“Inverno escuro”, negócios de família e o apelo aos “swing states”. Assim foi o último debate presidencial

Os candidatos à presidência dos Estados Unidos encontraram-se pela última vez antes das eleições, em Nashville, Tennessee, mas desta vez num tom onde não prevaleceram os gritos e os insultos. Contudo, os ataques foram duros e mostraram as visões radicalmente diferentes que os candidatos têm.

Desta vez o debate presidencial decorreu em outros moldes. Para além de terem os microfones desligados para evitar o caos do primeiro debate, o último encontro entre Donald Trump e Joe Biden ficou marcado por um tom mais sóbrio. Embora em questões de saúde, economia, racismo e imigração os candidatos mostraram ter posições muito distintas.

O debate moderado pela jornalista da NBC News, Kristen Welker, também passou por alguns dos temas mais explosivos que estão a consumir o ciclo noticioso nos Estados Unidos. Perante estes assuntos Joe Biden procurou ser mais assertivo, já Donald Trump arremessou os podres que acredita ter descoberto sobre o oponente.

Esta foi a derradeira oportunidade para os eleitores norte-americanos mudarem as opiniões de uma parte do eleitorado, uma vez que cerca de 50 milhões de pessoas já votaram por correspondência.

“Inverno escuro”

Mais uma vez a pandemia de covid-19 foi um dos assuntos mais marcantes do debate.

Joe Biden, avisou que os Estados Unidos vão entrar num “inverno escuro” por causa da pandemia de covid-19. “Estamos prestes a entrar num inverno escuro e ele não tem um plano claro”, disse o democrata, referindo-se a Trump.

“220 mil americanos mortos”, afirmou Biden. “Qualquer pessoa que é responsável por tantas mortes não deve continuar a ser Presidente”, defendeu, referindo que o país está neste momento a lidar com 70 mil doentes por dia.

O Presidente dos EUA defendeu a resposta da administração e enquadrou a crise como “uma pandemia mundial”, apontando que a Europa está com um grande aumento de casos de infeção, e lembrando que “temos uma vacina a chegar, está pronta e será anunciada dentro de semanas”.

Trump assegurou é que a pandemia “está a ir-se embora”, algo que Joe Biden criticou, apontando que o republicano “ainda não tem um plano compreensivo” e que a sua previsão para a vacina não é suportada pelas indicações dos cientistas.

“Não nos podemos fechar na cave”, alertou Trump, indicando que se Biden for eleito vai “encerrar” o país todo. “A cura não pode ser pior que o problema em si”, dizendo que Nova Iorque é uma cidade fantasma e criticando a resposta dos estados democratas que ordenaram confinamento.

“Não tenho culpa de que isto tenha chegado cá, a culpa é da China”, afirmou o Presidente dos EUA.

Ataques a Hunter Biden

Depois de ser pressionado por Donald Trump no último debate, Joe Biden defendeu as ações do filho Hunter Biden na Ucrânia e garantiu que nunca recebeu dinheiro de entidades de fora dos EUA. “Nunca recebi um centavo de fontes estrangeiras em qualquer altura da minha vida”, afirmou o candidato democrata.

“Se estas coisas são verdade sobre a Rússia, Ucrânia, China e outros países, então ele é um político corrupto”, acusou Donald Trump. O Presidente referia-se às alegações de que o ex-vice Presidente ganhou dinheiro de forma ilícita num esquema com o seu filho.

Trump acusou Biden de ter recebido 3,5 milhões de dólares (2,97 milhões de euros) da Rússia e referiu o cargo de Hunter Biden na Burisma, uma empresa de energia ucraniana, com possíveis conflitos de interesse. Biden respondeu que “nada foi antiético” na conduta do filho

O democrata disse ainda que “a pessoa que se meteu em problemas na Ucrânia foi ele”, apontando para Trump. “O meu filho não fez dinheiro com a China. Ele é que fez“, aproveitando assim para lançar farpas sobre as acusações de Trump ter uma conta “secreta” no país asiático.

Questionado pela moderadora Kristen Welker, Trump justificou a conta bancária com o seu histórico de homem de negócios e voltou a apontar baterias à família Biden, caracterizando-a como “um aspirador” que “limpa dinheiro” em todos os sítios por onde passa.

A imigração, o racismo e o foco nos swing states

A discórdia voltou quando se discutiu a imigração. Trump disse que foi a Administração Obama que construiu as “jaulas” para os imigrantes. Biden lembrou o meio milhar de crianças separadas dos pais, que agora não se conseguem localizar, e prometeu uma revisão da legislação nos primeiros 100 dias da sua Administração que abra a possibilidade de migrantes não autorizados conquistarem um estatuto legal.

O candidato democrata não hesitou em reconhecer a existência de racismo institucional na América, enquanto Trump reincidiu numa revisão histórica já enunciada na semana passada: nunca nenhum Presidente fez tanto pela comunidade negra como ele, com a provável exceção de Lincoln, definindo-se várias vezes como “o menos racista da sala”.

Trump mostrou-se focado em falar para os eleitores dos “swing states”, os estados pendulares que acabam por decidir as eleições americanas. Quando as alterações climáticas foram o tópico em discussão e Biden admitiu substituir gradualmente a indústria petrolífera. O Presidente olhou diretamente para a câmara e citou dois estados produtores de petróleo e decisivos nas eleições: o Texas e a Pensilvânia.

Joe Biden encontra-se com uma vantagem de cerca de 10 pontos na média das sondagens nacionais, segundo a plataforma FiveThirtyEight. O democrata tem 52,1% das intenções de voto contra 42,2% para Donald Trump.

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