdade, negativos.

As dúvidas pairam, agora, quanto à possibilidade de haver outros casos de falsos positivos, o que terá afastado jogadores dos treinos, para ficarem em isolamento, sem ser necessário. Essa circunstância afectou a preparação dos jogadores para a retoma da Liga no próximo dia 3 de Junho.

Mas, num cenário pior, teme-se que possa haver falsos negativos, isto é, jogadores onde não foi detectado o vírus e que, por isso, tenham continuado a treinar infectados, correndo-se o risco de aumentar a propagação da doença. Esta possibilidade põe em causa a segurança do campeonato.

Laboratório admite falsos positivos, mas nega erros

O director técnico da Unilabs, António Maia Gonçalves, assegura ao Expresso que não houve quaisquer erros nos procedimentos, garantindo que o teste utilizado pelo laboratório cumpre todos os requisitos da Direcção Geral de Saúde, identificando a presença do coronavírus “com resultados em cinco ou mais horas”.

Todavia, Maia Gonçalves realça que o teste “não tem uma sensibilidade de 100%”. “O teste tem 97% de especificidade e 83% de sensibilidade, portanto 3% de falsos positivos, e estamos dentro dessa estatística. Não há erro nenhum, é uma característica do próprio teste”, sustenta o director da Unilabs.

“O interesse em fazer os testes é evitar contágios e apostar na especificidade é garantir a segurança. Ter um falso negativo seria pior do que falsos positivos”, refere ainda Maia Gonçalves, notando que “tem de se pecar por excesso de zelo”.

A Liga Portuguesa de Futebol Profissional afiança ao semanário desconhecer a existência de erros nas análises.

Entretanto, o Hospital de São João afirma, em comunicado, que desconhece o estudo em torno da imunidade de atletas que é citado pelo Expresso e realça que não tem qualquer “protocolo com clubes de futebol portugueses para colheita de análises de pesquisas de covid-19, e não tem conhecimento de resultados de testes de atletas de clubes”.

Unilabs tem na administração filho do presidente da FPF

A realização de testes de diagnóstico é um dos critérios essenciais para a retoma do campeonato que vai voltar a 3 de Junho próximo.

Os atletas têm que fazer dois testes de despistagem por semana, um 48 horas antes do jogo e outro o mais perto possível da hora do encontro. Ao todo, nas 10 jornadas que falta disputar, cada atleta vai fazer 22 testes.

A Unilabs foi a parceira escolhida pela Liga para este processo, embora haja clubes que tenham optado por outros laboratórios.

O Expresso atesta que o laboratório multinacional tem no conselho de administração o filho do actual presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Sérgio Gomes da Silva, bem como o filho do antigo presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia (Luís Filipe Menezes), Luís Menezes.

O laboratório assegura, numa nota citada pelo semanário, que “a Unilabs é uma empresa com um código de conduta que impõe e garante a independência de todos os seus colaboradores na relação com todos os stakeholders internos e externos da empresa”.

Sobre o protocolo para a realização dos testes aos futebolistas, “foi feito na sequência de um processo de consulta ao mercado a vários operadores, com critérios de decisão da responsabilidade da Liga Portugal”, conclui a Unilabs.

ZAP //

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1 COMENTÁRIO

  1. Claro a Unilabs , defende-se , com o excesso de zelo !! Mas não será bem assim !
    Ou será antes excesso de trabalho , porque é preciso aproveitar a galinha dos ovos de ouro , enquanto
    não acaba !!
    Onde é que eu vi , queixas dessa entidade ??
    Suspender imediatamente as licenças , Sra . Ministra , é urgente , que tome esta decisão , amanha já é
    tarde .
    Que garantias tem , qualquer pessoa , que pagou, não sei quanto por analise , como certo ou errado ser portador do bicho ???
    O mínimo, penso eu , é a Unilabs , repetir todas as analises efectuadas a todos as pessoas que se submeteram , a testes nesse laboratório , caso não tenham confiança na repetição , pagarem os testes noutro laboratório , eu exigiria , mesmo , o teste em dois laboratórios diferentes .
    Quantos testes, estarão errados , nesse e noutros laboratórios ???? Andam a brincar com a saúde de
    todos, isso andam !!!!!!
    Cuidem-se

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