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Greve na função pública fecha escolas e paralisa recolha do lixo

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Mário Cruz / Lusa

Os funcionários públicos estão em luta esta quinta-feira, com uma greve e uma concentração, pela valorização dos salários e das carreiras. É o primeiro protesto no setor desde o início da pandemia da covid-19.

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Várias escolas em todo o país estão fechadas ou com perturbações na sequência desta greve. Em declarações à agência Lusa, por volta das 09h00, o coordenador da Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública, Sebastião Santana, adiantou que há vários estabelecimentos de ensino encerrados em Lisboa, Porto, Oeiras, Cacém e Vila Franca de Xira.

“Há também perturbações em algumas escolas e na Universidade de Coimbra. Ainda estamos a recolher dados, mas tudo indica que a adesão à greve será elevada“, indicou.

No que diz respeito à recolha do lixo, Sebastião Santana disse que a adesão é superior a 80% no turno da noite e no da manhã. “A adesão é superior a 80% nos dois turnos. Em alguns concelhos a paralisação é total“, referiu.

Anteriormente, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local e Regional, Empresas Públicas, Concessionárias e Afins (STAL) tinha dito que a adesão à greve paralisou a recolha noturna do lixo em pelo menos nove concelhos.

O STAL tinha indicado, em comunicado, que “nos primeiros serviços de recolha noturna a entrar em funcionamento – Loures, Odivelas, Amadora, Moita, Évora, Seixal, Palmela, Almada e Setúbal – registou-se uma adesão de 100%”.

Já “Lisboa e Sintra, por seu lado, registaram uma adesão muito significativa, tendo a recolha sido fortemente afetada“, garantiu o sindicato, na mesma nota.

Segundo o coordenador da Frente Comum, a paralisação deverá sentir-se mais nas autarquias, escolas, tribunais e Segurança Social.

Os funcionários públicos estão em luta esta quinta-feira, com uma greve e uma concentração junto ao Palácio da Ajuda, em Lisboa, onde se reúne o Conselho de Ministros, pela valorização dos salários e das carreiras.

O Dia Nacional de Luta, convocado pela Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública, é o primeiro protesto no setor desde o início da pandemia da covid-19.

O Dia Nacional de Luta realiza-se em defesa de aumentos salariais de 90 euros para todos os trabalhadores, da valorização das carreiras, da revisão da Tabela Remuneratória Única, pela revogação do SIADAP e em defesa de melhores serviços públicos.

O pré-aviso de greve não abrange o setor da Saúde, no qual se incluem os trabalhadores do Serviço Nacional de Saúde, dos centros de vacinação e de testagem à covid-19, devido ao contexto pandémico.

A concentração junto ao Palácio da Ajuda, que não será precedida de desfile, deve juntar cerca de mil trabalhadores de todo o país, cumprindo as necessárias regras de distanciamento social, segundo a Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública.

  ZAP // Lusa

3 Comments

  1. Em Portugal temos aproximadamente 750 mil funcionários públicos. A estes temos de acrescentar os funcionários de institutos e outros organismos da administração direta e indireta do Estado que não são para todos os efeitos funcionários públicos. A esses ainda temos de somar os funcionários das autarquias, que por definição não são funcionários públicos (mais ou menos 130 mil). Pelas minhas contas deveremos ter na realidade ligeiramente mais de um milhão de “funcionários do Estado”.
    Admitindo uma população ativa de 5 milhões e uma população empregada a rondar os 4,8 milhões, podemos concluir que 1 em cada 5 pessoas trabalha para o “Estado”. Parece-me claramente excessivo numa economia caraterizada por PMEs (são cerca de 99% das empresas em Portugal), que na generalidade apenas sobrevive não conseguindo libertar dinheiro com regularidade… e trabalhando bem mais do que 35 horas semanais.

    • Ainda assim, estão muito abaixo dos países dos números dos países mais “avançados” e com melhor qualidade de vida do mundo (nórdicos):
      “Percentagem de funcionários públicos em Portugal é das menores da UE”
      “O número de funcionários públicos tem estado a subir no Estado português, mas o seu peso no total do mercado de trabalho está abaixo da média da União Europeia. Os países nórdicos lideram o ranking.”
      jornaldenegocios.pt/
      .
      E, claro que todos os trabalhados deviam ter a mesma carga horária.

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