“Idosos enclausurados”. Instituições pedem uma data para retomar visitas

A Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS) defendeu que é preciso “apontar uma data” para a retoma das visitas aos idosos em lares.

“Com testes feitos, doentes a serem tratados como devem ser tratados, com equipamentos de proteção individual, com distanciamento assegurado, penso que o dia de hoje era já um dia bom para isso, não é possível, mas é o Dia da Mãe, era uma forma concreta de o podermos celebrar”, afirmou à Lusa o presidente da CNIS, Lino Maia, reforçando que tal “não é possível”, porque “não está decidido”.

Segundo a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, ainda não é possível apontar uma data certa para o levantamento da suspensão das visitas em lares, instituições que estão de portas fechadas, a nível nacional, desde 16 de março, situação que se iniciou na região Norte, a 7 de março.

Primeiro é preciso eliminar riscos, reduzir ao mínimo o perigo de contágio, e é isso que estamos a fazer ao testar todos os funcionários de lares – o perigo vem de fora – e idosos sintomáticos a nível nacional, o que deverá estar concluído daqui a duas ou três semanas”, afirmou a ministra Ana Mendes Godinho, na sexta-feira, numa entrevista ao jornal Expresso.

“Soma-se a isso a formação dos trabalhadores em questões de segurança e o reforço dos recursos humanos. E, mesmo assim, só se avançará com datas quando a avaliação técnica da Direção-Geral da Saúde (DGS) o permitir”, acrescentou.

Para o padre Lino Maia, presidente da CNIS, deve-se, “pelo menos, apontar uma data” para o levantamento da suspensão das visitas aos idosos, lembrando que a proibição das visitas “foi a primeira medida adotada” no âmbito da pandemia da covid-19, em que “as instituições cumpriram religiosamente e compreendem perfeitamente essa medida”, mas “já lá vão dois meses”.

“Os idosos estão ali enclausurados”, ressalvou Lino Maia, reclamando que “não podem ser esquecidos, não podem ser abandonados”.

“Com testes feitos, com equipamentos de proteção individual assegurados, com os doentes covid-19 a ser tratados como devem ser tratados, com identificação de espaços para que só uma visita de cada vez possa ser feita, com distanciamento entre o utente e a visita, com moderação, com programação, penso que era oportuno pensar-se já em visitas”, reforçou o presidente da CNIS, em declarações à agência Lusa, acrescentando que os idosos também vão tendo notícias sobre a retoma da atividade económica e a reabertura de escolas e creches.

Assim, as instituições de solidariedade defendem que é “conveniente e necessário” avançar com uma data a partir da qual será possível retomar as visitas nos lares, de forma programada, acautelando que não se trata de “escancarar as portas”.

“A data não pode ser muito lá para adiante, não podemos pensar que 1 de outubro é o Dia Mundial dos Idosos, não pode ser para essa data, tem de ser para mais cedo, muito mais cedo”, declarou Lino Maia, esperando que a data para levantar a suspensão das visitas nos lares seja “em breve”, com todos os cuidados de segurança devido à covid-19.

Com 847 lares no país, a CNIS tem procurado assegurar, permanentemente, os contactos dos idosos com os seus familiares, tarefa que “não é fácil” e acaba por ser insuficiente: “O idoso precisa de ver um sorriso, precisa de partilhar uma lágrima, ainda que não seja e não pode ser em contacto físico, mas visivelmente é importante que isso aconteça”.

Sobre iniciativas de lares que estão a organizar visitas, assegurando a distância de segurança entre utentes e familiares, o representante das instituições de solidariedade considerou que “é louvável” a capacidade de ir descobrindo formas de manter idosos e famílias em contacto, mas não se pode “unilateralmente tomar qualquer decisão que antecipe uma decisão vinda de cima”.

“É importante que multipliquemos contactos, mas à distância, com os meios que estão facultados, mas a entrada no lar ainda não é autorizada, por isso temos de aguardar“, advertiu.

// Lusa

PARTILHAR

1 COMENTÁRIO

  1. Não só os idosos enclausurados nos lares, mas também os idosos enclausurados nas suas residências e que não tenham sintomas de infecção, podendo circular na rua ou em espaços públicos, devidamente protegidos por máscara e luvas.

RESPONDER

Madeirense contesta quarentena obrigatória em Tribunal (e há uma sentença que lhe dá razão)

Uma cidadã madeirense que chegou no domingo à Madeira e recusa cumprir quarentena num hotel entregou um pedido de ‘habeas corpus’ no Juízo de Instrução Criminal do Tribunal do Funchal. A acompanhar o pedido está …

Idade é o maior factor de risco para se ser internado ou morrer de covid-19

As pessoas com idades entre os 70 e os 79 anos infetadas pelo novo coronavírus têm uma probabilidade de ser internadas em cuidados intensivos 10,4 vezes superior à de uma pessoa até aos 50 anos. Os …

Turismo de Portugal tem 10 milhões para apoiar campanhas de empresas que promovam o país

O Turismo de Portugal tem dez milhões de euros, que vão servir para financiar iniciativas “de valorização, inovação e promoção do destino Portugal” até 2025. A dotação de dez milhões de euros, aprovada por despacho de …

"Perdi quase tudo no casino." Daniel Kenedy explica adeus ao futebol com o vício

O ex-futebolista Daniel Kenedy, que passou por clubes como Benfica, FC Porto, Marítimo e Sporting de Braga, revela que perdeu "quase tudo" no casino por causa do vício do jogo, apontando este problema como uma …

Bolsonaro apela a "intervenção militar" e deixa ameaça de golpe de Estado

Jair Bolsonaro e o seu filho Eduardo atacam a separação de poderes em reação às investigações da Justiça. O Presidente brasileiro aludiu a uma "intervenção militar pontual". A cena política no Brasil está cada vez mais …

Uso de máscara obrigatório durante os exames nacionais, que podem durar mais de duas horas

Os alunos do ensino secundário que este ano realizem exames nacionais terão de estar durante toda a prova com a máscara de proteção pessoal. O uso de máscara, que se tornou obrigatório no regresso às …

"Estamos fartos, já chega". O mundo do desporto não é só bola e pede justiça por George Floyd

Jadon Sancho, Michael Jordan e Lewis Hamilton foram algumas das personalidades do mundo do desporto que pediram justiça pela morte do afro-americano George Floyd. Nos Estados Unidos, as manifestações continuam a encher as ruas após a …

Crise na ADSE. Governo vai intervir (e promete "respostas rápidas")

A ministra da Modernização do Estado, Alexandra Leitão, participou numa reunião do Conselho Geral e de Supervisão (CGS) da ADSE e ouviu várias críticas à direção. A governante prometeu intervir com "respostas rápidas". O semanário Expresso …

Mais de quatro mil detidos nos EUA após a morte de George Floyd. Trump levado para bunker

Pelo menos 4.100 pessoas foram detidas nos protestos nos Estados Unidos (EUA) que se seguiram à morte do afro-americano George Floyd na segunda-feira, de acordo com uma contagem realizada pela agência Associated Press. As detenções foram …

Sporting só encaixou 41 milhões de euros da venda de Bruno Fernandes

Bruno Fernandes foi vendido ao Manchester United por 55 milhões de euros. Contudo, apenas 41 milhões de euros entraram nos cofres leoninos. O Sporting anunciou, este domingo, em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores …