Greve “histórica” dos professores força descongelamento faseado das carreiras

João Relvas / Lusa

Várias escolas fechadas e muitos alunos sem aulas esta quarta-feira. Em frente ao Parlamento, onde se discute o Orçamento do Estado para 2018, os professores estão concentrados naquela que pode ser a maior “greve da década”.

Com o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, internado por tempo indeterminado, é a secretária de Estado Adjunta e da Educação, Alexandra Leitão, quem está hoje a tomar as rédeas no Parlamento, no debate da proposta do OE 2018 na especialidade, com medidas controversas como a não contagem do tempo de serviço.

“Vai haver uma forma de a contagem da carreira docente ser, de alguma forma, recuperada. Veremos com os sindicatos com que faseamento”, confirmou a governante.

Na terça-feira, o primeiro-ministro já tinha afirmado que o cronómetro da carreira dos professores vai voltar a contar para efeitos de progressão, lembrando, no entanto, que a reposição imediata e total dos anos de congelamento custaria 650 milhões de euros.

“Os professores não vão ficar de fora do processo de descongelamento das carreiras. Os professores foram objeto de uma medida que compreendo que os revolte e que a considerem injusta quando há vários anos se parou o cronómetro que contava o tempo da sua carreira para efeitos de progressão”, declarou ontem António Costa.

De acordo com o primeiro-ministro, a proposta de Orçamento do Estado para 2018, porém, “vai de novo pôr o cronómetro a funcionar”. “Este Governo não está a congelar, mas a descongelar, não está a cortar, mas a repor aos professores e a todos os trabalhadores da Administração Pública o direito a progredirem na sua carreira”, frisou.

A proposta de OE2018 prevê que não seja contabilizado o trabalho realizado entre 31 de agosto de 2005 e 31 de dezembro de 2007, nem entre janeiro de 2011 e 31 de dezembro de 2018.

Enquanto o ministério e deputados da comissão parlamentar de educação e ciência discutem o próximo Orçamento do Estado, os professores realizam uma greve geral e muitos estão concentrados em frente ao Parlamento.

De acordo com os dados recolhidos pela Federação Nacional dos Professores no primeiro tempo da manhã, a adesão ronda os 90% e “é natural que venha ainda a subir”, disse o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira.

Para o representante sindical, trata-se de uma “greve histórica de professores” com os estabelecimentos do pré-escolar e primeiro ciclo praticamente fechados em todo o país, mas também escolas do segundo e terceiro ciclo e secundário.

Filinto Lima, diretor da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), já tinha adiantado que os casos mais problemáticos são as escolas de 1.º ciclo, onde “há uma grande razia”.

“Na Escolas Básicas de 2.º e 3.º ciclos há muitos miúdos a deambular pelos recreios e cria a sensação de que estão no intervalo, porque a maior parte dos professores está a faltar às aulas”, disse à Lusa, acreditando que a greve “será a maior dos últimos anos”.

Ontem, os representantes dos dois maiores sindicatos – Fenprof e FNE – ainda foram chamados pelas secretárias de Estado Adjunta e da Educação e a secretária de Estado da Administração e Emprego Público mas não foi possível chegar a um acordo.

Na altura, Mário Nogueira salientou que esta poderia ser a maior “greve da década”, tendo em conta o “nível elevadíssimo de indignação” dos professores. “É inaceitável a perda de tempo de serviço. Aceitamos negociar, mas não aceitamos perdas de serviço que já cumprimos”, disse à Lusa.

Está agendada para esta quinta-feira uma nova reunião entre as partes.

ZAP // Lusa

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5 COMENTÁRIOS

  1. Enquanto não houver coragem para limitar este tipo de greves , que só favorece uns em detrimento de outros, este país não progride.
    Num mundo com tantos países bons, logo tive o azar de nascer neste

    • O país é que teve azar em ter gente como tu!
      Este país é muito bom; se calhar merecias ter nascido na Somália ou por lá perto!…
      Mas, mas fronteiras estão abertas, por isso, arranca que cá não fazes falta nenhuma!
      Em relação à greve, os professores tem toda a razão!!
      Limitar a greve?!
      Ahhaaa!…
      Deves estar enganado no regime…
      A greve é um direito em qualquer país civilizado e os professores tem que ter as mínimas condições pois educação é um dos factores mais importante para o desenvolvimento de qualquer país (e que se nota que falhou no teu caso)!!

  2. Pronto. Já estava à espera de uma resposta vinda de um abrunho.
    Como só discuto assuntos com pessoas com algum intelecto , o que não é o caso, marra à vontade.

  3. Pelos comentários, até parece que estamos na idade do homem das cavernas! Sejam mais educados, comentários construtivos seriam uma dádiva, não se apunhalem uns aos outros, é por isso que há guerras!

  4. O governo parece começar a colher a fruta no pomar que montou, se há mãos largas para uns é sabido que outros não pretenderão ficar para trás, depois temos a outra parte de extrema-esquerda da geringonça que não perde a oportunidade de agitar mais ainda a turbulência até porque o futuro da geringonça não é um dado adquirido e portanto há que jogar nos dois campos.

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