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Galp avança com despedimento coletivo de 150 trabalhadores de Matosinhos

José Sena Goulão / Lusa

A Galp vai dar início ao despedimento coletivo de cerca de 150 trabalhadores da refinaria de Matosinhos, tendo chegado a acordo com 40% dos cerca de 400 colaboradores.

“Atendendo a que concluímos as operações de refinação no passado mês de abril, infelizmente, não conseguimos encontrar solução para cerca de 150 trabalhadores. Ainda que mantenhamos os esforços no sentido de encontrar soluções e acordos por via de consenso entre as partes, não nos resta outra alternativa do que dar início a um processo de despedimento coletivo”, afirmou o administrador da Galp, Carlos Silva, à agência Lusa.

A petrolífera justificou a “decisão complexa” de encerramento da refinaria de Matosinhos, no Porto, com base numa avaliação do contexto europeu e mundial da refinação, bem como nos desafios de sustentabilidade, a que se juntaram as características das instalações.

Após ter decidido o encerramento da refinaria, a Galp encetou conversas individuais com os 401 trabalhadores em causa, chegando a acordo com mais de 40%.

“Dentro desses, mais de 100 continuarão a sua atividade, quer no parque logístico de Matosinhos, que manterá as suas funções de abastecimento ao mercado de combustíveis do Norte do país, quer por via da mobilidade interna para as áreas das renováveis, inovação, novos negócios e também para a refinaria de Sines”, precisou Carlos Silva.

Por outro lado, mais 30% do total dos trabalhadores da refinaria de Matosinhos irão manter-se, pelo menos, até janeiro de 2024, no âmbito das operações de desmantelamento e descontinuação.

Segundo a empresa, ao longo desse processo de descontinuação, caso seja identificadas novas oportunidades de negócio, no âmbito do futuro da refinaria, esses trabalhadores podem ser encaixados, de acordo com as suas qualificações e competências.

Recorde-se que o Estado é um dos acionistas da Galp, com uma participação de 7%, através da Parpública.

“Sabemos como as coisas funcionam e já tínhamos vindo a alertar para isto. É inadmissível a despreocupação e o desrespeito com que o Governo olha para esta situação. Mas já percebemos que a transição energética vai ser feita neste modus operandi“, criticou Telmo Silva, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energias e Atividades do Ambiente (Site-Norte), citado pelo Jornal de Notícias.

De acordo com o mesmo jornal, durante as próximas duas semanas vão decorrer reuniões entre a Comissão de Trabalhadores e a empresa para “tentar encontrar soluções”. No fim, cada trabalhador será informado individualmente e formalmente de que está inserido no processo de despedimento coletivo.

Lítio assume uma “posição relevante”

Já quanto ao futuro dos terrenos, o administrador da Galp disse que as caraterísticas impostas pelo plano diretor municipal (PDM) serão objeto de “respeito absoluto”, acrescentando que as soluções em estudo estarão alinhadas com os princípios da transição energética.

O administrador revelou ainda que a última unidade de produção da refinaria de Matosinhos foi desligada na passada sexta-feira. “Confirmo que na passada sexta-feira desligámos a última unidade de produção na refinaria de Matosinhos”, adiantou.

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Em janeiro, a Savannah anunciou que fechou um acordo de princípio com a Galp para a empresa entrar na atividade de exploração de lítio que tem em Portugal.

A empresa de prospeção mineira tem desenvolvido, desde 2017, estudos para um projeto de exploração de feldspato litinífero e subsequente produção de concentrado de espodumena na mina do Barroso, no concelho de Boticas.

Questionado sobre este investimento, Carlos Silva notou que “a cadeia de valor das baterias é um aspeto fulcral”, assumindo o lítio “uma posição relevante” e, por isso, a empresa está a “procurar soluções para desenvolver essa cadeia de valor”.

  ZAP // Lusa

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