Sim, os humanos usam meias com riscas há mais tempo do que se pensava

(dr) Joanne Dyer / The British Museum

Uma das peças de roupa analisadas pelos investigadores do Museu Britânico de Londres

Os antigos egípcios utilizaram várias técnicas para criar peças de vestuário com várias cores, como por exemplo meias, com a ajuda de apenas três plantas.

Uma equipa de investigadores do Museu Britânico de Londres, no Reino Unido, procedeu a uma análise não invasiva de várias peças de roupa do Antigo Egipto, revelando as técnicas e os materiais usados, escreve o Science Alert.

Os cientistas usaram uma técnica de multiespectro, com recurso a uma câmara fotográfica Canon 40D, em diferentes artigos guardados no museu, entre eles uma meia de lã e linho de criança produzida entre os séculos III e IV na cidade egípcia de Antinoópolis.

Desta forma, os autores do estudo, publicado na passada quinta-feira na revista científica PLOS One, obtiveram imagens numa ampla gama de ondas, desde a luz percetível ao olho humano até à radiação infravermelha e ultravioleta.

Por fim, os cientistas utilizaram um microscópio digital para analisar em detalhe as diversas fibras da peça de vestuário, prescindido da necessidade de extrair alguma amostra (uma medida frequente nas investigações mas que, neste caso, iria danificar o objeto).

Como resultado, os investigadores descobriram que as diversas cores da peça analisada foram criados com componentes obtidos a partir de três plantas: Rubia tinctorum (vermelho), Isatis tinctoria (azul) e Reseda luteola (amarelo).

(dr) Joanne Dyer / The British Museum

Além disso, a equipa revela que a meia em questão, que faz parte da coleção do museu desde 1914, foi fabricada através de uma técnica antiga chamada “nålbinding” – que ligava os fios com a ajuda de uma agulha – e que utilizou seis ou sete cores de diferentes fios de lã tingidos com a combinação dos corantes naturais mencionados acima.

“Foi emocionante descobrir que as diferentes riscas coloridas encontradas na meia foram criadas ao usar uma combinação de apenas três corantes naturais”, disse Joanne Dyer, investigadora do Museu Britânico e co-autora deste estudo, ao The Guardian.

“Durante este período aconteceram muitas coisas no Egipto como a conquista árabe e a saída dos romanos. Estes eventos afetam a economia, o comércio e a disponibilidade de materiais, algo que é refletido na composição técnica da roupa que as pessoas usavam, assim como os métodos utilizados para as fabricar”, explica ainda.

A inovadora técnica de estudo não só permite investigar os objetos arqueológicos têxteis sem os danificar, como também avaliar se estão aptos para serem expostos em museus, tendo em conta o facto de os corantes serem geralmente sensíveis à luz.

ZAP // RT

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