Governo quer obrigar jovens médicos a ficarem no SNS

Felipe Pilotto / Flickr

Face à crescente falta de médicos no Serviço Nacional de Saúde (SNS), o Governo equaciona obrigar os jovens clínicos a permanecerem ao serviço da Saúde Pública, logo que terminem as suas especializações. Uma ideia que vai “destruir o SNS”, segundo o Bastonário.

Durante esta legislatura, o Governo deverá avançar com uma medida radical para promover a fixação de médicos especialistas mais jovens no SNS, obrigando-os a isso por via administrativa, conforme avança o Expresso.

“Com os médicos mais velhos a sair e os mais novos a não quererem entrar nas unidades de saúde do Estado”, “o Governo vai avançar com medidas in extremis“, com o intuito de tentar evitar a saída de jovens clínicos para o sector privado ou para o estrangeiro, aponta o semanário.

Em declarações citadas pelo jornal, a ministra da Saúde, Marta Temido, não assume a medida de fixação dos jovens médicos por via administrativa de forma taxativa, mas nota que será “equacionada a celebração de pactos de permanência no SNS após a conclusão da futura formação especializada”.

A ideia recebe críticas dos Sindicatos, da Ordem dos Médicos (OM) e de médicos que consideram que a medida poderá ser muito negativa para o futuro do SNS.

“Obrigar os médicos a ficar é destruir o SNS”, aponta o Bastonário da OM, Miguel Guimarães. “Uma coisa é querer fixar os médicos e obrigá-los a ficar, isso não é possível. Em democracia é totalmente impossível. Não podemos obrigar as pessoas a fazer as coisas desta forma”, acrescenta o Bastonário em declarações à Rádio Observador.

“A senhora Ministra da Saúde ainda não propôs nada à Ordem dos Médicos”, refere ainda Miguel Guimarães, apontando que se a medida avançar será uma “afronta a todos os médicos”.

Miguel Guimarães considera que o Governo deve antes “tentar negociar com os médicos”, “criando condições” para que a sua permanência no SNS possa acontecer.

O presidente do Conselho Geral do Sul da OM, Alexandre Valentim Lourenço, alinha pelo mesmo discurso, mostrando-se a favor de uma medida que “recompense a dedicação” para que os profissionais possam ser “integrados numa carreira”, conforme declarações ao Observador.

Somos contra pactos de escravatura que obriguem os melhores médicos, os nossos especialistas jovens, com muita vontade e muito empenho de trabalhar no SNS de serem conduzidos para uma situação que não é de todo propícia”, frisa Alexandre Valentim Lourenço.

Esse tipo de postura “será contraproducente”, entende ainda, concluindo que “fará com que os melhores médicos saiam mais cedo do SNS ou mesmo mudem de país”.

ZAP //

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18 COMENTÁRIOS

  1. Tenho uma filha a estudar medicina que me informou que este ano nos exames de acesso ás especialidades, jovens médicos com notas superiores a 17 valores foram excluídos por simplesmente NÃO ABRIREM AS RESPECTIVAS VAGAS!!!!!!
    Espero bem que a milha filha opte por trabalhar noutro pais, onde respeitem os profissionais de saúde e com acesso a meios técnicos e humanos que lhes permitam trabalhar ….
    Isto é um pais de 3º mundo em que o SNS só acolhe os infortunados que não têm ADSE ou podem pagar um seguro de saúde e não têm poder para reclamar !!!! Talvez se obrigassem a corja de politicos e seus familiares a ele recorrer (alguma vez alguém viu um politico num hospital público???) as coisas mudassem !!!

    • O problema na saúde é só um: formamos poucos médicos. Depois temos consultas caras (as mais caras de toda a Europa proporcionalmente ao nível de vida); temos uma classe médica que apenas pensa em dinheiro; e essa mesma classe médica quer esta sempre com um pé no SNS e dois cá fora! Antigamente até era normal chegarem aos serviços a meio da manhã para tomar o café e irem de seguida para as clínicas. E quantos não levavam (e não levam) os utentes do SNS para os seus consultórios particulares. O problema da medicina é só um e reside na famosa lei da procura e oferta. Temos pouca oferta de serviços médicos, devido à escassez de médicos, e estes cobram o que bem entendem e trabalham onde bem entendem (não há médicos no interior, no Algarve,…) Formem mais médicos e o problema resolve-se rapidamente. Permitam ao Grupo Mello, à Universidade Católica (nos diferentes polos) e a outros a operar na saúde em Portugal abrir as suas próprias faculdades e vão ver que em pouco tempo estará tudo resolvido.

      • o problema até não é “levarem os utentes do SNS para os seus consultórios particulares” o pior é o movimento contrário, trazerem-nos dos seus consultórios particulares e passarem-nos à frente de todos o que esperam anos por não terem dinheiro para lhes encherem a pança e ainda cobrarem esses serviços como se SNS fosse propriedade deles. os abutres só comem carne morta estes comem moribundos.

    • uma enormidade de coisas podiam ser ditas para responder ás enormidades que bolsou mas tudo isso era desnecessário se a sua crida tivesse ido comprar o diploma a esse tal estrangeiro e não o comprasse com o nosso dinheiro.

    • O socialismo demora um bocado mais de tempo, mas o fim é o mesmo! É uma diferença baseada no tempo apenas pk quando a “necessidade” surgir será imprerial fazer-se como manda o manual comuna. Será na altura visto como a única salvação quando o problema é o socialismo em si mesmo que cria essas situações…

  2. Com esta corja governativa, encostada aos radicais, estamos a encaminharmos por caminhos perigosos. Para onde, não sei.

  3. Tudo está mal no SNS, os médicos não gostam de dizer em palavras que não querem trabalhar para o dinheiro que o país pobre que ainda é Portugal tem disponível e fazem sabotagem com os amiguinhos das farmaceuticas. Em vez de falar em dinheiro, falam em condiçoes de trabalho e horários, mas a concorrência dos hospitais privados lhes viraram a cabeça. Aí é que Hipócrates e hipocrise se juntam

  4. Não é o governo… São o socialismo e o comunismo português que estão a levar-nos a isto. Aqui está o direito ao ensinos gratuito, mas só enquanto lhes der jeito. Será que a seguir vão obrigar os advogados a fazer serviço pro bono? Sabendo que a maior parte dos deputados são licenciados em direito, provavelmente a resposta é não.

  5. Parece-me perfeitamente correto que um dos cursos mais longos, fortemente subsidiado e suportado pelo estado venha a exigir contrapartidas aos formandos! Tem algum sentido estarmos a investir numa formação superior de 6, 7, 8 e mais anos para depois emigrarem para outro país???? Ou não terem alguma forma de retribuir aos cidadãos que lhes suportarama formação??
    A postura da Ordem é inaceitável e inqualificável, e serve apenas à protecção corporativa que pauta as suas acções e posições! Seria uma mancha na reputação dos médicos recém formados, em grande parte à conta do erário público, darem de volta um pouco do que receberam???
    Deveria este princípio ser aplicado a outras profissões??? Provavelmente sim!!!! Quem muito recebeu… deve dar alguma coisa de volta! Nem que fossem apenas 2, 3 ou 4 anos, obviamente com ordenados com um mínimo de dignidade.

  6. Os portugueses investem muito na formação dos médicos. È compreensível e exigível que não possam sair de imediato. Se isso acontecer devem ressarcir o Estado.
    Além disso, é urgente abrir mais cursos, nomeadamente em faculdades privadas.

  7. Depois de ler todos os comentários, a maioria contra a medida, fico sem entender o que afinal querem vocês?
    Tudo o que o governo faz é mau e para atirar a baixo. Pessoalmente não votei neste governo e discordo com muitas medidas, mas relativamente a este ponto estou de acordo.

    Não se trate de medidas de escravatura, ditadura ou mesmo anticonstitucionais, tratasse do retribuir a sociedade com o que a sociedade lhe proporcionou.
    Um medico, advogado e outras profissões, não deviriam obter autorização de praticar em consultórios privados sem antes passar 5 anos pelo serviço publico.
    Ninguém lhes está a pedir para trabalhar sem receber um salário digno, logo não existe escravatura, mas que contribuíam para a sociedade que lhes pagou o estudos. Algo justo e que vai servir para ganhar experiência.

    Outra medida deviria passar por proibir praticar em clinicas privadas e SNS ao mesmo tempo. Ou trabalha para o SNS ou para consultório privado, os dois é incentivar as usurpações que se fazem.
    Reclamam que as listas de espera são enormes, mas apenas para aqueles que não consultem estes médicos no privado. Sei de vários casos em que as cirurgias e tratamentos são feitos pelo SNS muitas vezes na semana seguinte, tudo porque vem do privado e passam á frente das listas.
    Pagamos todos para um medico enriquecer.

    Mas ainda assim vocês gostam de destilar veneno contras as medidas que pedem que alguém retribua para a sociedade.

  8. Este assunto merece um comentário parvo, assim, mesmo à político. Será que no ministério da saúde, alguém foi com férias pagas a koreia do norte? É só ideias de jericos.

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