Greve “extraordinariamente agressiva” dos enfermeiros. Ministério vai fazer análise jurídica

André Kosters / Lusa

A nova ministra da Saúde, Marta Temido

A ministra da Saúde admitiu, esta terça-feira, estar muito preocupada com a eventual greve prolongada de enfermeiros em blocos operatórios, considerando que a forma de luta em preparação é “extraordinariamente agressiva”.

No Parlamento, em resposta às questões do PSD, Marta Temido considerou que a greve de enfermeiros em preparação em blocos operatórios de cinco hospitais “não pode deixar de ser uma preocupação muito grande para o Ministério da Saúde”.

Apesar do “direito constitucional à greve”, a ministra considera que o pré-aviso de greve já emitido por dois sindicatos contém termos preocupantes e que configuram uma “extraordinariamente agressiva forma de luta“.

“Estamos a trabalhar no sentido de evitar o extremar do conflito. Pedimos a constituição de mesa negocial com as duas estruturas sindicais [que emitiram o pré-aviso de greve]”, afirmou Marta Temido, avisando, contudo, que as reivindicações são complexas.

O Ministério da Saúde tentará “perceber até que ponto” pode ir na resposta às expectativas da diferenciação remuneratória dos enfermeiros especialistas.

Marta Temido referiu ainda que o Governo introduziu já um suplemento remuneratório para os enfermeiros especialistas, que representa 17 milhões de euros por ano. “Não estamos a falar de opções simples. Ir mais além será seguramente complicado“, afirmou a ministra.

No final do debate parlamentar, em declarações aos jornalistas, Marta Temido afirmou que terá de ser avaliada “a legitimidade de greve na forma” como está a ser desenhada, sublinhando que “há questões jurídicas que têm de ser acauteladas“.

Segundo o Jornal de Negócios, questionada sobre se estaria em causa a legalidade da greve, a ministra optou por referir que o que tem de ser avaliado é a legitimidade da paralisação nos moldes em que está a ser pensada. “Teremos de ver os moldes em que a greve é decretada. E que o direito à greve não se sobrepõe ao direito à saúde“.

Os enfermeiros reclamam melhores remunerações e uma carreira digna, notando que não progridem há 13 anos.

O movimento de enfermeiros que tem em preparação uma greve prolongada a partir de dia 22 deste mês em vários blocos operatórios recorreu a uma angariação de fundos para ajudar os profissionais que adiram à paralisação, que ficarão sem vencimento.

A meta era atingir os 300 mil euros para conseguir uma greve nos três maiores blocos operatórios dos hospitais públicos: Centro Hospitalar Universitário de Coimbra, São João, no Porto, e Santa Maria, em Lisboa. O objetivo foi atingido no final da semana passada, levando o movimento de enfermeiros a prolongar a recolha de fundos e a alargar a paralisação a mais dois blocos operatórios: Setúbal e Centro Hospitalar do Porto.

Esta terça-feira, ao início da noite, o movimento de enfermeiros já tinha conseguido recolher mais de 350 mil euros.

Os dois sindicatos que emitiram o pré-aviso que permite esta paralisação indicam que a greve será de dia 22 de novembro até final de dezembro.

ZAP // Lusa

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4 COMENTÁRIOS

  1. Não sou contra o direito à greve, pelo contrário. Mas existem certo tipo de profissões que têm de considerar que esta forma de luta poderá colocar em risco VIDAS DE PESSOAS. Não se configurará esta situação um crime?

  2. Qual a diferença entre matar e deixar morrer? O ser humano tornou-se insensível à dor e ao sofrimento? Já pensaram os que tomam estas atitudes, nos seus entes mais queridos quanto ao necessitarem de uma operação urgente? Encontrem outros métodos de luta e não ponham em causa a vida de pessoas, pois de seres humanos se trata. E, quando necessitam de uma operação, tornam-se tão frágeis quanto a fragilidade humana. Como é frágil a nossa vivência enquanto seres humanos!… Como diz o poeta ” Meu Deus, como o tempo corre, no tempo do meu viver; parece que o tempo morre mesmo antes de nascer”

    • Então se está tão preocupado com a vida humana, que acho legitimo, também deve estar preocupado com com a vida dos enfermeiros, pois estes há mais de um ano se encontram a espera de um ACT ou de uma nova carreira e governo tem ao longo deste tempo brincado com enfermeiros, enquanto que com a classe médica até faz acordos ao domingo, basta estes abrirem a boca que vão fazer greve.

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