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Dia de greve na função pública poderá encerrar vários serviços (e começa a sentir-se já hoje à noite)

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José Sena Goulão / Lusa

Os funcionários públicos estarão em luta esta quinta-feira, pela valorização dos salários e das carreiras. Os primeiros efeitos do protesto deverão sentir-se já na noite desta quarta-feira na recolha de lixo.

O Dia Nacional de Luta convocado pela Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública, que será o primeiro protesto no setor desde o início da pandemia da covid-19, prevê uma greve de 24 horas para a administração local e central, com exceção da saúde, e uma concentração nacional junto ao Palácio da Ajuda, em Lisboa, onde se reúne o Conselho de Ministros.

Dado que os turnos dos trabalhadores da recolha de lixo urbano começam às 23 horas na maioria das localidades, será nesses serviços que a paralisação se deverá notar primeiro.

“Vamos ter certamente um grande dia nacional de luta, que será o primeiro deste género desde o início da pandemia”, disse à agência Lusa o coordenador da Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública, Sebastião Santana.

O dia nacional de luta realiza-se em defesa de aumentos salariais de 90 euros para todos os trabalhadores, da valorização das carreiras, da revisão da Tabela Remuneratória Única, pela revogação do SIADAP e em defesa de melhores serviços públicos.

Segundo o coordenador da Frente Comum, a paralisação deverá sentir-se mais nas autarquias, nas escolas, nos tribunais e na Segurança Social.

“Saliento que esta não é apenas uma greve, mas sim um dia de luta que tem também uma concentração nacional, que acontece devido à ausência de resposta do Governo às nossas propostas e reivindicações”, disse, referindo a “incapacidade negocial deste governo”

Os professores não vão fazer greve, mas têm uma manifestação durante a manhã e vão juntar-se à concentração nacional, à tarde.

O pré-aviso de greve não abrange o setor da saúde – em que se incluem os trabalhadores do Serviço Nacional de Saúde, dos centros de vacinação e de testagem à covid-19 – devido ao contexto pandémico, mas Sebastião Santana espera que os trabalhadores possam participar em ações neste dia.

“Não pretendemos agravar a situação que se vive nos serviços de saúde devido à pandemia, nem sequer emocionalmente, por isso não foi emitido pré-aviso para a saúde, apesar destes trabalhadores terem as mesmas queixas, ou mais, que os restantes”, disse o dirigente sindical.

Assim, de acordo com Sebastião Santana, poderão encerrar escolas (trabalhadores não docentes) e serviços públicos como as repartições de Finanças ou os serviços da Segurança Social. Entre os serviços abrangidos encontram-se ainda centros de emprego, autarquias, museus, tribunais, serviços do cartão do cidadão e registo criminal, além da recolha do lixo efetuada por trabalhadores dos municípios, escreve o Jornal de Notícias.

Na concentração junto ao Palácio da Ajuda, que não será precedida de desfile, deverão participar cerca de mil trabalhadores de todo o país, cumprindo as necessárias regras de distanciamento social.

“Não fizemos greve durante a pandemia. Os trabalhadores mantiveram-se a trabalhar, solidários com a situação de pandemia, sem fazer qualquer greve. Por isso, temos a expectativa de que os trabalhadores vão aderir em massa”, sintetizou o dirigente sindical.

  ZAP // Lusa

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