Identidade de testemunhas anónimas da FDUL revelada no WhatsApp

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José Sena Goulão / Lusa

Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa

Andam a circular áudios de testemunhas de assédio moral e sexual na Faculdade de Direito de Lisboa no WhatsApp.

Um professor, um funcionário e vários alunos da Faculdade de Direito de Lisboa deram o seu testemunho a dois canais de televisão, relativamente a casos de assédio moral e sexual, de forma anónima. Viram agora a sua identidade a ser revelada.

Os testemunhos foram dados à TVI e à RTP, que optaram por distorcer as vozes, de modo a não permitir a identificação das pessoas. No entanto, os áudios originais andam a circular pelo WhatsApp, segundo avança o Diário de Notícias.

A denúncia sobre a revelação de identidade das testemunhas foi também realizada através das redes sociais por Miguel Lemos, professor assistente que propôs a criação de um canal que recebeu 50 queixas de assédio moral e sexual.

“Um professor ou assistente que partilhe gravações áudio de entrevistas aos OCS de alunos/as vítimas de assédio moral ou sexual, gravações essas a que foi retirada a distorção de voz, identificando quem são, não pode ter lugar na nossa faculdade“, escreveu o docente no Twitter.

Na semana passada, Miguel Lemos foi alvo de um processo disciplinar, tendo exposto que foi pressionado pelo colega e professor catedrático Miguel Teixeira de Sousa a não falar sobre o assunto.

Ao divulgarem a identificação de quem escolher dar o seu testemunho de forma anónima pode ter “um efeito dissuasor” na investigação das queixas de assédio moral e sexual, admitiu Inês Ferreira Leite, professora da Faculdade de Direito.

As pessoas já tinham medo de se queixar, de falarem sobre as suas experiências. Se podiam falar sobre anonimato a jornalistas, agora nem isso, ficam com receio de serem expostas”, acrescentou.

A jornalista Rita Marrafa de Carvalho, responsável pela reportagem da RTP, também comentou o caso no Twitter, referindo que “alguém investiu tempo e dinheiro para saber quem denunciou os casos de assédio”.

  ZAP //

2 Comments

  1. Há mais de 20 anos que passei por lá e aquilo não mudou!
    Já no fim do século passado se falava em assédio, mas baixinho, muito baixinho…!
    Há claramente pessoas do corpo docente que pouco têm de docente e até de decente.
    Alguns nem capacidade nem qualificação para darem aulas, mas como têm pedigree, então apossam-se do lugar.
    Também isso já existia no final do século passado!
    Lembram-se de um assistente que dava aulas e corrigia exames mas relativamente ao qual se descobriu que nem a a licenciatura em direito tinha?! Pois, parece que só tinha uma certidão que comprovava que obtivera a licenciatura na FDL – onde parece que nem fora aluno – concorreu e obteve o lugar. Depois, ter-se-à incompatibilizado com o namorado, que provavelmente o auxiliou no processo, e descobriu-se a verdade.
    O Miranda apresentou queixa e depois nada mais se soube…!
    Desapareceu em combate? Anda pelos Palop a leccionar umas coisas?! Nunca cheguei a saber como isso acabou. Talvez arquivado…

  2. Nunca se falou tanto de assédio como agora. Há assédio? há! Mas tb é inegável que muitas das vitimas se expõe, e quando se sabe, procuram extrapolar afim de justificar o que não queriam que se soubesse.

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