Irão produz urânio enriquecido a 20% em instalação nuclear subterrânea (e viola acordo nuclear)

Abedin Taherkenareh / EPA

A International Atomic Energy Agency, em Isfahan, no Irão, durante uma inspeção em fevereiro de 2007

Esta segunda-feira, o Irão informou ter dado início ao processo de produção de urânio enriquecido a 20% na central nuclear subterrânea de Fordo, bem acima do limite estabelecido pelo acordo internacional de 2015.

Segundo a Associated Press, a televisão estatal iraniana citou o porta-voz Ali Rabiei dizendo que o Presidente Hassan Rouhani deu a ordem para a mudança nas instalações de Fordo. “O processo de produção de urânio enriquecido a 20% começou no complexo de Shahid Alimohammadi (Fordo)”, localizado 180 quilómetros a sul de Teerão, disse.

Numa carta datada de 31 de dezembro, o Irão tinha informado a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) do seu desejo de produzir urânio enriquecido a 20%.

De acordo com o último relatório disponível da agência da ONU, publicado em novembro, Teerão enriqueceu urânio com um grau de pureza superior ao limite previsto no acordo de 2015 (3,67%), mas não havia ultrapassado o limite de 4,5%, e ainda cumpria o regime de fiscalização muito rigoroso da Agência.

Entretanto, todo este processo tem sofrido muita turbulência desde o assassínio, no final de novembro, do físico nuclear iraniano Mohsen Fakhrizadeh.

Na sequência deste ataque atribuído pelo Irão a Israel, o parlamento iraniano aprovou uma lei polémica que pede a produção e armazenamento de “pelo menos 120 quilos por ano de urânio enriquecido a 20%” e o “fim” das inspeções da AIEA, que tem como objetivo verificar se o país pretende adquirir a bomba atómica.

O Governo iraniano opôs-se a esta iniciativa, que foi denunciada pelos demais signatários do acordo de 2015 e que em dezembro haviam apelado a Teerão para não “comprometer o futuro”.

A partir de maio de 2019, o Irão já tinha começado a libertar-se dos principais compromissos assumidos no acordo de Viena de limitar o seu programa nuclear em troca do levantamento das sanções internacionais contra o país.

Esse desvincular dos compromissos começou um ano após a retirada unilateral dos Estados Unidos, seguida pela reintrodução de pesadas sanções norte-americanas que privaram o Irão das esperadas consequências do acordo

ZAP // Lusa

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8 COMENTÁRIOS

  1. O Irão nada mais faz do que defender-se, pois os Estados Unidos deixaram o acordo nuclear unilateralmente, continuam com as criminosas sanções económicas a exemplo do que fazem
    com outros países soberanos e o aliado sionista com as costas quentes vai paulatinamente
    assassinando personalidades iranianas, conforme, aliás, procede em relação ao martirizado
    povo palestiniano.

    • Quem defende um regime ditatorial, fundamentalista e castrador das mais básicas liberdades, só pode ser considerado um hipócrita ou um imbecil.

      • Os EUA defendem a Arábia Saudita, que é isso tudo e bem pior!…
        Além disso, boa parte dos terroristas do 11 Setembro eram sauditas…

    • Não vi ninguém a defender o Irão e muito menos o regime iraniano mas, convém saber do que se fala!
      O Irão está assim, principalmente por culpa do EUA, que, com os seus truques do costume (e também com as consequências do costume), tiram um governo moderado do poder para colocar lá estes loucos e, claro que foi uma questão de tempo até os cães raivosos se revoltarem contra o “dono”!..
      .
      O Irão era, de longe, o país mais desenvolvido e civilizado do M. Oriente…

      • Não quero dizer que a razão esteja apenas do lado dos USA e não é apenas este país que considero perigoso, a Arábia Saudita como refere noutro comentário faz parte da lista e todos os outros daquela área geográfica, hoje estão a favor, amanhã já poderão estar contra, mas pior do que eles são aqueles que lhes vendem a tecnologia e armamento e esses sabemos quem são.

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