Cortes na ADSE abrem guerra entre Governo e hospitais privados

Tânia Rêgo / ABr

Unidades privadas de saúde enviaram carta ao Governo a ameaçar deixar de prestar cuidados aos beneficiários da ADSE.

As novas tabelas da ADSE – que entram em vigor a 1 de março – reduzem significativamente os valores pagos aos prestadores que têm convenção com o sistema, perdas essas consideradas “incompatíveis”  para os privados e que põem em causa o acesso dos beneficiários aos cuidados de saúde.

Quem o diz é a Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP) que, em carta enviada ao ministro das Finanças e da Saúde, ameaça deixar de prestar cuidados a beneficiários da ADSE.

A carta, à semelhança de uma outra enviada a João Proença, presidente do CGS (que junta representantes dos beneficiários, dos sindicatos, das associações de reformados e do Governo), alerta para os prejuízos causados pelas novas tabelas.

Segundo o Público, que teve acesso à carta, a nova tabela fixa preços abaixo do custo, contempla normas ilegais e põe em causa a atempada rprestação de cuidados aos beneficiários. “As novas tabelas podem colocar em causa a qualidade e acesso dos serviços prestados aos beneficiários e traduzem-se em perdas incomportáveis para os prestadores privados”, nota a APHP. “Essa é uma linha que não podemos ultrapassar”.

A APHP garante ainda que tem tido uma posição “construtiva” e que têm sido conseguidos avanços, em particular nos preços fechados nas cirurgias, mas apresentar um “documento unilateral”, que altera “de forma substancial a relação com os prestadores privados, é uma metodologia que claramente não pretende assumir os prestadores como parceiros”, lamenta.

As novas tabelas implicam uma poupança anual de 29,7 milhões de euros para a ADSE e de 12,7 milhões para os beneficiários, mas pressupõem que os privados com convenção com o sistema encaixarão menos com os cuidados prestados aos beneficiários da ADSE.

ZAP //

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2 COMENTÁRIOS

  1. EU não quero perder mais um direito enquanto pagador de um serviço de acesso à saúde que contratei com o Estado Português. Pago bem mais do que qualquer outro utente do SNS, a ADSE tem superavit por esse facto e daqui a pouco o governo destroi a única coisa que ainda ia funcionando a meio gás no serviço de saúde. Sim, porque ao longo destes últimos dez anos, muito e muitos médicos e outros prestadores de saúde me foram dizendo que já não podiam fazâ-lo porque já não tinham acordo com a ADSE.
    BASTA de nos tramarem governilhos! Basta de nos roubarem politiqueiros! Este Portugal tinha melhores governos se não tivesse Governo!

    • Caro Luis, é verdade, paga/pagamos bem mais do que qualquer utente do S. N. S.
      Dito desta forma deixamos no ar a ideia de que os utentes do S. N. S. pagam alguma coisa.
      Ora é necessário afirmar que OS UTENTES DO S. N. S. (à parte as taxas moderadoras, que nós também pagamos, às vezes na ordem das dezenas ou centenas de euros, dependendo dos actos médicos a que recorremos), NÃO PAGAM NADA.
      A ideia lançada de que os beneficiários poupam 12,7 milhões não passa de um arremesso de areia para os nossos olhos.
      A ADSE não precisa da protecção do Estado. Exige/exijo/exigimos é que o Estado não se sirva dela como fonte de financiamento.
      SEJAMOS FIRMES!

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