Governo prepara-se para antecipar semana de contenção. Discotecas fecham e teletrabalho já em dezembro

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António Pedro Santos / Lusa

O primeiro-ministro, António Costa, no final da conferência "Behind the WebSummit"

O primeiro-ministro, António Costa

O Governo convocou para esta terça-feira um Conselho de Ministros extraordinário para debater e aprovar novas de medidas de combate à pandemia. A semana de contenção prevista para arrancar a 2 de janeiro pode começar já no dia 26 de dezembro.

A última reunião antes do Natal estava prevista para esta quinta-feira, mas foi antecipada tendo em conta o aumento de casos de covid-19 em Portugal que se deve, em parte, à rápida circulação da variante Ómicron.

À Lusa, fonte oficial do Executivo explicou que estão em causa “propostas recebidas pelo grupo de epidemiologistas que têm apoiado o Executivo” e, “como são medidas com impacto na vida das pessoas, convém que sejam tomadas com antecedência, tendo em vista tornar possível uma melhor preparação e adaptação”.

Segundo apurou a CNN Portugal, o Governo prepara-se para antecipar a semana de contenção para 26 de dezembro, imediatamente a seguir ao Natal.

Desta forma, o teletrabalho obrigatório terá início já este mês.

A pensar nas festas de final de ano, o Executivo estava a ponderar, ao início desta manhã, impor lotação máxima em discotecas e bares, mas não estava totalmente excluído o encerramento destes estabelecimentos.

Entretanto, o Expresso avança que ficou decidido que as discotecas vão encerrar já a partir do dia 26 deste mês, prolongando o encerramento até dia 9 de janeiro.

Ainda de acordo com a estação televisiva, haverá testes obrigatórios em restaurantes e hotéis na passagem de ano. Já nos centros comerciais será imposta uma lotação máxima e alargado o período de troca de presentes de Natal.

Através do Twitter, o antigo diretor dos serviços de Informação e Análise da Direção-Geral da Saúde (DGS), André Peralta-Santos, avisou que os portugueses estão a cometer os mesmos erros do Natal passado.

Se nada for feito, “o risco que corremos é de um janeiro com níveis de doença na comunidade muito elevados e pressão elevada nos hospitais com degradação da qualidade e acesso a cuidados não-covid”, escreveu o especialista, este domingo.

“Uma semana de contenção” pode não ser suficiente

Em entrevista no Polígrafo SIC, Graça Freitas admitiu que “uma semana de contenção” pode não ser suficiente para estancar o crescimento da pandemia.

“Estamos a lidar com um fenómeno diferente, novo em relação ao que tínhamos há duas, três semanas e pode ser necessário ampliar mais ou menos esse período [de contenção]”, afirmou a diretora-geral da Saúde.

A situação atual é “de altíssima incerteza” devido à disseminação acelerada do vírus provocada pela variante Ómicron e o aumento de contágios pode refletir-se nos hospitais.

“Mesmo que ela não se venha a revelar muito grave, pode só pelo volume potencial de novos casos vir a gerar pressão sobre o sistema de saúde“, admitiu Graça Freitas, admitindo a importância da dose de reforço da vacina e a testagem.

“Temos de estar muito atentos. Começou há muitos poucos dias e atingiu proporções acentuadas e graves em dois países da Europa. É por essa incerteza que estamos atentos e vigilantes”, acrescentou.

A responsável adiantou que a Direção-Geral da Saúde (DGS) foi consultada para a adoção das novas medidas, que serão discutidas esta terça-feira em Conselho de Ministros.

De acordo com o Expresso, Graça Freitas disse que o eventual encerramento de bares e discotecas no fim do ano está dependente da lotação e da testagem e adiantou que o organismo aconselhou que, se estes espaços ficarem abertos, é preciso ventilá-los.

Outra medida que a DGS fez questão de recomendar ao Governo tem a ver com “aglomerados de pessoas nos interiores”.

Numa altura em que se aproxima o período festivo, Graça Freitas deixou mais um apelo aos portugueses. “Se pudesse escolher, de um modo geral, diria às pessoas no nosso país que moderassem muito os seus contactos. Se fizermos múltiplas festas de Natal com múltiplas pessoas convidadas estamos a correr um risco semelhante.”

  Liliana Malainho, ZAP //

3 Comments

  1. Mas os testes já não eram obrigatórios nos restaurantes?

    quanto a outras medidas como o teletrabalho é facil decidir mas depois a 2 dias do natal acham que é só estalar os dedos e tudo se faz?

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