Investigador atesta que Jesus foi um judeu revolucionário, politicamente consciente

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Reza Aslan, autor da obra “O Zelota – a vida de Jesus da Nazaré”

Reza Aslan, autor da obra “O Zelota – a vida de Jesus da Nazaré”

O professor Reza Aslan, autor de “O Zelota”, afirma que Jesus Cristo foi um “zeloso revolucionário”, um “judeu politicamente consciente”, sobre o qual “há apenas dois fatos históricos sólidos”: ter liderado um movimento judaico na Palestina e a sua crucificação.

Segundo Aslan, que leciona História das Religiões na Universidade da Califórnia, Jesus, tal como outros, envolveu-se “na agitação religiosa e política da Palestina do século I”, e “tem poucas semelhanças com a imagem do pastor pacífico cultivada pela comunidade cristã primitiva”. “Porque é que os autores dos evangelhos se esforçaram tanto por moderar a natureza revolucionária da mensagem e do movimento de Jesus?”, questiona-se Aslan, nesta obra editada pela Quetzal.

“Há apenas dois fatos históricos sólidos acerca de Jesus de Nazaré: que foi judeu e liderou um movimento popular judaico na Palestina, no início do século I, e que Roma o crucificou” por o ter feito, atesta Aslan.

Para o autor norte-americano de ascendência persa, Jesus de Nazaré terá liderado um movimento em tudo análogo a outros do seu tempo, que visavam derrubar o domínio de Roma sobre aqueles territórios, como foi o dos Zelotas, os liderados por Simão, filho de Giora, por Simão, filho de Kokba, ou por Judas, o Galileu, sendo que “a imagem que emerge da Palestina do século I é dum tempo carregado de energia messiânica”.

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Purificação do Templo (1875), óleo de Carl Heinrich Bloch

Purificação do Templo (1875), óleo de Carl Heinrich Bloch

Jesus histórico

A mais antiga referência não bíblica a Jesus é do historiador judeu Flávio Josefo, no século I, que escreveu que um sumo sacerdote, Anás, condenou ilegalmente à morte “Tiago, irmão de Jesus, aquele a quem chamam messias”, cita Reza Aslan. O autor afirma que a expressão “aquele a quem chamam messias” é “de escárnio”, mas, em 84d.C., Jesus “era amplamente reconhecido como fundador de um novo e duradouro movimento”.

A outra referência é do século II, pela mão dos historiadores Tácito e Plínio, o Jovem, que mencionam Jesus, mas dando poucos pormenores. Sendo assim “resta-nos, por isso, a informação que podemos retirar do Novo Testamento”, alertando o autor que este começou a ser escrito por diferentes autores, “cerca de duas décadas depois da morte de Jesus”.

A reescrita dos textos bíblicos

O primeiro documento é a “Carta aos Tessalonicenses”, de Paulo, a primeira de um conjunto de Epístolas, mas o apóstolo “mostra uma extraordinária falta de interesse pelo Jesus histórico”.

Por outro lado, em relação aos Evangelhos, “com a possível exceção de Lucas, nenhum dos que temos foi escrito pela pessoa que lhe deu nome”, garante o autor.

As obras que compõem o Novo Testamento, escreve Reza Aslan, são “pseudoepígrafas”, isto é, são atribuídas a um autor, mas não escritas por ele, o que era comum na Antiguidade, e “não se devem considerar de modo nenhum falsificações”.

O evangelho segundo Marcos foi escrito cerca de 40 anos depois da morte de Cristo, com base numa “coleção de tradições orais e talvez um punhado de tradições escritas”.

Reza Aslan afirma que os cristãos ficaram insatisfeitos com os escritos do evangelista e “ficou à responsabilidade dos sucessores de Marcos, Mateus e Lucas, desenvolver o texto original” e, deste modo, “atualizaram a história, juntando-lhe as suas próprias tradições exclusivas”.

O autor chama a atenção para a biblioteca de escrituras não canónicas (não reconhecidas pela Igreja), redigidas nos séculos II e III, “que dão uma perspetiva muito diferente da vida de Jesus da Nazaré”, e incluem entre outros textos atribuídos a Tomé, Filipe, Maria Madalena e o “livro secreto de João”.

Sobre o seu livro, “O Zelota – a vida de Jesus da Nazaré”, Aslan afirma que é “uma tentativa de recuperar o Jesus antes do cristianismo”, e adverte que o Jesus que mostra “pode ser o que não esperamos [e] certamente não será o Jesus que a maioria dos cristãos modernos reconheceria”.

/Lusa

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