Há uma cidade em França onde é proibido morrer em casa

P.poschadel / wikimedia

Igreja de Saint-Remi, em Laigneville, a cerca de uma hora de Paris (França).

Igreja de Saint-Remi, em Laigneville, a cerca de uma hora de Paris (França).

O presidente da Câmara de uma localidade francesa, situada a cerca de uma hora de Paris, decretou que é proibido morrer em casa. Uma decisão “absurda”, como o próprio admite, mas por uma boa causa.

Estamos a falar de Laigneville, uma localidade do departamento do Oise, na região da Picardia, com cerca de cinco mil habitantes, onde, a partir de agora, é proibido morrer em casa.

O decreto assinado pelo presidente da Câmara, Christophe Dietrich, surge depois do caso de um idoso que faleceu em casa e cuja morte só foi confirmada por um médico cinco horas depois.

Ora, como um cadáver não pode ser removido do local enquanto não for emitido o certificado de óbito, estamos perante uma situação “perigosa e indigna”, conforme lamenta Dietrich numa publicação no Facebook.

Assim, o autarca resolveu tomar uma medida “absurda” para alertar as autoridades para a falta de médicos na região, uma vez que este tipo de situações, com pessoas falecidas, se vem repetindo.

“Considerando a falta de médicos e considerando a impossibilidade de poder fazer constatar um óbito de forma decente, assinei, nesta manhã, um decreto que interdita os habitantes de Laigneville de morrerem em suas casas”, escreve no Facebook.

“Vão-me dizer que isso é totalmente absurdo! Efectivamente é! É tanto como o absurdo da situação com que temos sido confrontados”, acrescenta o autarca que diz que já fez vários apelos ao Governo sem ter obtido resposta.

A localidade, que fica a cerca de uma hora de Paris, só tem dois médicos que estão já perto da reforma.

E alguns médicos aproveitam para criticar o autarca, considerando a sua reacção “excessiva” e notando que deveria antes “perguntar-se porque é que os médicos não ficam” na localidade, cita o jornal Le Parisien.

Já Christophe Dietrich sugere ao Governo algumas medidas para resolver o problema, nomeadamente decretar uma quota de médicos por número de habitante ou obrigar os jovens diplomados a permanecerem na região de formação, durante os primeiros anos do exercício da actividade.

SV, ZAP //

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3 COMENTÁRIOS

  1. Realmente parece que já ultrapassámos o limiar da estupidez… qualquer dia criam um imposto para os gordos com a justificação que constituem um risco para a própria saúde e despesa adicional para o serviço nacional de saúde…

  2. Lol. Gosto da noticia, mas fiquei agarrado ao “pau”. É proibido morrer em casa. Certo. E então? Que vai acontecer. A pessoa já morreu, vão lhe passar uma multa. A multa vai para um familiar? Fiquei sem saber que efeito vai ter esta medida “estúpida” desde presidente da Câmara.

  3. Acho que o autarca explicou bem o que o levou à decisão insólita.Foi uma forma de chamar a atenção para a má distribuição de médicos naquela localidade,Logo pressão sobre as entidades responsáveis a nivel central.

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