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A palavra que indignou Inês de Medeiros. Autarca mandou calar cidadã

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Miguel A. Lopes / Lusa

A presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros

A presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros, está envolvida numa polémica porque mandou desligar o microfone a uma cidadã que fazia declarações críticas na reunião ordinária da autarquia.

Renata da Silva Camarga, uma cidadã brasileira, questionava a autarquia perante a falta de soluções para os moradores do bairro do 2.º Torrão, onde foram demolidas dezenas de construções clandestinas.

“Falar que as pessoas estão em melhor condição agora, é muito o pensamento que se pode considerar, mais uma vez, a questão da Almada colonial, onde as pessoas que estão sentadas no escritório podem dizer quais são as condições…”, estava a dizer Renata da Silva Camarga quando foi interrompida por Inês de Medeiros.

“Desculpe, vou-lhe cortar a palavra”, assumiu a autarca. “A palavra colonial é um insulto e, portanto, ou retira imediatamente a expressão que usou ou eu retiro-lhe imediatamente a palavra e assumo todas as consequências dessa decisão”, acrescentou.

A munícipe não quis retirar a expressão, apesar da insistência de Inês de Medeiros que repetiu, por várias vezes, a pergunta: “a senhora retira, ou não retira, a expressão Almada colonial?”.

“Eu convido a senhora para discutirmos em outro momento” o assunto, disse apenas a cidadã. Mas perante a insistência de Inês de Medeiros, Renata da Silva Camarga sublinhou que aquela era “uma atitude colonial”.

“Então, acabou o seu tempo, muito obrigada”, atirou a presidente da Câmara. “É favor desligar o microfone desta senhora“, adicionou.

“Eu considero-me insultada por esta senhora. Passaram os dois minutos regimentais, acabou a intervenção”, concluiu a autarca.

“Livrei-me de toda a herança colonialista de Portugal”

Após este episódio, a vereadora do Bloco de Esquerda na autarquia, Joana Mortágua, fez questão de se demarcar da posição de Inês de Medeiros, criticando-a.

Colonial “é um conceito teórico que tem a ver com uma herança na qual se baseia o racismo da sociedade actual e muita da exclusão e da desigualdade”, apontou Mortágua, frisando que “é uma verdade histórica”.

Inês de Medeiros ainda lhe respondeu num tom irado. “Não admito que ninguém, seja porque razão for, teça considerações relativamente à acção da Câmara de Almada baseado em qualquer preconceito racista e muito menos de inspiração colonialista. Eu livrei-me de toda a herança colonialista de Portugal há muito tempo“, considerou.

Joana Mortágua reagiu com ironia a esta posição, através do Twitter, escrevendo que Inês de Medeiros é “a primeira europeia a livrar-se de toda a herança e história do colonialismo”. “Sozinha acabou com isso tudo e ainda mandou calar quem disse o contrário”, sublinhou a vereadora.

  ZAP //

 

 

13 Comments

  1. Colonialismo… Feita a “descolonizção”, há 37 anos, esses cidadãos vivem em melhores condições, foi uma vitória!
    Será essa a vergonha politicamente corecta que os portugueses têm como pesadelo?

    • Assino por baixo Mas é uma falta de respeito virem para cá e terem a petulância de criticar quem, lhe dá de comer. É caso para dizer, se não estão bem vão para casa.

  2. É a democracia no seu melhor. Quando se dizem as verdades que não querem ouvir, cortam o som. Em Lisboa, com o Medina, era muito normal este modus operandi. O que os políticos precisavam era precisamente que todos nós fossemos às Assembleias Camarárias e a todos os espaços onde os pudéssemos confrontar com os esquemas e as trafulhices que andam sempre a fazer. Mas o Tuga é manso e prefere ser roubado e olhar para o lado. Enquanto assim for, eles aproveitar-se-ão.

    • Sem duvida, a partidocracia só os politicos têm ” verdades”…
      Manda calar… corta a palavra… prova a capacidade democratica, não gosta de ouvir manda calar…

  3. Eu vejo gente que está a espera de uma casa camarária, preferentemente grátis.
    O colonialismo não tinha este problema, a qualidade habitacional não era um problema em Africa nem agora o é. Fala-se de racismo, mas enquanto na Europa, em Portugal. E há muitos raçismos. Racismo financeiro, racismo de ton de pele (mais de ton que de cor), racismo da maioria, etc etc.
    As palavras racismo e colonialismo estão inflacionadas. Aqui já não têm o significado original mas são usados por gente que ‘defendem’ grupos que aceitam viver em situações de miséria como estivessem nas terras ditas coloniais e preferem gastar o dinheiro para habitação em outros produtos e serviços. Para eles, etiquetar estes hábitos anacrónicos justificam-lhes as escolhas e aos outros dão lhes visibilidade política. Estes vivem aonde? Numa barraca?
    Quem entra no esquema não procura soluções mas subsídio a fundo perdido.

  4. Atitude aprovada !!! Existe varias formas de expressão sem ser necessário utilizar as palavras colonialismo, nem racismo, no entanto como essas palavras são bandeira de determinados partidos da extrema esquerda usasse e abusasse dessas palavras apenas para criar impacto muitas vezes sem qualquer fundamento.

  5. Aparentemente a palavra colonial foi dito pela Renata apenas como provocação, sem fundamento, mas não conheço o contexto, a notícia pouco explica.
    No entanto eu defendo o direito da Renata falar, mesmo que não concorde com ela, seja ela de onde for.

    • Eu defendo a liberdade de expressão total, acho que a Sra Renata tem direito a insultar os portugueses assim como acho que a Sra Inês devia ter o direito de chamar-lhe sanguessuga ingrata e racista.

  6. A Sra . Renata , tem todo o direito de expor as sua preocupação e exigência que seja , estamos num País Democrático , mesmo se tem algumas falhas ! . Mas certo é que qualificar Almada como Concelho Colonialista , é inadmissível ! . A Independência do Brasil , País do qual a Sra. Renata é ao que compreendi , oriunda , foi concedida en 1822 ! ….. Mas enfim , quando se fala do que não se sabe dá nestas “coisas” !

  7. Há 200 anos que o Brasil é independente… Chega de estarem sempre com expressões críticas acerca do passado. Chega de anacronismo!

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