Investigadores alertam que imunidade de grupo pode ser “falácia perigosa”. OMS concorda

Mário Oliveira / SEMCOM

Um grupo de 80 investigadores alertou esta quinta-feira, em carta aberta divulgada pela revista científica The Lancet, que as abordagens de imunidade de grupo para gerir a pandemia de covid-19 são “uma falácia perigosa”, sem suporte científico.

A carta foi publicada na revista The Lancet no dia de hoje, e revela que a ideia de a imunidade se desenvolver em populações de baixo risco, enquanto se protegem os mais vulneráveis, é “uma falácia perigosa sem suporte de evidências científicas”.

Os autores da carta – investigadores de vários países em diversas áreas – apresentam a sua visão e as estratégias que precisam de ser adotadas para proteger as sociedades e a economia.

De acordo com os especialistas “é fundamental agir decisivamente e com urgência. Medidas eficazes para suprimir e controlar a transmissão precisam de ser amplamente adotadas e devem ser apoiadas por programas financeiros e sociais que incentivem respostas da comunidade e abordem as desigualdades que foram ampliadas pela pandemia”.

Na carta pode ler-se que as “restrições contínuas provavelmente serão necessárias no curto prazo, para reduzir a transmissão e corrigir sistemas ineficazes de resposta à pandemia, a fim de evitar bloqueios futuros”.

O objetivo das restrições é suprimir as infeções e colocá-las em níveis baixos que permitem a deteção rápida de surtos localizados e uma resposta rápida através de sistemas eficientes e abrangentes de localização, teste, rastreamento, isolamento e suporte para que “a vida possa regressar ao normal”, explicam os cientistas.

De acordo com os especialistas, qualquer estratégia de gestão da pandemia baseada na imunidade de grupo é falaciosa.

Os signatários defendem também que as estratégias de imunidade de grupo podem sobrecarregar o sistema de saúde e representam um fardo inaceitável para os profissionais de saúde, muitos dos quais morreram de covid-19 ou sofreram um trauma.

O memorando foi assinado por investigadores com experiência em saúde pública, epidemiologia, medicina, pediatria, sociologia, virologia, doenças infecciosas, sistemas de saúde, psicologia, psiquiatria, política de saúde e modelação matemática, diz o DN.

OMS está de acordo

Esta segunda-feira, a Organização Mundial de Saúde, desaconselhou a estratégia de deixar o novo coronavírus disseminar-se para atingir a chamada “imunidade de grupo”, considerando que coloca “problemas científicos e éticos”.

“Deixar circular um vírus perigoso que ainda não entendemos completamente não é ético nem é uma opção”, referiu o secretário-geral da organização, Tedros Ghebreyesus, numa conferência de imprensa em Genebra. Ghebreyesus frisou que deixar o vírus que provoca a covid-19 sem controlo “significaria infeções desnecessárias, sofrimento desnecessário e mortes desnecessárias”.

“Imunidade de grupo” é um conceito médico relacionado com vacinação, que se verifica quando determinada população consegue estar protegida de uma doença infecciosa “a partir de um limiar” de pessoas vacinadas, referiu.

“A imunidade de grupo atinge-se quando se protegem as pessoas, não quando se expõem às doenças”, declarou o secretário-geral da OMS, salientando que “nunca na história da saúde pública” se agiu nesse sentido.

ZAP //

PARTILHAR

RESPONDER

Relatório do Novo Banco estilhaça PSD. Pinto Luz sai em defesa de Passos Coelho e critica Rui Rio

Esta quarta-feira, Miguel Pinto Luz, vice-presidente da Câmara Municipal de Cascais, deixou duras críticas ao atual líder do PSD depois de o partido ter aprovado o relatório que acusa o Governo de Pedro Passos Coelho …

Cientistas "encontraram" a válvula de Nikola Tesla nos intestinos de tubarões

Cientistas descobriram que os intestinos de tubarões funcionam de forma semelhante à famosa válvula unidirecional de Nikola Tesla, criada há mais de 100 anos. Pela primeira vez, cientistas fizeram exames 3D de intestinos de tubarão para …

Recolher obrigatório, limitação horária nos restaurantes e restrições por concelho podem acabar hoje

Na reunião de terça-feira no Infarmed, os peritos concluíram haver condições para começar a aliviar algumas das medidas restritivas em vigor. Em Conselhos de Ministros, que se irá realizar hoje, o Governo irá definir novas …

Alerta de tsunami no Alasca depois de sismo de magnitude 8.2

A península do Alasca, a oeste dos Estados Unidos, foi atingida por um sismo de magnitude 8.2 na noite de quarta-feira (7h15 de quinta-feira em Lisboa) e já foi lançado um alerta de tsunami na …

Conselho de Ministros reúne-se para discutir próximos passos no desconfinamento

O Conselho de Ministros reúne-se esta quinta-feira para decidir os próximos passos no processo de abertura do país, dois dias depois de especialistas terem sugerido a evolução das medidas de restrição de acordo com a …

Capacete magnético mostra-se eficaz na redução de tumor cerebral

O diagnóstico de um cancro é sempre complicado, mas há partes do corpo onde a presença da doença pode ser mais ameaçadora. É o caso do glioblastoma, um tipo de cancro cerebral, que se não …

Engenheiros japoneses fizeram levitar objectos com "armadilha acústica"

Engenheiros japoneses descobriram uma forma de fazer pequenos objectos levitar usando apenas ondas sonoras, o que pode ser um passo importante para a tecnologia. A engenharia biomédica, o desenvolvimento de farmacêuticos e a nanotecnologia podem vir …

Juno fez a maior aproximação a Ganimedes das duas últimas décadas (e as imagens são de cortar a respiração)

A NASA divulgou, recentemente, um vídeo da sonda Juno a passar por Júpiter e Ganimedes, uma das suas luas. As imagens são de cortar a respiração. Juno visitou Ganimedes em junho. As imagens foram captadas no …

Homicídio com 32 anos resolvido com a menor amostra de ADN de sempre

Um caso de homicídio ocorrido há 32 anos, que muitos consideraram impossível de ser resolvido, foi finalmente desvendado (e tudo graças à amostra de ADN mais pequena de sempre usada para decifrar um caso). De acordo …

Braços robóticos controlados remotamente podem vir a realizar cirurgias delicadas

Um equipa de investigadores está a trabalhar para eliminar movimentos rígidos nos braços robóticos, de modo a torná-los mais ágeis. O objetivo é que no futuro estes possam empilhar pratos ou até realizar cirurgias delicadas. Os …