Intervenção da NATO na Ucrânia: a opinião dos portugueses

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Roman Pilipey / EPA

Os mais novos defendem um envolvimento direto, os mais velhos rejeitam. As mulheres preocupam-se com eventual ataque da Rússia a Portugal.

Os portugueses estão divididos quanto à hipótese de uma intervenção direta da NATO na guerra entre a Rússia e a Ucrânia.

A Aximage realizou uma sondagem para o DN, TSF e JN, com o objetivo de avaliar a opinião dos portugueses sobre a guerra Rússia/Ucrânia.

O trabalho de campo decorreu entre os dias 10 e 14 de março de 2022 e foram recolhidas 756 entrevistas entre maiores de 18 anos residentes em Portugal.

São mais os que estão contra uma intervenção direta da NATO na guerra (42%) do que os que estão a favor (38%), mas a sondagem também mostra as diferenças entre as várias gerações.

Os que têm até 49 anos respondem maioritariamente que “sim”, e os que têm 50 ou mais anos dizem que “não”. Quase um terço dos inquiridos admite, inclusive, que as tropas portuguesas participem no conflito (30%).

Se não há dúvidas quanto ao principal responsável pela guerra (88% apontam a Rússia), o mesmo não se pode dizer quanto ao rumo a seguir.

A divisão é a norma, seja quanto a uma intervenção direta da NATO no conflito, seja quanto ao apoio da União Europeia: 51% respondem que esta tem feito o suficiente, 49% respondem que é preciso ir mais longe.

Diferenças entre gerações

O trabalho de campo da Aximage decorreu ainda antes das notícias sobre os bombardeamentos sistemáticos a zonas residenciais de Kiev, e antes de tornar claro que a Ucrânia está disposta a abraçar um estatuto de neutralidade, ao encontro de uma das exigências de Vladimir Putin, e dando um passo no sentido da paz.

É entre os habitantes da Área Metropolitana do Porto que o apoio a uma intervenção direta da NATO no conflito tem mais adeptos (46%) e também é a região onde é maior a insatisfação com o que já fez a União Europeia.

Mas onde a divisão da sociedade se torna mais visível é nos resultados dos diferentes escalões etários.

Os dois grupos de portugueses mais novos são claramente a favor de algum tipo de intervenção armada em socorro dos ucranianos — em particular os que têm 35 a 49 anos, com 49%.

Os dois grupos mais velhos estão solidários com a posição atual assumida pela aliança militar ocidental — em particular os que têm 65 ou mais anos, com 59%.

“Fechar o céu” da Ucrânia

Talvez sensibilizados pelos apelos constantes do presidente Zelenskyy, o maior número de respostas vai pela imposição de uma zona de exclusão aérea (42%), mesmo que isso implique abater aviões russos.

Mas é significativa também a percentagem dos que apontam para o envio de tropas americanas e europeias para o terreno para combater ao lado dos ucranianos (36%).

Aos 38% que defendem uma intervenção direta da NATO perguntou-se, ainda, se Portugal deve enviar tropas para a Ucrânia.

A percentagem de respostas não deixa margem para dúvidas: 78% responde que sim. É importante clarificar, no entanto, que representam apenas 30% do total da amostra.

Também entre os 49% que acham que a União Europeia deve fazer mais para ajudar a Ucrânia, há uma fatia considerável que aponta para a intervenção de militares europeus (37%), de novo com destaque para quem tem 35 a 49 anos (45%).

Menos dois pontos do que os que preferem um endurecimento das sanções à Rússia (39%), sobretudo os que têm 65 ou mais anos (55%).

Mais 13 pontos do que os que dão prioridade ao reforço do apoio aos refugiados (24%), com ênfase entre quem tem 18 a 34 anos (34%).

Mulheres querem força militar

Se a maioria da população tende a rejeitar a intervenção da NATO, isso deve-se aos homens. Entre as mulheres, são mais as que querem um recurso à força militar (38%) do que aquelas que o rejeitam (37%). Contudo, é importante salientar que um quarto das inquiridas não manifestam opinião.

Aliás, as mulheres não se diferenciam dos homens apenas pela referência no envolvimento direto da aliança.

Quando se pergunta pelo tipo de intervenção, enquanto os homens escolhem preferencialmente a zona de exclusão aérea, elas apontam para o envio de tropas e armamento ao lado dos ucranianos.

Talvez a explicação para as respostas anteriores resida numa outra. Se a maioria da população “não” está preocupada com um ataque da Rússia a Portugal (54%), no caso das mulheres a posição inversa é a maioritária: 51% admitem que estão preocupadas com essa eventualidade.

Mais de dois terços querem exército europeu

A discussão sobre a constituição de um exército comum na União Europeia dura há anos, mas nunca gerou o consenso suficiente para se concretizar.

A invasão da Ucrânia pela Rússia poderá ajudar a ampliar a recetividade dos europeus. No caso da opinião pública portuguesa isso fica bem evidente.

68% estão de acordo com esse caminho e 16% estão contra. Os homens revelam mais entusiasmo (74%) do que as mulheres (64%).

Os que têm 50 a 64 anos também concordam a criação do exército (72%). Os menos interessados, ainda que se mantenha a maioria, são os mais jovens (65%).

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Outros fatores

Os portugueses estão relativamente pessimistas quanto à duração da guerra. Quase um terço acha que vai durar entre três e seis meses (30%). Outro tanto que será ainda mais (29%). Apenas uma minoria de 13% admite que tudo se resolva num mês.

O pessimismo é ainda maior quando se pergunta sobre a evolução do conflito: 71% afirmam que vai piorar e 18% que o atual nível de violência vai manter-se. Uns escassos 11% acreditam que a situação vai melhorar.

Dois terços dos inquiridos convergem na explicação para a invasão russa: a principal motivação do regime de Putin foi a vontade de recuperar controlo e influência nos territórios da antiga União Soviética (65%).

  ZAP //

3 Comments

  1. Para onde estamos indo agora? O profeta Daniel escreve: “E [o rei do norte = Rússia desde a segunda metade do século XIX. (Daniel 11:27)] tornará para a sua terra com muitos bens [1945], e o seu coração será contra a santa aliança [a União Soviética introduziu o ateísmo estatal e os crentes foram perseguidos]; e vai agir [isso significa alta atividade no cenário internacional], e voltará para a sua terra [1991-1993. A dissolução da União Soviética e o Pacto de Varsóvia. As tropas russas retornaram a sua terra]. No tempo designado voltará [as tropas russas voltarão para onde estavam anteriormente estacionadas. Isso significa também a desintegração da União Europeia e da NATO. Muitos países do antigo bloco de Leste voltará à esfera de influência russa]. E entrará no sul [por causa do conflito étnico ao sul das fronteiras da Rússia (Mateus 24:7)], mas não serão como antes [Geórgia – 2008] ou como mais tarde [Ucrânia – atualmente. Este conflito também não se transformará em uma conflagração global, mas com certeza isso acontecerá na próxima vez], pois os habitantes das costas de Quitim [o distante Ocidente, ou para ser mais preciso, os americanos] virão contra ele, e (ele) se quebrará [mentalmente], e voltará atrás”. (Daniel 11:28-30a) Desta vez será uma guerra mundial, não só pelo nome. A “poderosa espada” também será usada. (Apocalipse 6:4) Jesus o caracterizou assim: “coisas atemorizantes [φοβητρα] tanto [τε] quanto [και] extraordinárias [σημεια] do [απ] céu [ουρανου], poderosos [μεγαλα] serão [εσται].” É precisamente por causa disso haverá tremores significativos ao longo de todo o comprimento e largura das regiões [estrategicamente importantes], e fomes e pestes. Muitos dos manuscritos contém as palavras “e geadas” [και χειμωνες].
    A Peshitta Aramaica: “וסתוא רורבא נהוון” – “e haverá grandes geadas”. Nós chamamos isso hoje de “inverno nuclear”. (Lucas 21:11)
    Em Marcos 13:8 também há palavras de Jesus: “e desordens” [και ταραχαι].
    A Peshitta Aramaica: “ושגושיא” – “e confusão” (sobre o estado da ordem pública).
    Este sinal extremamente detalhado se encaixa em apenas uma guerra.
    Mas todas essas coisas serão apenas como as primeiras dores de um parto. (Mateus 24:8) E certamente não vale a pena acelerá-lo. Neutralidade é a melhor proteção.

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