Jerónimo admite abdicar da liderança do PCP já em 2020 (mas não vai “calçar as pantufas”)

Miguel A. Lopes/ Lusa

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa

O líder comunista, que vai comemorar o seu 72.º aniversário a 13 de abril, admite não se voltar a recandidatar, mas sublinha que não vai “calçar as pantufas”.

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, admite não ser recandidato à liderança do partido dentro de menos de dois anos porque “é da lei da vida”, mas frisa que não vai “calçar as pantufas” e continuará militante comunista, sendo uma decisão do coletivo partidário.

Em entrevista à Lusa, Jerónimo de Sousa adotou um tom e discurso assentes no particípio passado e algo nostálgicos até quando questionado, insistentemente, sobre o seu futuro no Congresso Nacional ordinário do PCP, previsto para o final de 2020.

“Até hoje, e já lá vão 14 anos, se há coisa que levo comigo são as grandes manifestações de solidariedade em momentos difíceis que o coletivo partidário tem tido para com o secretário-geral, nos bons e maus momentos. Aceitei esta responsabilidade que os meus camaradas entenderam atribuir-me, procurando estar à altura, o que não é fácil, mas percebi que nestas tarefas cada um de nós tem de perceber e escolher o momento para alterar as suas responsabilidades”, disse.

O líder comunista, que vai comemorar o seu 72.º aniversário em 13 de abril, completará década e meia como secretário-geral do PCP em novembro.

“Inevitavelmente – é da lei da vida -, acabarei por ter responsabilidades no partido diferentes, alteradas, embora com um sentimento: não vou calçar as pantufas, vou continuar como militante, como a pessoa que sou, a ajudar o meu partido. Continuarei a ser comunista”, acentuou, escusando-se a “fazer previsões”, pois trata-se de “uma decisão que passa, em primeiro lugar, pelos” seus “camaradas”.

Colocado perante a possibilidade de não continuar na liderança do mais antigo partido político português (com 98 anos), Jerónimo de Sousa limitou-se a dizer que “sim, é possível, mas também não é impossível uma outra decisão“.

O histórico secretário-geral do PCP durante 31 anos (1961-1992), Álvaro Cunhal, foi sucedido pelo antecessor de Jerónimo de Sousa, Carlos Carvalhas, aos 79 anos.

“Eu vim para a política, como jovem sindicalista, com o ardor da juventude, para ser capaz de dar a minha contribuição, o melhor que sabia e podia. Procurando, com os meus camaradas mais velhos, apreender aquela grande lição de que a política é uma coisa nobre desde que seja para servir os interesses dos trabalhadores e do povo e não a nós próprios”, continuou.

O atual líder comunista prevê que, “em relação a 2020, a vida o dirá, mas” vinca ter a “consciência” de que esteve “sempre do lado certo”.

Vou sair, em termos materiais, como entrei. Pode-se ver aliás pelo balanço do Tribunal Constitucional [rendimentos de cargos públicos], não são palavras de circunstância. Ter esta consciência de que dei o melhor que sabia e podia, não sendo perfeito, não sendo o suprassumo da batata, mas acreditando nesta causa, neste projeto, dando o meu melhor”, disse.

Nunca me candidatarei. É o meu partido que candidata, seja para a Presidência da República, Assembleia da República, Parlamento Europeu, uma autarquia, a decisão é do partido. Posso ter opinião e tenho, mas nunca me ouvirão dizer que ‘eu quero ser’ secretário-geral ou que ?não quero ser’. Não tenho aqui um horizonte limitado”, insistiu.

Jerónimo de Sousa esclareceu que, “naturalmente, o congresso poderá resolver” e que, “numa situação de saúde ou problema deste género, o comité central em qualquer momento está em condições de substituir o secretário-geral”.

“Sejamos francos. Gostava de o ver, quando tiver 71 anos, andar aí de ponta a ponta do país, numa tarefa exigente, não só física como anímica e intelectual, e continuar a procurar dar resposta, com todos os efeitos que isso tem na vida de uma pessoa. Isto é uma pena, mas todos nós vamos morrer. Toda a gente acaba por envelhecer“, afirmou, sobre o desgaste inerente às funções.

“Quando eu dizia que vou sair, no dia em que sair, mais depressa ou mais para a frente, queria sair e vou conseguir, com a consciência tranquila de que, no quadro das minhas limitações e defeitos, procurei fazer o meu melhor pelo meu povo, pelo meu país, este é o sentimento: não aproveitei nada da política a não ser este sentimento de termos a consciência tranquila”, desejou.

ZAP // Lusa

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